O imperialismo de conjunto está montando uma vasta operação para a guerra contra o Irã. Essa guerra pode acontecer a qualquer momento.
Os iranianos advertiram que não tratarão nenhuma agressão contra o Irã como um enfrentamento militar limitado; afirmaram que, havendo agressão, partirão para uma política de guerra total. Isso demonstra que a situação é bastante aguda em termos de enfrentamento militar.
O Irã fechou o Estreito de Ormuz e está realizando manobras militares no local. Isso significa que, para uma frota chegar à parte superior do Golfo, precisaria passar pelo Estreito de Ormuz, que se encontra fechado pelos iranianos, o que constitui também uma demonstração militar.
Segundo informações divulgadas na grande imprensa, o imperialismo estaria concentrando forças na Jordânia que, dos países árabes, é o mais diretamente controlado por ele. Também estaria concentrando forças aéreas no Azerbaijão, em preparação para uma guerra contra a Rússia.
Isso coloca de imediato a questão sobre qual deve ser a posição da esquerda brasileira e internacional diante do conflito no Irã. Não haveria muito lugar para dúvida. Trata-se de um enfrentamento entre um país atrasado e o imperialismo. O dever de todos os revolucionários é o de defender o país atrasado, independentemente da consideração que se tenha sobre o regime político daquele país. Não defender ativamente o Irã é uma capitulação vergonhosa diante do imperialismo.
Essa capitulação, no entanto, está a caminho, porque a esquerda não consegue defender nem a Venezuela — que é geograficamente próxima e seria, segundo eles, uma ditadura — e dificilmente defenderia o Irã, que está do outro lado do mundo e com o qual possuem divergências ainda maiores do que com o governo de Maduro. O regime chavista é nacionalista e laico, sem aspectos religiosos. Já o do Irã possui um aspecto religioso que, para os liberais de classe média da esquerda pequeno-burguesa, é inaceitável, pois a “democracia” para esses setores é, acima de tudo, um problema de costumes.
Como os iranianos representam o oposto da política identitária, torna-se difícil para esses setores se oporem ao imperialismo. Isso deixa claro o caráter da política identitária: trata-se de uma política de defesa do imperialismo, sob o pretexto de que este seria o defensor de tais questões. A política identitária também se mostra o oposto de uma política popular. Se uma política está alinhada ao imperialismo, não é popular, não é de esquerda e não pertence ao povo.
O governo brasileiro segue a mesma política de capitulação. A representação brasileira no Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas condenou, na sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, a repressão contra manifestantes no Irã. Foi a primeira vez que a diplomacia brasileira utilizou termos contundentes contra o uso da força desde o início da atual onda de atos contra o regime.
Houve também uma votação na Organização das Nações Unidas (ONU) para condenar o Irã. A resolução pede a extensão de investigações sobre violações de direitos humanos no país. O texto foi aprovado com 25 votos a favor, sete contra e 14 abstenções, incluindo a do governo brasileiro. A proposta foi patrocinada por países como Alemanha, Reino Unido e Islândia.
Segundo os relatos, o embaixador brasileiro ressaltou que apenas o povo iraniano tem o direito soberano de determinar seu futuro e criticou medidas coercitivas unilaterais e sanções que exacerbam desafios econômicos. O comissário de Direitos Humanos da ONU, Volker Türk, instou as autoridades iranianas a interromper o que chamou de “brutal repressão”.
Posteriormente, fora da ONU, países europeus declararam a Guarda Revolucionária Iraniana como uma organização terrorista. Trata-se de uma operação para isolar o Irã e abrir caminho para o uso da força. A posição do governo brasileiro é vergonhosa.
O motivo da guerra não tem relação com a população iraniana. Pelo contrário, as manifestações foram impulsionadas justamente para fornecer um pretexto para o conflito. Foram manifestações violentas que criaram uma situação de caos no Irã e, como tal, foram reprimidas pelo governo, resultando em prisões. Diante disso, governos dos países imperialistas apresentam-se como defensores da “democracia” e do povo iraniano para justificar a guerra. O verdadeiro objetivo, todavia, é o fato de o Irã ter criado o Eixo da Resistência, uma frente única de resistência organizada em torno da luta palestina.
Nesse sentido, a guerra contra o Irã é uma tentativa de aprofundamento da guerra contra o povo palestino. A guerra contra o Irã é também uma guerra contra o Hesbolá no Líbano, contra o Hamas, contra o Ansar Alá no Iêmen, contra a resistência iraquiana e, de modo geral, contra a resistência ao imperialismo em todo o Oriente Médio. É uma típica guerra imperialista com o objetivo de neutralizar a resistência, enquanto setores que se dizem anti-imperialistas se omitem de maneira favorável ao imperialismo.
Após a Operação Dilúvio de Al-Aqsa em 7 de outubro, o imperialismo foi colocado em posição defensiva e buscou passar à ofensiva. Atacou o Hesbolá no Líbano, eliminou sua direção, promoveu um genocídio na Palestina e manteve os ataques contra os russos pela Ucrânia, além de buscar destruir o regime político venezuelano. Agora, parte para uma ofensiva contra o Irã.
Aqueles que apostaram que a crise do imperialismo levaria a um novo status quo de “mundo multipolar” encontram-se diante de uma utopia. O imperialismo não abrirá mão de sua dominação sem o uso da força extrema para manter a dominação global. Com as ameaças contra a Rússia, o armamento da Europa, as ameaças contra a China, o Irã, a Venezuela e Cuba, o momento atual é o auge da contraofensiva imperialista. Até o momento, a única vitória importante do imperialismo teria sido a derrubada do regime na Síria e a subsequente situação caótica.
O imperialismo procurará resolver suas crises políticas e econômicas por meio de uma guerra de grandes proporções, uma espécie de Terceira Guerra Mundial. O que ocorre no Irã é, em certo sentido, o começo virtual desse conflito. A agressividade imperialista é tamanha que o caso iraniano não pode ser considerado isolado; faz parte de uma situação mundial que ameaça também a Rússia e a China.





