Denuncio uma falsificação política praticada por um produtor de conteúdo digital marroquino radicado no Brasil. Ele esteve no ato nacional convocado pelo Partido da Causa Operária (PCO) em defesa da Venezuela, tirou uma foto no local e, dias depois, publicou a imagem no Facebook tentando atribuir à manifestação um conteúdo que não existiu: apresentar o ato como se fosse contra o aiatolá Ali Khamenei.
O registro é do ato realizado no domingo, 11 de janeiro de 2026, em São Paulo. A concentração ocorreu na Praça Oswaldo Cruz, no início da Avenida Paulista, com início previsto para 10 horas, e por volta de 11h30 teve início a marcha pela avenida até o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), onde a atividade foi encerrada. O ponto central da mobilização foi a solidariedade à Venezuela e a exigência da liberdade imediata de Nicolás Maduro e de Cilia Flores. Ao longo do trajeto, a Bateria Zumbi dos Palmares puxou palavras de ordem como “Maduro, amigo, o povo está contigo”. Entre bandeiras e cartazes, também apareceram referências à luta anti-imperialista, com menções a mártires como o general Qasem Soleimani e a dirigentes como o aiatolá Ali Khamenei, em apoio ao conjunto dos povos oprimidos que enfrentam o imperialismo.
Em 15 de janeiro de 2026, o mesmo indivíduo publicou a foto no Facebook com a frase: “النضال مع الشعب الإيراني ضد النظام الخميني المتطرف”. A tradução é direta: “a luta com o povo iraniano contra o regime extremista de Khamenei”. O autor aparece na rede social como Mismar Al-Brazil. A legenda não descreve a manifestação registrada; ela altera o sentido do ato, buscando transformá-lo em algo que não ocorreu nas ruas.
Cabe ressaltar que a foto usada por Mismar Al-Brazil foi tirada no mesmo dia em que um pequeno grupo pró-monarquia iraniana, com bandeiras e imagens de Reza Pahlavi, atacou a marcha no final do trajeto, em frente ao Masp. O confronto foi provocado por esse grupo minoritário, e a intervenção policial ocorreu para protegê-lo, com repressão aos manifestantes do ato por meio de gás lacrimogêneo e cacetetes, segundo relatos colhidos no local por este Diário. A legenda “anti-Khamenei” que ele escolheu para sua publicação coincide, politicamente, com a ação desses provocadores.
Esse tipo de operação tem lado. O Irã é o principal organizador do Eixo da Resistência no Oriente Próximo e, por isso, o principal inimigo da entidade sionista. Quem se dedica a difundir propaganda contra a República Islâmica se coloca, na prática, ao lado de “‘Israel’”. No caso desse produtor marroquino, o alinhamento é coerente com sua defesa da monarquia do Marrocos, que oprime o povo marroquino e mantém relação estreita com “‘Israel’” e com seu serviço de inteligência. A falsificação do ato do PCO serve a esse campo político: o campo do sionismo, das monarquias reacionárias e do imperialismo.





