Oriente Próximo

Irã amplia operações de libertação da Palestina

No início da noite, uma nova onda de mísseis e VANTs do IRGC foi anunciada contra o “coração” dos territórios ocupados

Nesta terça-feira (3), os principais acontecimentos da guerra do Irã contra os Estados Unidos e “Israel” concentraram-se em dois eixos: de um lado, a ampliação da ofensiva iraniana — com ataques declarados contra centros de comando, radares e infraestrutura militar norte-americana no Golfo e novos disparos contra alvos no interior dos territórios ocupados; de outro, a continuidade dos bombardeios norte-americanos e “israelenses” contra cidades iranianas, com um rastro de mortes civis, ataques a unidades de saúde e destruição de bairros residenciais. O conjunto de fatos foi acompanhado, ao longo do dia, por uma escalada regional: o Hesbolá intensificou suas ações no Líbano e grupos aliados no Iraque divulgaram operações contra posições norte-americanas.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi afirmou que Marco Rubio “admitiu algo que todos sabem”, que os Estados Unidos “entraram na guerra por escolha própria em apoio a ‘Israel’”. Ele disse ainda que “nunca houve qualquer ameaça” do Irã contra os Estados Unidos e responsabilizou “os que acreditam no slogan ‘‘Israel’ primeiro’” pelo sangue derramado de norte-americanos e iranianos, acrescentando que “o povo norte-americano merece algo melhor e precisa retomar o seu país”.

A madrugada e a manhã foram dominadas pela intensificação do fogo iraniano no Golfo e por sucessivas notícias de impactos em áreas ocupadas, enquanto a República Islâmica informava novos episódios de interceptação e derrubada de veículos aéreos não tripulados (VANTs) inimigos. No início da noite, uma nova onda de mísseis e VANTs da Guarda Revolucionária (IRGC, na sigla em inglês) foi anunciada contra o “coração” dos territórios ocupados, com alegações de acerto em complexos militares estratégicos e aumento das baixas inimigas.

Operação Promessa Verdadeira 4 atinge o núcleo do aparato norte-americano no Barém

O fato militar mais destacado do dia foi atribuído pelo Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC) ao ataque ao Barém. Ainda nas primeiras horas da terça-feira (3), comunicados do IRGC relataram que a 14ª onda da Operação Promessa Verdadeira 4, conduzida por sua força naval, atingia a base aérea norte-americana na região de Sheikh Isa, com uma combinação de 20 VANTs e 3 mísseis. A nota dizia que o “principal edifício de comando e quartel-general” do complexo teria sido destruído e que tanques de combustível foram incendiados, com colunas de fogo e fumaça visíveis.

Mais tarde, o IRGC voltou ao tema ao divulgar a 15ª onda da operação, afirmando ter atingido “10 pontos-chave e estratégicos” e “complexos de equipamentos” na mesma base, incluindo “o centro de comando e controle aéreo”, “tanques de combustível de aeronaves” e “a residência de comandantes norte-americanos de alto escalão”. O texto acrescentou que monitoramento de inteligência e satélite indicava a base “não operacional” e relatou fuga de militares norte-americanos, afirmando que “toda a infraestrutura” teria sido retirada de serviço.

Ao longo da terça-feira, a IRGC anunciou ataques a outros pontos do dispositivo norte-americano no Golfo. Entre eles, a Al-Udeid Air Base, no Catar — uma das principais instalações militares dos Estados Unidos na região. O Ministério da Defesa do Catar reconheceu que “um dos mísseis do Irã” atingiu a base.

No Cuaite, a embaixada dos Estados Unidos fechou as portas “por tempo indeterminado”, e diretrizes do Departamento de Estado foram enviadas para retirada de funcionários não essenciais e familiares na região.

Nos Emirados Árabes Unidos, os acontecimentos do dia combinaram duas frentes. De um lado, foram registrados impactos em Fujairah e em áreas econômicas sensíveis; de outro, um VANT do tipo Shahed atingiu o consulado norte-americano em Dubai, com imagens de incêndio. Ainda durante a madrugada, VANTs iranianos atingiram instalações ligadas à unidade de computação em nuvem da Amazon no país, com referência ao Project Nimbus — contrato de tecnologia firmado por empresas de tecnologia com “Israel”.

O Irã, por meio do Quartel-General Militar Khatam Al-Anbiya, declarou que seus ataques eram direcionados “exclusivamente” ao “regime sionista”, aos locais de posicionamento das forças norte-americanas e a “infraestrutura militar e de segurança” vinculada à agressão, alertando que sionistas e norte-americanos poderiam tentar atacar centros diplomáticos ou interesses de países islâmicos para “culpar falsamente” o Irã.

Enquanto o Golfo era atingido, autoridades e canais iranianos davam destaque a um segundo conjunto de feitos: o desempenho da defesa aérea. Um comunicado do Exército iraniano (Declaração nº 9) afirmou que, nas 24 horas anteriores, seis VANTs Hermes foram destruídos por sistemas da base conjunta de defesa aérea Khatam al-Anbiya em áreas como Isfahan, Qasr-e Shirin, Tabriz, Khuzestan e a região de Teerã. A mesma nota afirmou que, desde o início da guerra, 35 VANTs avançados do inimigo foram derrubados por forças de defesa terrestre, caças da Força Aérea e unidades do IRGC integradas à rede de defesa aérea.

Em outro registro, canais iranianos relataram a captura de um Hermes 900 “antes de missão ofensiva”, em condição preservada e “totalmente armado”, o que, se confirmado, representaria não apenas abatimento, mas a apreensão de tecnologia e inteligência do inimigo em tempo de guerra. Também houve menções a interceptação e destruição de um míssil de cruzeiro inimigo.

