A polícia do Irã anunciou no domingo (4) a prisão de organizadores de distúrbios e de detidos que portavam armas e explosivos nas manifestações pró-imperialistas que entraram na segunda semana. Em pronunciamento na televisão iraniana, o comandante da polícia, Ahmad Reza Radan, declarou que os atos começaram como protestos econômicos legítimos de comerciantes de bazares e, em seguida, foram cooptados e convertidos em tumultos.
Radan informou que as forças de segurança iniciaram, dois dias antes, uma operação de prisões contra os responsáveis por incitar a instabilidade. Segundo o comandante, presos confessaram que recebiam pagamentos em dólares, o que evidencia financiamento externo e coordenação com estruturas estrangeiras.
Na província de Lorestã, no oeste do país, a polícia anunciou a prisão de dois envolvidos em vandalismo e depredação que estavam com armas e material explosivo. Em Kuhdasht, cidade de Lorestã, a polícia comunicou no sábado a detenção de dois acusados de liderar os episódios recentes. O chefe de polícia Ali Amani afirmou que os detidos planejavam executar atos de sabotagem para desestabilizar a segurança na região. Amani declarou que um dos presos portava uma pistola, várias bombas caseiras e armas brancas.
A Guarda Revolucionária (IRGC, na sigla em inglês) também divulgou prisões. Em Isfahan, o IRGC informou a detenção de duas adolescentes acusadas de liderar a instabilidade e de conclamar ataques contra propriedades, recebendo pagamentos de um agente situado na Alemanha. Em outro comunicado, as relações públicas do IRGC anunciaram a prisão de três acusados de liderar distúrbios em Khorramabad, também em Lorestã. O órgão declarou que os detidos recebiam orientações do canal Iran International e de outros canais de oposição, participando de ações de depredação, pichação e escalada das manifestações para tumultos.
As manifestações começaram em 28 de dezembro, após uma forte queda do rial em relação ao dólar, que atingiu diretamente comerciantes e pequenos vendedores. A desvalorização é consequência das criminosas sanções impostas pelos Estados Unidos, que pressionam a economia iraniana e destroem as condições de vida da população. No dia 2 de janeiro, o líder do país, Ali Khamenei, reconheceu a queixa econômica dos comerciantes. “Quando um comerciante olha para a queda do valor da moeda nacional e a instabilidade das taxas de câmbio, seja para moeda local ou estrangeira, e a falta de estabilidade no ambiente de negócios, ele diz que não pode realizar seu trabalho, e ele tem razão nisso”, declarou, diferenciando protestos econômicos de ações de vandalismo e sabotagem.
O quadro de ingerência estrangeira apareceu em declarações e ações públicas. Em 30 de dezembro, o jornalista sionista Zvi Yehezkeli falou no canal i24NEWS sobre o papel de serviços de inteligência estrangeiros na promoção dos tumultos no Irã. Também foi mencionada a conta do Mossad em persa na rede X, que convocou a população a sair às ruas com a frase: “saiam juntos às ruas. Chegou a hora”. No mesmo sentido, o ex-diretor da CIA e ex-secretário de Estado norte-americano Mike Pompeo publicou mensagem apoiando as manifestações e mencionando agentes do Mossad nas ruas: “feliz Ano Novo para cada iraniano nas ruas. Também para cada agente do Mossad caminhando ao lado deles”.
O presidente norte-americano Donald Trump também ameaçou intervir nos acontecimentos internos do Irã, afirmando que agiria para “proteger os manifestantes”. Diante das declarações, Teerã encaminhou carta ao secretário-geral da ONU, António Guterres, denunciando a declaração dos EUA e exigindo que a organização condene as ameaças e a escalada de pressão externa.
Em junho, “Israel” lançou uma guerra de 12 dias contra a República Islâmica do Irã. Na ocasião, os Estados Unidos participaram com bombardeios a instalações nucleares iranianas. Em resposta, o Irã atacou alvos militares e de inteligência de “Israel”, inclusive em Telavive, com mísseis balísticos e drones, atingindo uma vitória acachapante sobre a entidade sionista e o imperialismo.




