Negociações de cessar-fogo

Irã chega ao Paquistão com desconfiança total

As autoridades iranianas já deixaram claro: não se pode confiar em uma única palavra dita pelo imperialismo ou por seu cão de guarda, o Estado de "Israel"

A chegada da delegação de alto nível do Irã a Islamabad, no Paquistão, nesta sexta-feira (10), marca um momento decisivo na crise aberta pela agressão imperialista e sionista no Oriente Médio. Liderada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, a representação iraniana sentou-se à mesa de negociações como uma força que expôs a falência da máquina de guerra dos EUA e da entidade sionista.

O governo de Donald Trump, após o fracasso retumbante em vergar a resistência persa através da força, foi forçado a aceitar a proposta iraniana de 10 pontos como “base viável” para um acordo. No entanto, o início das conversas ocorre sob a sombra da tradicional perfídia imperialista: enquanto as diplomacias se movem, “Israel” intensifica o massacre no Líbano, desafiando abertamente os termos do cessar-fogo.

As autoridades iranianas já deixaram claro: não se pode confiar em uma única palavra dita pelo imperialismo ou por seu cão de guarda, o Estado de “Israel”. Na última quarta-feira (8), apenas um dia após o anúncio da trégua, a entidade sionista lançou uma onda de ataques brutais contra o Líbano, assassinando mais de 300 pessoas em apenas dez minutos.

O governo iraniano, através de seu porta-voz Esmail Baghaei, já alertou que as negociações perderão o sentido se os termos não forem respeitados em todas as frentes. O Irã exige que o Líbano seja incluído formalmente no cessar-fogo, algo que o primeiro-ministro Benjamin Netaniahu, com o aval tácito de setores do governo Trump, tenta excluir para manter sua política de extermínio.

A resistência libanesa, por sua vez, mantém-se firme. O Xeque Naim Qassem foi categórico: o exército israelense, mesmo mobilizando 100.000 soldados, não conseguiu atingir seus objetivos e será enterrado no solo libanês.

Um dos pontos centrais da negociação é o Estreito de Ormuz. O Irã, exercendo seu direito soberano de autodefesa, impôs um novo regime de trânsito no Golfo Pérsico. Segundo fontes ligadas ao Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (CGRI), o fluxo foi reduzido para menos de 15 navios por dia, todos sujeitos à aprovação e protocolos rígidos do Irã.

Mais do que isso: A República Islâmica estabeleceu uma taxa de soberania de US$1 por barril de petróleo transportado, uma medida que atinge diretamente o coração financeiro do mercado capitalista mundial.

A delegação em Islamabad carrega diretrizes rígidas. O deputado iraniano Ahmad Naderi afirmou que “não haverá negociações se os Estados Unidos e a entidade sionista continuarem violando o acordo”. Os pontos inegociáveis são:

  • Cessar-fogo total, incluindo o Líbano;
  • Fim das violações do espaço aéreo
  • Reconhecimento do direito ao enriquecimento de urânio, rejeitando qualquer “inspeção” que sirva apenas como espionagem imperialista;
  • Descongelamento imediato dos ativos iranianos no exterior.

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