Guerra no Oriente Próximo

Irã bombardeia dois navios que tentaram furar bloqueio em Ormuz

CGRI atacou duas embarcações após desobediência a advertências e reafirmou que navios ligados aos EUA e a “Israel” são alvos legítimos

A Marinha do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) atacou nesta quarta-feira (11) duas embarcações comerciais que tentaram atravessar o Estreito de Ormuz sem a autorização exigida pelo Irã. De acordo com comunicado do próprio CGRI, os navios desobedeceram repetidas advertências emitidas pelas forças navais iranianas e insistiram em seguir pela rota estratégica.

As embarcações foram identificadas, nos informes divulgados pelo CGRI, como Express Room, descrita como pertencente ao regime sionista e registrada sob bandeira da Libéria, e o cargueiro Mayuree Naree. Em outra manifestação oficial, o comandante da força naval do CGRI, contra-almirante Alireza Tangsiri, referiu-se ao primeiro navio como Express Rome. Nos dois casos, as autoridades iranianas relataram que as embarcações ignoraram os avisos e tentaram cruzar Ormuz sem autorização.

Em mensagem publicada na quarta-feira, Tangsiri afirmou que qualquer navio que pretenda passar pelo estreito deve obter aprovação iraniana. Ao comentar as promessas norte-americanas de proteger o trânsito marítimo, o comandante declarou que as tripulações do Express Rome e do Mayuree Naree poderiam responder sobre o valor dessas garantias, pois confiaram em promessas vazias, ignoraram as advertências e acabaram sendo atingidas.

O CGRI afirmou que o Estreito de Ormuz está sob controle das forças navais iranianas e declarou que os agressores norte-americanos e seus parceiros não têm direito de atravessar a passagem. O porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya também afirmou que o Irã não permitirá a passagem de “nem um único litro de petróleo” pelo estreito em benefício dos Estados Unidos e de seus aliados.

Na mesma declaração, o porta-voz acrescentou que qualquer embarcação, ou mesmo qualquer carga de petróleo pertencente aos Estados Unidos, ao regime sionista ou a parceiros hostis desses dois países, passou a ser considerada alvo legítimo das Forças Armadas iranianas. As autoridades iranianas afirmaram, por outro lado, que embarcações que não sirvam aos interesses dos EUA e de “Israel” podem atravessar Ormuz com segurança.

As restrições impostas pelo Irã foram ampliadas em meio à guerra aberta após a agressão lançada pelos Estados Unidos e por “Israel” em 28 de fevereiro, ataque que assassinou o Líder da Revolução Islâmica, aiatolá Saied Ali Khamenei. Desde o início da guerra, o tráfego pelo estreito, responsável por cerca de 20% do petróleo transportado no mundo, caiu de uma média de 76 petroleiros por dia para apenas algumas travessias, com dias em que não houve nenhuma passagem.

A redução do fluxo elevou o preço internacional do petróleo para mais de US$113 por barril e aumentou os temores de interrupção prolongada do fornecimento mundial. Mesmo diante disso, os Estados Unidos não colocaram em prática a promessa de escoltar navios comerciais pela região. Segundo a Reuters, a Marinha norte-americana informou a representantes dos setores naval e petrolífero que não tem condições de oferecer escolta militar “por enquanto”, devido ao alto risco de ataques.

A incapacidade norte-americana também foi apontada por analistas ouvidos em publicações internacionais. Uma análise da The Economist advertiu que o uso de navios de guerra para escoltar petroleiros pode oferecer ao Irã alvos militares norte-americanos de alto valor. Especialistas militares também destacaram que o Irã possui um dos arsenais antinavio mais avançados da região, com mísseis como o Abu Mahdi, de alcance superior a mil quilômetros, o Nasir, de curto alcance, e mísseis balísticos adaptados para guerra naval, como Zulfaqar e Qiam.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã responsabilizou diretamente os Estados Unidos pela crise no tráfego marítimo no Golfo Pérsico. A chancelaria declarou que a insegurança e os problemas na navegação decorrem das ações agressivas e desestabilizadoras de Washington. As autoridades iranianas sustentaram que as medidas adotadas em Ormuz fazem parte da resposta defensiva do país diante da agressão norte-americana e sionista.

