Oriente Próximo

Irã esmaga ofensiva do imperialismo

Ministro da Defesa afirmou que o Irã possui "inteligência precisa" mostrando que EUA e "Israel" orquestraram os motins para tentar fragmentar o país

Nesta quinta-feira (15), o chefe de polícia do Irã afirmou que a calma foi restaurada em todo o país após uma semana de protestos apoiados pelo imperialismo, observando que a cooperação pública com as forças de segurança enterrou o que chamou de “o último prego no caixão do terrorismo”. Apesar de novos apelos vindos do exterior instando motins, nenhuma aglomeração foi registrada. “Pela graça de Deus e com a presença consciente do povo, o último prego foi cravado no caixão do terrorismo”, declarou o Brigadeiro-General Ahmadreza Radan.

Radan referia-se às manifestações nacionais realizadas na segunda-feira (12) em apoio ao governo islâmico e em repúdio aos atos de violência. Segundo ele, a cooperação entre a população e os agentes de segurança foi o “segredo desta vitória”.

As manifestações iniciais foram motivadas pela volatilidade da moeda e pela inflação crescente, ligadas às sanções dos Estados Unidos e da Europa. No entanto, autoridades afirmam que a situação mudou em 8 de janeiro, quando o que eram protestos econômicos pacíficos foi “sequestrado” por grupos organizados.

Sabotadores armados atacaram propriedades públicas, bancos e mesquitas, resultando na morte de agentes de segurança e civis. O governo iraniano afirma ter provas de que grupos estrangeiros distribuíram armas e direcionaram ataques, responsabilizando diretamente “Israel” e os Estados Unidos pela violência. O General Amir Hatami reforçou que as forças estão prontas para neutralizar planos das “potências arrogantes”.

As autoridades detalharam uma série de prisões em diversas províncias nas últimas 24 horas:

  • Cinco membros de uma célula de sabotadores foram presos em Marvdasht, suspeitos do assassinato de três agentes de segurança. Armas e munições de uso militar foram apreendidas.
  • Seis figuras-chave ligadas aos protestos foram detidas. Dois deles são acusados de filmar locais militares sensíveis para enviar coordenadas a serviços de inteligência ligados a “Israel”.
  • Dez pessoas, incluindo duas mulheres, foram presas em esconderijos onde foram encontrados 65 coquetéis Molotov e granadas caseiras.
  • Um homem que circulou vídeos ameaçando os residentes de morte foi detido em uma operação surpresa em Gonbad-e Kavus.

O Ministro da Defesa, Aziz Nasirzadeh, afirmou que o Irã possui “inteligência precisa” mostrando que EUA e “Israel” orquestraram os motins para tentar fragmentar o país. Segundo o ministro, havia inclusive uma tabela de preços fixada para atos de violência. Um indivíduo teria sido preso após receber cerca de US$6.000 para realizar ataques. O Judiciário alertou que não haverá “nenhuma clemência” com os envolvidos em “terrorismo” e vandalismo.

A reação espetacular das massas iranianas afastaram, ainda que temporariamente, as ameaças do governo norte-americano de agressão ao país.

Apoiado por uma mobilização gigantesca, as autoridades iranianas declararam que qualquer ataque levaria a retaliações contra as bases norte-americanas no Oriente Médio. Segundo uma matéria da agência britânica Reuters, a República Islâmica teria informado a países da região, da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos até a Turquia, que bases dos Estados Unidos nesses países serão atacadas. No ano passado, o Irã atacou uma base no Catar, em reação a um ataque norte-americano contra seu território, demonstrando sua grande capacidade militar.

Segundo o jornal paquistanês Dawn, com base em declarações do embaixador do Irã no Paquistão, Reza Amiri Moghadam, o presidente norte-americano Donald Trump teria dito que não tem mais planos de atacar o país neste momento. Ao mesmo tempo, Trump, contrariando as informações maliciosas divulgadas pela grande imprensa, afirmou que o regime iraniano não iria executar manifestantes, indicando um recuo da agressividade imperialista.

O último grande episódio de tensão ocorreu entre a noite do dia 14 e a manhã do dia 15 de janeiro. Naquele momento, o Irã fechou preventivamente seu espaço aéreo para a maioria dos voos. As restrições aplicavam-se a todos os voos comerciais sem “aprovação prévia” da Organização de Aviação Civil do Irã (CAO). O FlightRadar, um serviço online de rastreamento de voos, mostrou apenas três aeronaves sobre o Irã às 6h05, horário local, com dezenas de aviões contornando as fronteiras do país. O espaço aéreo do Irã foi reaberto por volta das 7h00.

As restrições ocorreram em meio a ameaças anteriores de Trump de atacar o Irã por causa da calúnia de que o regime estaria reprimindo o seu próprio povo.

Na quarta-feira (14), os Estados Unidos e o Reino Unido retiraram parte de seu pessoal militar da Base Aérea de Al Udeid, no Catar, depois que uma alta autoridade iraniana afirmou que o Irã havia alertado que atacaria as forças norte-americanas na região do Oriente Médio caso Trump decidisse pelo ataque.

Segundo artigo do Wall Street Journal, países árabes ao longo do Golfo Pérsico instaram os Estados Unidos a se absterem de qualquer ação militar contra o Irã, alertando que um ataque poderia desestabilizar a região e desencadear uma ampla crise econômica e política.

Esta posição, por sua vez, também é resultado da mobilização revolucionária das massas iranianas. As ditaduras árabes temem que uma ação militar norte-americana seja a faísca para que a região inteira convulsione em protestos massivos como os vistos no Irã contra a ofensiva imperialista.

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