O comandante da Força Aeroespacial do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI), brigadeiro-general Majid Mousavi, afirmou que o Irã passará a lançar apenas mísseis com ogivas superiores a uma tonelada e que a frequência, a escala e o alcance das ondas de ataque aumentarão. A declaração foi dada em meio à continuidade da Operação Promessa Cumprida 4, lançada em resposta à agressão dos EUA e de “Israel” contra a República Islâmica.
Segundo Mousavi, “cada míssil lançado a partir de agora pesará não menos de uma tonelada”. Em mensagem publicada na rede X, o comandante acrescentou que a intensidade das salvas de mísseis e a dimensão das ondas de ataque também serão ampliadas. Mais cedo, falando do campo de batalha, ele pediu confiança à população iraniana e declarou que o ataque contra o inimigo não pararia “nem por um único momento”.
Na segunda-feira (9), o CGRI anunciou a 33ª onda da Operação Promessa Cumprida 4, realizada com uma grande salva de mísseis balísticos Kheibar Shekan, de combustível sólido e equipados com ogivas de uma tonelada. De acordo com a nota do setor de relações públicas do CGRI, os projéteis atingiram diversos alvos de alto valor nos territórios ocupados, inclusive o “coração de Telavive”, atingido por mais de 10 desses mísseis.
O comunicado afirmou que a operação segue desferindo golpes precisos e devastadores. “Dissemos que o estado de sirenes atrás de sirenes nos territórios ocupados não iria parar”, declarou o CGRI. A nota também informou que, nesta mesma fase, a quinta base naval das forças terroristas norte-americanas na região foi atingida por mísseis Kheibar Shekan.
Segundo o CGRI, todos os mísseis acertaram diretamente seus objetivos, demonstrando a precisão da tecnologia iraniana mesmo diante das pesadas defesas aéreas inimigas. A corporação acrescentou que, apesar da censura imposta pelas autoridades militares sionistas, circularam amplamente nas redes sociais imagens e vídeos mostrando impactos de mísseis e a penetração bem-sucedida do sistema “Domo de Ferro”. O comunicado reiterou ainda o compromisso da corporação com a população: “não abandonaremos vocês”.
Também na segunda-feira, o CGRI informou que a 31ª onda da operação foi realizada com mísseis pesados e dedicada ao aiatolá Saied Mojtaba Khamenei, após sua eleição pela Assembleia dos Peritos como terceiro Líder da Revolução Islâmica. Segundo a corporação, essa fase atingiu posições estratégicas em profundidade dentro da entidade de ocupação e também bases norte-americanas, em resposta à agressão contínua contra o território iraniano e ao bombardeio de áreas civis.
Após essa ofensiva, sirenes foram acionadas em várias áreas da Palestina ocupada, incluindo Telavive, Rishon LeZion, Petach Tikva, Holon, Ariel e al-Lydd.
A agência Fars, citando fontes informadas, afirmou que as operações realizadas no domingo constituíram os maiores ataques iranianos contra alvos norte-americanos e israelenses desde o início da guerra. No Comunicado nº 19, as Forças Armadas iranianas anunciaram que forças terrestres, aéreas e navais realizaram operações com VANTs de ataque unidirecional contra locais nos territórios ocupados e instalações militares dos EUA na região.
Segundo o comunicado, os ataques atingiram a unidade de apoio de combate Rehavam e uma estação de radar de alerta antecipado ligada à Base 512 dos EUA dentro dos territórios ocupados, além de pontos de concentração de tropas e depósitos de equipamentos no campo de Al-Udairi, no Cuaite. O anúncio veio após o Comunicado nº 18, no qual o Exército iraniano havia informado que VANTs atingiram alvos dos EUA e de “Israel” em Haifa e Telavive, além de instalações norte-americanas no Campo Arifjan, também no Cuaite.
O Exército da República Islâmica do Irã declarou, em nota separada, que suas forças terrestres, aéreas e navais lançaram novos ataques com VANTs contra os territórios ocupados e contra bases dos EUA no Cuaite. Segundo o texto, os VANTs “destrutivos” atingiram, nas horas anteriores, a unidade de apoio de combate Rehavam, a estação de radar de alerta antecipado da Base 512 e centros de reunião de forças e depósitos de equipamento no campo de al-Adiri.
As autoridades iranianas voltaram a afirmar que as operações têm como alvo bases militares norte-americanas e instalações usadas para lançar ataques contra o Irã, e que os países vizinhos não são considerados adversários. Segundo Teerã, os únicos alvos são as plataformas militares estrangeiras utilizadas na agressão.
Nas ondas anteriores da operação, o CGRI já havia ampliado o alcance dos ataques. Na 29ª onda, a corporação informou o uso de mísseis de nova geração da Força Aeroespacial contra alvos em Telavive, no deserto de al-Naqab e em bases aéreas norte-americanas na região. Na 30ª onda, lançada na 19ª noite do Ramadã, já sob o comando do novo Líder da Revolução, os mísseis atingiram bases dos EUA na região e o norte da Palestina ocupada.
