Guerra no Oriente Próximo

Imprensa imperialista vaza detalhes da operação fracassada no Irã

Reportagem do NYT detalha como plano do Mossad para derrubar o Irã com bombardeios e revolta interna fracassou, conforme já era esperado, evidenciando erro estratégico da agressão

The New York Times entrevista funcionários do governo de “Israel” e descobre detalhes do plano fracassado de provocar uma rebelião popular no Irã em matéria publicada neste domingo. Quatro semanas após o início dos ataques conjuntos de Estados Unidos e “Israel” contra o Irã, o principal pilar da estratégia de guerra revelada pelo The New York Times ruiu de forma constrangedora, já que a aposta de que bombardeios em massa e assassinatos seletivos provocariam uma revolta capaz de derrubar a República Islâmica de dentro para fora.

O plano, vendido pelo diretor do Mossad, David Barnea, diretamente ao primeiro-ministro “israelense” Benjamin Netanyahu e, em seguida, à administração Trump, era claro: os ataques iniciais serviriam apenas como “detonador” para que as redes do Mossad dentro do Irã catalisassem motins e atos de rebelião em escala suficiente para ameaçar a sobrevivência do governo iraniano.

A promessa não se cumpriu. Além disso, o próprio aparato de inteligência americano e “israelense” já sabia, antes do primeiro míssil ser lançado, que a tese era frágil, segundo investigou a reportagem do The New York Times.

Segundo o extenso relato do jornal, nem a CIA, nem a AMAN (Divisão de Pesquisa de Inteligência Militar de “Israel”) acreditavam na possibilidade de uma revolta em massa enquanto o país estivesse sendo bombardeado. Comandantes militares dos EUA alertaram Trump pessoalmente: os iranianos não sairiam às ruas para protestar contra o próprio governo no meio de uma agressão externa. As avaliações de inteligência classificavam a chance de uma insurreição capaz de derrubar o regime como baixa. Os avisos, no entanto, foram ignorados.

Não era a primeira vez que o Mossad recebia esse alerta interno. O antecessor de Barnea, Yossi Cohen (diretor até 2021), havia reduzido ao mínimo os recursos destinados a fomentar revoltas dentro do Irã. Cohen afirmou em 2018 que sua equipe fez uma modelagem matemática estimando quantos iranianos precisariam ir às ruas para que os protestos ameaçassem realmente o regime e chegaram à conclusão, após comparar com todas as ondas de manifestações desde 1979, de que o número necessário não poderia ser atingido. A estratégia foi então mudada para uma guerra de atrito, por meio de sanções, assassinatos de cientistas e sabotagens, sem a pretensão ilusória de um colapso fabricado, mas a estimativa realista de pressionar por capitulações pontuais da parte do Irã.

Barnea reverteu essa linha institucional no último ano, apostando que os protestos de janeiro de 2026 sinalizavam as condições ideais para uma mudança de regime, conforme apresentou o plano para Netanyahu e este a Trump. 

Na ocasião dos protestos deste ano, o Mossad envolveu-se abertamente, tendo inclusive emitido publicação em sua conta oficial em persa no X, no dia 29 de dezembro, que afirmava atuar dentro dos protestos. O ex-secretário de Estado, Mike Pompeo, comemorou publicamente: “Feliz Ano Novo a todos os iranianos nas ruas. E também a todos os agentes do Mossad que caminham ao lado deles”.

A opção curda, outra frente do mesmo plano, também fracassou. “Israel” bombardeou o noroeste iraniano para abrir caminho a milícias curdas do norte do Iraque. Trump, uma semana depois, teve que recuar publicamente: “Não quero ver os curdos feridos ou mortos”. Turquia, Iraque e até líderes curdos iraquianos rejeitaram a aventura. A primeira-dama iraquiana Shanaz Ibrahim Ahmed foi direta: “Deixem os curdos em paz. Não somos pistoleiros de aluguel”.

Para Rui Costa Pimenta, presidente do Partido da Causa Operária (PCO), o fracasso não é uma simples falha operacional. É a demonstração concreta de um erro estratégico do próprio imperialismo.“o imperialismo cometeu um erro gravíssimo”, analisou Pimenta. 

O próprio Netanyahu, segundo o The New York Times, já estaria frustrado nos bastidores, cobrando do Mossad o cumprimento de promessas, que nunca foram realistas. Publicamente, ele ainda fala em “componentes terrestres” e diz que “é cedo demais” para avaliar. Contudo, o governo iraniano, continua de pé, ainda que “Israel” tente não se desmoralizar reivindicando que os ataques, ao menos, teriam enfraquecido o regime político, ignorando as manifestações massivas em defesa dele pelas massas persas. A revolta prometida não veio. E a guerra, vendida como “cirúrgica e libertadora”, revela-se cada vez mais como um gigantesco e sangrento blefe imperialista.

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