Apesar da queda no transporte de petróleo das demais potências do Golfo, o Irã informou ter mantido e até ampliado parte de suas exportações. Reportagem do Wall Street Journal publicada na quarta-feira relatou que o país carregou, em média, 2,1 milhões de barris por dia, acima dos dois milhões exportados em fevereiro. Com base em dados da empresa Kpler, o jornal afirmou que sete petroleiros carregaram petróleo na costa iraniana desde 28 de fevereiro e que pelo menos dois dos carregamentos mais recentes já deixaram o Golfo Pérsico.

O ataque aos dois navios em Ormuz ocorreu no mesmo momento em que o Irã ampliava suas operações militares em toda a região. O CGRI informou que a 39ª onda da Operação Promessa Cumprida 4 atingiu posições militares dos Estados Unidos no Golfo com mísseis balísticos Qadr, Khorramshahr e Emad. Segundo o comunicado, bases norte-americanas na região foram destruídas nessa etapa da operação.

Ainda de acordo com o CGRI, a 38ª onda da ofensiva retaliatória incluiu dois ataques simultâneos à base norte-americana de helicópteros de Al-Udairi, no Cuaite. O informe afirmou que um grande número de soldados dos EUA foi morto e que mais de 100 militares ficaram feridos, sendo levados para os hospitais Jaber e Al-Mubarak, na Cidade do Cuaite.

O mesmo comunicado informou ataques com mísseis e VANTs contra estruturas navais dos Estados Unidos no porto de Mina Salman, no Barém, onde está instalada a Quinta Frota, incluindo o sistema principal LIDS. Também foram relatados bombardeios contra posições de mísseis Patriot, depósitos de equipamentos e centros de alojamento e concentração de tropas na Base Naval Mohammed Al-Ahmad e na Base Aérea Ali Al-Salem. No balanço divulgado, o CGRI afirmou que a 38ª onda eliminou o restante da presença militar norte-americana na região.

Na frente de guerra aberta contra “Israel”, o Exército iraniano informou que realizou ataques com VANTs ao amanhecer contra vários alvos militares e de inteligência da ocupação. Entre os pontos atingidos, as Forças Armadas do Irã citaram a organização de inteligência militar Aman, a unidade 8200, o radar Green Pine e o prédio do quartel-general de submarinos na base naval de Haifa.

Segundo o comunicado iraniano, o radar Green Pine, um dos principais pilares da rede de defesa antimísseis da ocupação, sofreu danos extensos, o que reduziu a capacidade de interceptação dos mísseis iranianos. A televisão estatal do Irã informou ainda que pelo menos 104 VANTs norte-americanos e sionistas foram abatidos sobre Teerã.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou em entrevista à Al Mayadeen que o país respondeu “com toda a força e prontidão” à agressão, utilizando capacidades desenvolvidas internamente. Baghaei declarou que o Irã conseguiu atingir alvos na Palestina ocupada e instalações usadas pelos Estados Unidos em países da região. Segundo ele, há ampla informação indicando que os objetivos foram atingidos com precisão e que o banco de alvos do país é atualizado diariamente.

O chanceler Abbas Araghchi também afirmou que as operações iranianas prosseguem. Em mensagem publicada na quarta-feira, declarou que Benjamin Netaniahu tenta impedir a população de ver os efeitos dos ataques e afirmou que os informes vindos do terreno relatam destruição provocada pelos mísseis iranianos, liderança em pânico e sistemas de defesa aérea desorganizados. Araghchi acrescentou que as ações militares não terminaram e afirmou: “estamos apenas começando”.

Do lado da ocupação, novas restrições foram impostas à cobertura jornalística dos ataques. Segundo a France 24, as forças de “Israel” proibiram transmissões ao vivo do horizonte das cidades quando soam alarmes de mísseis ou VANTs. Também foi proibida a divulgação de imagens de interceptações aéreas e vetada a filmagem de impactos em instalações de segurança ou em suas imediações, embora a cobertura dos danos siga autorizada sem indicação precisa dos locais.

No plano político, a direção iraniana indicou que não busca apenas uma trégua formal. O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que a República Islâmica não procura um cessar-fogo e que os agressores devem receber uma resposta dura para que nunca mais ataquem o país. Segundo ele, “Israel” tenta sustentar sua posição por meio da sequência guerra, negociação, cessar-fogo e nova guerra, e o Irã pretende romper esse ciclo.