Mais cedo, a televisão estatal iraniana informou o lançamento de uma terceira barragem como parte da 28ª onda da operação. Segundo o CGRI, a primeira barragem dessa fase utilizou mísseis Kheibar de nova geração com ogivas muito pesadas, tendo como alvos Bir al-Sabe’, Telavive e infraestrutura ligada à base aérea de Al-Azraq, descrita como um importante centro de aeronaves norte-americanas envolvidas na agressão.
Pouco depois, uma segunda barragem foi lançada. Nela, um míssil de fragmentação iraniano se abriu sobre Telavive e dispersou mais de 16 submunições sobre a cidade. A imprensa israelense informou impactos em 16 pontos de áreas centrais e relatou inicialmente que um míssil havia caído em Bat Yam, levando ao deslocamento de equipes de emergência.
O Comando da Frente Interna de “Israel” declarou que alertas foram acionados em Haifa, al-Khalil, Golã ocupado e no entorno de Gaza, além de sirenes em Cesareia e em assentamentos vizinhos à Faixa de Gaza. A imprensa israelense informou que dois colonos foram mortos e outro ficou ferido nos ataques contra áreas centrais da Palestina ocupada.
Em outra frente, o chanceler iraniano Abbas Araghchi afirmou que o país está plenamente preparado para responder às manobras maliciosas dos EUA voltadas a alterar a equação econômica criada pela guerra. Em publicação na rede X, ele escreveu que a operação militar norte-americana, chamada por Washington de “Fúria Épica”, já havia provocado uma escalada insustentável dos preços da energia e das commodities e a rebatizou de “Erro Épico”.
“Após nove dias da Operação Erro Épico, os preços do petróleo dobraram enquanto todas as commodities disparam. Sabemos que os EUA estão tramando contra nossas instalações petrolíferas e nucleares na esperança de conter um enorme choque inflacionário. O Irã está totalmente preparado”, declarou o ministro. Em seguida, acrescentou: “e nós também temos muitas surpresas reservadas”.
A resposta iraniana aos ataques dos EUA e de “Israel” já incluiu ações contra ativos militares norte-americanos em países ricos em petróleo do Golfo Pérsico. Isso provocou uma forte alta nos preços do petróleo e do gás natural e espalhou instabilidade pelos mercados internacionais. O Irã sinalizou que essa escalada pode continuar e atingir níveis históricos caso EUA e “Israel” decidam atacar a produção energética iraniana, levando Teerã a responder contra instalações correspondentes na região. Analistas de mercado avaliam que, nesse cenário, o barril do petróleo poderia superar US$200.
Araghchi também defendeu os ataques iranianos contra bases norte-americanas na região ao citar um vídeo publicado pelo Comando Central dos EUA (CENTCOM). Segundo o chanceler, o próprio material norte-americano confirmou que Washington vem usando o território de países vizinhos ao Irã para lançar ataques contra o país.
“Obrigado, CENTCOM, por admitir que vocês estão usando o território de nossos vizinhos para posicionar sistemas HIMARS contra nosso povo, aparentemente incluindo uma usina de dessalinização”, escreveu Araghchi. Ele acrescentou: “ninguém deveria reclamar se nossos poderosos mísseis destruírem esses sistemas onde quer que estejam, em retribuição”.
A declaração fazia referência a um vídeo publicado pelo CENTCOM mostrando sistemas HIMARS do Exército norte-americano disparando de uma área desértica. Os militares dos EUA não divulgaram o local exato do lançamento. Analistas apontaram, porém, que, dado o alcance estimado do HIMARS, entre 300 e 500 quilômetros, os sistemas podem estar posicionados ao longo da costa sul do Golfo Pérsico, onde há várias bases militares norte-americanas.
Teerã vinha advertindo repetidamente que qualquer ativo dos EUA usado para lançar ataques contra o território iraniano seria considerado alvo legítimo. Autoridades iranianas declararam ainda, no início da semana, que ataques dos EUA e de “Israel” atingiram uma usina de dessalinização na ilha de Qeshm, no sul do Irã, interrompendo o abastecimento de água para mais de 30 aldeias. As autoridades classificaram o ataque como uma agressão contra infraestrutura civil e afirmaram que ele não ficaria sem resposta.
De acordo com o Crescente Vermelho, ao menos 1.332 iranianos foram assassinados nos ataques aéreos desde o início da agressão lançada em 28 de fevereiro, quando EUA e “Israel” assassinaram o Líder da Revolução Islâmica, aiatolá Sayed Ali Khamenei. Desde então, o Irã iniciou de imediato ataques retaliatórios com mísseis e VANTs contra os territórios ocupados e contra ativos norte-americanos em países da região.




