Durante a noite desta quarta-feira (18) e a madrugada desta quinta-feira (19), de acordo com o fuso-horário local, a República Islâmica do Irã cumpriu sua promessa e bombardeou a infraestrutura energética dos países aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio.
Os ataques são uma retaliação legítima ao bombardeio criminoso israelense do campo de gás de South Pars, local responsável pela produção de mais de 70% do gás natural iraniano.
Ainda que estivesse em seu pleno direito de reagir, o Irã, ao contrário do Estado de “Israel”, avisou, com bastante antecedência, os locais onde iria atacar, alertando a população local que não se aproximasse das instalações.
A mera publicação da lista de alvos do Irã fez com que o preço do petróleo subisse US$6 dólares, chegando a US$110.
Por volta das 21h (horário local), o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) anunciou a destruição do depósito de combustível de caças norte-americanos, localizado em uma refinaria na cidade de Riade, na Arábia Saudita. O depósito servia para abastecer os caças da Força Aérea dos EUA na base Prince Sultan, de onde atacavam o Irã.
Cerca de trinta minutos depois, foi relatado um incêndio na refinaria de Ras Laffan, no Catar. Esta é a maior exportadora de gás natural de todo o mundo.
Enquanto os ataques aconteciam, mísseis iranianos e do partido libanês Hesbolá atingiram territórios palestinos ocupados por “Israel”. O Hesbolá disparou um míssil com alcance de 200 quilômetros, atingindo assentamentos perto de Gaza — o mais longo disparo de sua história.
A resistência iraquiana também levou adiante ataques nas instalações norte-americanas do país.
Por volta da meia-noite, o CGRI emitiu um comunicado, no qual dizia:
“O Irã não queria expandir a guerra para instalações de petróleo de países vizinhos, mas a agressão do inimigo contra nossa infraestrutura de energia nos forçou a atacar ativos vinculados aos EUA. Se repetirem, os próximos ataques não pararão até a destruição total.”
O mesmo comunicado ainda diz aos invasores:
“Invasores americano-sionistas! Mais uma vez avisamos que cometeram um grande erro ao atacar as infraestruturas energéticas da República Islâmica, cuja resposta está em andamento. Se isso se repetir, os próximos ataques às suas infraestruturas energéticas e às de seus aliados não cessarão até a destruição completa, e nossa resposta será muito mais severa do que os ataques desta noite.”
Em outro comunicado, o CGRI afirmou ter atingido 80 alvos norte-americanos na região, sendo os principais:
Arábia Saudita:
- Riade (reservas de combustível dos caças americanos)
- Porto de Al Jubail
- Refinaria Aramco
- Subúrbio de Jidá
- Perto do aeroporto de Taif (alvo militar)
- Refinaria de Yanbu (Mar Vermelho)
Barém
- Acerto bem-sucedido na ponte Rei Fahd (conexão entre Arábia Saudita e Barém)
- Instalações de GNL nos arredores da ponte entre Barém e Arábia Saudita
Catar:
- Ras Laffan (a instalação de gás mais importante do Catar)
Emirados Árabes Unidos:
- Instalações de gás Habshan
- Campo petrolífero Bab
Territórios Ocupados por “Israel”:
- Telavive
- Kiryat Motzkin
- Haifa
- Gush Dan
- Ramat Gan
- Bat Yam
- Kiryat Shmona
- Faixa de Gaza
- Karmiel
Iraque:
- Victoria (sistema de defesa aérea C-RAM)
Líbia:
- Ataque às linhas de gás que transportam gás para a Europa na Líbia (estrada Samamat Al-Marhan_Hamada)
Na madrugada desta quinta-feira (19), de acordo com o horário local, o Catar reconheceu que os ataques de mísseis iranianos contra a Cidade Industrial de Ras Laffan, a principal instalação de gás do país, causaram “danos significativos”.
“O Estado do Catar expressa sua forte condenação e denúncia ao flagrante ataque iraniano visando a Cidade Industrial de Ras Laffan, que provocou incêndios resultando em danos significativos à instalação”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores do Catar em um comunicado na quarta-feira.
O Ministério do Interior do Catar disse que um incêndio no local foi preliminarmente controlado e que nenhum ferimento foi relatado.
“Todos os funcionários foram localizados e nenhuma fatalidade foi relatada até o momento”, disse a QatarEnergy, a maior produtora de gás natural liquefeito (GNL) do mundo.
Em um comunicado posterior, a QatarEnergy afirmou que diversas outras instalações de GNL também foram atacadas, “causando incêndios consideráveis e extensos danos adicionais”.