No final do dia, a agência Tasnim chegou a divulgar que um caça F-15 norte-americano teria sido derrubado por sistemas de defesa aérea do Exército iraniano.

A destruição de Telavive

A terça-feira também foi marcada pelos ataques aos territórios palestinos ocupados por “Israel”. Ao longo da manhã, foram divulgados impactos diretos em Petah Tikva, Telavive e Bnei Brak, além de sirenes em múltiplas localidades. Vídeos mostram incêndios em veículos e danos em bairros residenciais após a passagem de mísseis iranianos.

Um porta-voz do IRGC afirmou que as respostas “dos primeiros e segundos dias” teriam sido “mais fortes e mais esmagadoras” do que as “dos últimos dias da guerra de 12 dias”, acrescentando que os mísseis foram “atualizados”, “mais avançados” do que os usados em operações anteriores e que a taxa de precisão estaria “extraordinária” e “além dos cálculos do inimigo”.

Ao cair da noite, o IRGC anunciou o início da 16ª onda da Operação Promessa Verdadeira 4 “contra o coração” dos territórios ocupados, com o código “Ya Ali ibn Abi Talib”, mencionando uso de “um número massivo” de mísseis e VANTs pela força aeroespacial. Em comunicado posterior (Declaração nº 17), o IRGC afirmou que a 16ª onda atingiu a sede do Estado-Maior e do Ministério da Guerra em “HaKirya”, infraestrutura em Bnei Brak, alvos militares em Petah Tikva e um centro militar na Galileia Ocidental. A mesma nota sustentou que as baixas inimigas, até o quarto dia, teriam superado “680 mortos e feridos”.

Guerra no mar: navio de guerra norte-americano atingido no Oceano Índico

Outro ponto alto do dia foi o anúncio, por canais iranianos, de uma ação marítima a grande distância. Uma nota do IRGC (Declaração nº 19) afirmou que um destróier norte-americano, enquanto reabastecia a partir de um navio-tanque militar dos EUA, a cerca de 650 km da costa iraniana, no Oceano Índico, foi atingido por mísseis “Qadr 380” e “Tala’iyeh”. O texto dizia que houve “incêndio massivo” no convés das duas embarcações, com o “céu escurecendo” sobre o oceano.

Os reflexos econômicos e logísticos do fechamento do Estreito de Ormuz apareceram de forma ainda mais nítida na terça-feira. A QatarEnergy suspendeu a produção de petroquímicos e, no dia anterior, já informava parada na produção de gás natural liquefeito, com impacto estimado em cerca de 20% da oferta global de LNG. Companhias de seguro também cancelaram a cobertura de guerra para navegação no Estreito de Hormuz.

Em paralelo, dados de rastreamento de navegação indicaram queda brusca na passagem por Hormuz e por Bab al-Mandab, com aumento de tráfego pelo Cabo da Boa Esperança, sinal clássico de desvio de rotas.

Iraque e Líbano

No terreno regional, a terça-feira foi marcada por comunicados e vídeos divulgados pela Resistência Islâmica no Iraque, que afirmavam ataques sucessivos contra instalações norte-americanas. Um vídeo atribuído às Brigadas Guardiãs do Sangue mostrou um ataque à base Victoria nas proximidades do aeroporto internacional de Bagdá, e outro material descreveu impacto em um hotel de Erbil utilizado por militares dos EUA.

Em declaração mais ampla, a Resistência no Iraque afirmou que, desde a madrugada até aquele momento, realizou 27 operações, usando “dezenas de VANTs e mísseis” contra bases do inimigo “no Iraque e na região”.

No fronte libanês, após bombardeios intensos atribuídos a “Israel” contra o subúrbio sul de Beirute (Dahieh) e contra infraestrutura civil e de imprensa — incluindo o prédio da Al-Manar TV e da Al-Nour Radio — o partido Hesbolá divulgou uma série de comunicados militares ao longo do dia. Nos textos, o partido afirmou que suas ações miravam alvos militares, “não como o inimigo, que atinge civis”.

As notas indicaram ataques com VANTs suicidas contra a base aérea de Ramat David e contra a base de vigilância aérea Meron, além de salvas de foguetes contra a base Nafah no Golã sírio ocupado e contra posições no norte da Palestina ocupada. Mais tarde, houve menções a bombardeio da base naval de Haifa com “mísseis especiais” e, no terreno, sucessivas ações anticarro contra tanques Merkava, com afirmações de “acertos diretos” e recuos do inimigo sob “cortina de fumaça”.

Massacre de civis e destruição de infraestrutura no Irã

Enquanto o Irã destacava os golpes no Golfo e os impactos nos territórios ocupados, as agências iranianas expuseram a monstruosidade do imperialismo e do sionismo. O Crescente Vermelho informou que o número de mortos subia a 787, que 153 cidades foram afetadas, com 504 locais atingidos em 1.039 ataques documentados, e que operações de busca, remoção de escombros e atendimento médico seguiam em curso.

O episódio mais chocante continuou sendo o ataque à escola em Minab, na província de Hormozgan. Ao longo do dia, apareceram também notícias sobre ataques a bairros residenciais em Teerã, a hospitais e a centros de saúde, com a repetição do padrão de sempre: alvos civis sob o pretexto de “operações militares”.

O IRGC, em nota política, afirmou que, “contrariando as falsas alegações e propaganda” de que miravam centros militares iranianos, os agressores realizaram “ataques covardes” contra “escolas, hospitais, estádios, restaurantes e salões de casamento” para espalhar terror, e advertiu que “nenhum desses crimes e massacres dos oprimidos ficará sem resposta”, sinalizando que a guerra “será perseguida em níveis e camadas mais profundos”.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.