A porta-voz do governo iraniano, Fatemeh Mohajerani, declarou em entrevista coletiva que o Irã não iniciou a guerra, mas será quem a encerrará. Ela afirmou que qualquer mediação só poderá ser discutida se partir do princípio de impedir novas agressões. Mohajerani também declarou que a escolha de Saied Mojtaba Khamenei como terceiro Líder da Revolução e da República Islâmica fortaleceu a unidade nacional e frustrou os planos do inimigo.

Na mesma entrevista, Mohajerani afirmou que o Estreito de Ormuz é um recurso estratégico do Irã e que é natural concentrar todos os recursos disponíveis para sua defesa em tempo de guerra. Também declarou que a agressão norte-americana e sionista contra depósitos de petróleo provocou um problema ambiental em Teerã, mas que a escassez de combustível foi superada em 24 horas. Segundo ela, a guerra busca dividir o país e pilhar suas riquezas, atingindo a vida e o futuro de toda a população iraniana.

O porta-voz sênior das Forças Armadas iranianas, general Abolfazl Shekarchi, ampliou as advertências e afirmou que, se os Estados Unidos atacarem portos iranianos, todos os portos e centros econômicos dos países banhados pelo Golfo Pérsico passarão a ser considerados alvos legítimos. Shekarchi declarou que o Irã agiu com contenção ao limitar seus ataques, até agora, a bases e ativos militares dos EUA, mas advertiu que a operação poderá se expandir se Washington atingir infraestrutura do sul do país.

Shekarchi também rejeitou como falsa a alegação norte-americana de que navios militares iranianos estariam presos em docas e portos do sul. Segundo ele, as Forças Armadas iranianas permanecem em plena capacidade operacional e, se necessário, realizarão ações mais pesadas do que as executadas até agora.

Em meio à escalada militar, Teerã realizou nesta quarta-feira funerais de comandantes e civis assassinados nos ataques norte-americanos e sionistas. Correspondentes locais relataram grande mobilização popular na capital e em cidades como Safadasht, Yasuj, Natanz, Qom e Karkan. O cortejo reuniu entre 30 e 40 vítimas, entre chefes militares, integrantes das forças armadas e civis, incluindo duas irmãs, uma de sete anos e outra de dois meses.

Entre os comandantes homenageados estavam o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Abdolrahim Mousavi, o ministro da Defesa, Aziz Nasirzadeh, o comandante do CGRI, major-general Pakpour, e Ali Shamkhani, secretário do Conselho de Defesa do Irã. As cerimônias começaram com a recitação de versos do Alcorão e a execução do hino nacional, antes da saída do cortejo pelas ruas da capital.

As marchas também tiveram palavras de ordem contra os Estados Unidos e “Israel” e manifestações de apoio a Saied Mojtaba Khamenei. Em mensagem divulgada por ocasião dos funerais, o comandante do Exército iraniano, major-general Amir Hatami, afirmou que o povo se despede com orgulho de seus “comandantes mártires” e demonstrará ao inimigo que o caminho deles continuará com força. Segundo Hatami, o Irã defenderá sua soberania, sua honra e sua dignidade até o último suspiro.

No mesmo dia, a Força Quds do CGRI publicou uma nota em que prometeu intensificar a retaliação contra Washington e Telavive. O texto classificou a agressão em curso como violação do direito internacional e dos valores humanos, recordou o assassinato de Saied Ali Khamenei, de altos funcionários iranianos e de civis, e afirmou que isso fortaleceu a República Islâmica e o Eixo da Resistência.

“Abriremos sobre eles os portões de fogo”, declarou a Força Quds, acrescentando que os inimigos não terão segurança em nenhum lugar do mundo, “nem em suas próprias casas”. O comunicado também afirmou que o Irã e seus aliados manterão a luta até a derrota do inimigo e informou que já foram realizadas pelo menos 39 ondas de contra-ataques contra alvos estratégicos, incluindo Telavive, Al-Quds ocupada, Haifa, Beersheba e bases e interesses norte-americanos no Catar, no Cuaite e no Barém.

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