Os anúncios ocorreram horas após o Irã atacar instalações de petróleo e gás em toda a região do Golfo, em retaliação a um ataque israelense ao seu campo de gás South Pars.
O aviso de ataques do Irã foi direcionado ao complexo petroquímico de Mesaieed, à Mesaieed Holding Company e à refinaria de Ras Laffan, no Catar; à refinaria Samref e ao complexo petroquímico de Jubail, na Arábia Saudita; e ao campo de gás Al Hosn, nos Emirados Árabes Unidos.
O Ministério das Relações Exteriores do Catar declarou os adidos militares e de segurança da embaixada iraniana como “persona non grata”, juntamente com suas equipes. O ministério exigiu que eles deixassem o Catar dentro de 24 horas, acrescentando que a decisão foi resultado dos ataques repetidos do Irã.
Em 2 de março, o Catar já havia suspendido a produção de GNL após um ataque à instalação de Ras Laffan, bem como a um tanque de água em uma usina de energia na Cidade Industrial de Mesaieed.
O complexo de Ras Laffan, localizado a 80 km a nordeste de Doha, é a maior instalação de produção de GNL do mundo e produz cerca de 20% do fornecimento global de GNL, desempenhando um papel importante no equilíbrio da demanda pelo combustível nos mercados asiático e europeu.
“É nisso que a riqueza do Catar se baseia”, disse Victoria Gatenby, da emissora catariana Al Jazeera.
O ataque a Ras Laffan ocorre no momento em que a Arábia Saudita planejava sediar uma reunião de ministros das Relações Exteriores de países árabes e de maioria muçulmana para discutir uma saída para a guerra.
Em uma publicação nas redes sociais, o acadêmico norte-americano-iraniano Mohammad Marandi sugeriu que o fracasso inicial dos Estados Unidos havia levado a uma transferência de comando da guerra:
Considerando o fracasso de Trump em reabrir o Estreito de Ormuz e o controle inteligente do Irã sobre o Estreito de Ormuz, que ainda não utilizou totalmente suas capacidades militares, e o contínuo aumento do preço do petróleo, desde o início desta semana o comando do ataque contra nós foi transferido dos EUA para Israel, e as forças americanas estão agindo conforme o plano de Israel.
Nesta mudança de comando do ataque, o foco tem sido o assassinato de personalidades e figuras principais do regime, o ataque às infraestruturas energéticas e vitais, e o ataque a postos de controle.
Outra parte desta operação, na noite de quarta-feira do último ano, contou com múltiplas convocações de Netanyahu e Pahlavi para revoltas nas ruas, que, com a ampla presença do povo, fracassaram efetivamente.
Imperialismo recua
Enquanto o jornal Wall Street Journal, citando autoridades norte-americanas, afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria dado “sinal verde” para o ataque de “Israel” ao campo de gás de South Pars, Trump afirmou que não foi consultado sobre o ataque. Independentemente do que tenha acontecido, o fato de Trump fazer questão de se desvincular do ataque mostra que a rápida ação iraniana desmoralizou o ataque criminoso sionista.
O presidente dos EUA também prometeu que não permitiria que “Israel” voltasse a atacar a infraestrutura de energia do Irã. A declaração foi celebrada pelo CGRI:
“Uma grande lição dos heróis iranianos aos EUA e ‘Israel’
Após a resposta esmagadora das Forças Armadas do Irã à agressão militar criminosa de Israel contra as instalações de gás de Pars South, Trump anunciou que Israel não atacará mais a região.
Ele também alegou que os Estados Unidos não estavam cientes do ataque israelense ao Pars South!
Isso ocorre apesar de, anteriormente, a mídia americano-israelense ter admitido que o ataque de Israel ao Pars South foi realizado com a coordenação e o conhecimento dos EUA.
Após este crime israelense-norte-americano, as Forças Armadas do Irã cumpriram sua ameaça anterior com um ataque contundente a instalações de petróleo e gás na região do Golfo Pérsico nas quais os americanos possuem participação acionária, dando uma grande lição a Trump e a Israel.
Durante sua resposta, o Irã atacou as instalações de Ras Laffan, no Catar. Além disso, alguns relatórios indicaram ataques a interesses dos EUA na Arábia Saudita.
O Irã também enfatizou que responderá a qualquer ataque às suas infraestruturas com um grande ataque às infraestruturas do inimigo, e que qualquer ataque às suas instalações petrolíferas, refinarias e de gás será respondido com um ataque ainda maior aos interesses do inimigo no mesmo setor.”





