Oriente Próximo

Irã fecha Estreito de Ormuz parcialmente

Irã anunciou o fechamento temporário de partes do Estreito de Ormuz por algumas horas, sob a justificativa de garantir a segurança da navegação

Em meio a uma escalada de ameaças militares por parte dos Estados Unidos, o governo da República Islâmica do Irã realizou exercícios navais de grande envergadura no estratégico Estreito de Ormuz e participou de uma nova rodada de negociações indiretas com os Estados Unidos em Genebra. Os acontecimentos, concentrados nos dias 16 e 17 de fevereiro, evidenciam a profundidade da crise entre o imperialismo norte-americano e o país persa, que há 47 anos resiste às tentativas de desestabilização promovidas pelo grande capital.

O líder do Irã, Ali Khamenei, declarou que os porta-aviões norte-americanos podem ser enviados “ao fundo do mar”, em resposta às reiteradas ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump. Segundo Khamenei, embora os Estados Unidos insistam em apresentar suas Forças Armadas como “as mais poderosas do mundo”, qualquer poder militar pode sofrer um golpe do qual não consiga se recuperar. “Um porta-aviões é um instrumento perigoso, mas mais perigosa é a arma capaz de afundá-lo”, afirmou.

A declaração ocorre após o envio de um segundo grupo de ataque norte-americano à região, incluindo o porta-aviões USS Gerald R. Ford e outras embarcações de guerra. O governo norte-americano também deslocou milhares de soldados, aviões de combate e destróieres com mísseis guiados para o entorno do Golfo Pérsico.

A movimentação militar foi justificada como “pressão” para forçar o Irã a aceitar as condições impostas pelos EUA nas negociações nucleares. Trata-se, na prática, de uma política clássica de coerção imperialista: negociar sob a mira de canhões.

Simultaneamente às declarações de Khamenei e à abertura das conversas em Genebra, a Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) realizou o segundo dia dos exercícios intitulados “Controle Inteligente do Estreito de Ormuz”.

Durante as manobras, o Irã anunciou o fechamento temporário de partes do Estreito de Ormuz por algumas horas, sob a justificativa de garantir a segurança da navegação enquanto eram realizados disparos de teste com mísseis e operações com veículos aéreos não tripulados (VANTs).

O comandante da Marinha da IRGC, Alireza Tangsiri, declarou que o país mantém vigilância total — na superfície, no ar e no subsolo marítimo — sobre a região, por onde transitam diariamente cerca de 80 embarcações. Ele afirmou ainda que o Irã está preparado para fechar completamente o estreito caso receba ordem das autoridades superiores.

O Estreito de Ormuz é uma das rotas energéticas mais importantes do planeta, responsável por cerca de um quinto do fluxo global de petróleo. Qualquer bloqueio prolongado teria impacto imediato nos preços internacionais do barril e na economia mundial.

Enquanto a tensão militar aumentava no Golfo, diplomatas iranianos e norte-americanos participaram de uma segunda rodada de negociações indiretas em Genebra, mediadas por Omã.

A delegação iraniana foi chefiada pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi. Do lado norte-americano, participaram o enviado especial Steve Witkoff e o assessor Jared Kushner.

Segundo Araghchi, as conversas foram “sérias” e mais construtivas do que a rodada anterior. O chanceler afirmou que houve acordo sobre um conjunto de princípios orientadores para a redação de um eventual entendimento futuro. Ainda assim, reconheceu que persistem divergências importantes e que o processo será complexo.

O Irã reafirmou que as negociações se limitam à questão nuclear e à retirada das sanções impostas pelos EUA. O governo iraniano rejeita categoricamente qualquer discussão sobre seu programa de mísseis balísticos ou sobre o apoio a forças aliadas na região, temas que Estados Unidos e “Israel” tentam incluir na pauta.

O Irã também reiterou que o enriquecimento de urânio é um direito soberano, garantido pelas normas internacionais. Em rodadas anteriores, sinalizou disposição para limitar níveis de enriquecimento — como fez no acordo de 2015, posteriormente abandonado unilateralmente pelos EUA durante o primeiro mandato de Trump.

A atual escalada ocorre poucos meses após ataques realizados por EUA e “Israel” contra instalações iranianas, em junho de 2025. Desde então, Trump voltou a mencionar a possibilidade de “mudança de regime” no Irã — fórmula recorrente da política externa norte-americana para justificar intervenções e guerras.

Ao comentar que os Estados Unidos não conseguiu derrubar a República Islâmica em 47 anos, Trump acabou reconhecendo, ainda que involuntariamente, o fracasso histórico da política imperialista contra o país.

Khamenei, por sua vez, declarou que o povo iraniano não se submeterá a imposições externas e caracterizou as exigências norte-americanas como tentativas de dominação.

Em seu discurso, o líder iraniano também mencionou os protestos ocorridos no início de janeiro, que resultaram na morte de milhares de pessoas, incluindo civis e membros das forças de segurança. Autoridades iranianas afirmam que houve financiamento e apoio de serviços de inteligência estrangeiros, incluindo o Mossad israelense.

Segundo dados oficiais, 3.117 pessoas morreram nos confrontos, sendo 2.427 civis e agentes de segurança mortos por grupos armados. O governo classifica os acontecimentos como uma tentativa de golpe fomentada externamente.

Os acontecimentos dos últimos dias revelam uma situação de altíssima instabilidade. De um lado, o governo norte-americano desloca porta-aviões e ameaça bombardear o país; de outro, mantém negociações indiretas, buscando impor termos que extrapolam o acordo nuclear original.

O Irã, por sua vez, combina demonstrações de força militar com disposição declarada para o diálogo — desde que respeitada sua soberania.

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