O texto publicado pela Corrente Revolução Permanente (MRT/CRP-QI) no dia 20 de janeiro, intitulado Abaixo a brutal repressão às manifestações no Irã!, é um exemplo acabado de como a esquerda pequeno-burguesa, sob o pretexto de defender a “independência de classe”, acaba se tornando um papagaio da propaganda imperialista. Enquanto a República Islâmica do Irã enfrenta a maior ameaça de agressão militar das últimas décadas, o MRT prefere atacar o regime que lidera a resistência nacional.
O MRT abre sua declaração com uma fraseologia típica de quem não quer tomar partido no mundo real: “Contra as ameaças imperialistas, por uma saída independente”. Essa é a famosa política do “nem-nem”. Na prática, quando você se nega a defender o Estado agredido (Irã) contra o agressor (EUA/”Israel”), você está trabalhando para o agressor.
O texto afirma que o regime iraniano usa a repressão para “preservar o domínio clerical”. O MRT finge não ver que o que está em jogo não é a religião, mas a soberania energética e territorial do país.
O MRT cita que os protestos incluem “estudantes, mulheres e minorias étnicas”. Mas, ao longo de todo o texto, eles dão um salto mortal para não admitir o óbvio: as bandeiras que dominam esses atos recentes são as de Reza Pahlavi, o filho do antigo ditador sustentado pela CIA.
O texto do MRT diz que “correntes monárquicas tentam canalizar a ira”. Ora, elas não estão “tentando”; elas são a face visível desse movimento que o MRT chama de “rebelde”. Apoiar uma manifestação onde se pede a volta da monarquia pró-EUA sob o argumento de “luta popular” é uma falência intelectual completa. É o mesmo erro que cometeram no Brasil ao apoiar o “Fora Todos” em 2016, que resultou no fortalecimento da extrema direita.
O MRT escreve com uma certeza espantosa: “Estimativas indicam que ao menos 2.500 pessoas foram assassinadas”. De onde vêm esses dados? O texto não diz, mas qualquer observador atento sabe que esses números são fabricados por ONGs.
Eles citam a repressão como o principal problema, mas calam-se sobre os agentes infiltrados que assassinaram policiais e civis, destruíram hospitais e incendiaram ambulâncias. O governo iraniano revelou que mais de 3 mi pessoas foram assassinadas pelos agentes infiltrados do imperialismo nas manifestações. Para o MRT, se o vandalismo é contra um regime que desafia os EUA, ele é “revolucionário”.
A parte mais vergonhosa do texto é quando o MRT menciona o genocídio em Gaza, mas não consegue ligar os pontos. Eles chamam o Irã de “Estado burguês-clerical reacionário”. Se o regime é apenas isso, por que os EUA e “Israel” querem destruí-lo com tanta fúria?
O Irã é a base do chamado Eixo da Resistência. Sem o apoio desse regime “reacionário”, a resistência palestina não teria levado adiante a Operação Dilúvio de Al-Aqsa. Ao pregar a derrubada do regime iraniano “agora”, o MRT está, na prática, pedindo o desarmamento do Hamas e do Hesbolá.
O MRT conclui dizendo que a emancipação será obra da “auto-organização da classe trabalhadora”. Em meio a uma guerra imperialista, a “auto-organização” que ignora a defesa militar do país contra o invasor é uma fantasia suicida.





