A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, recebeu em Brasília a Legião de Honra, a maior condecoração do Estado francês. Segundo a imprensa, a homenagem foi apresentada como um reconhecimento à sua atuação em “defesa do meio ambiente”.
A França, potência imperialista com interesses diretos na América do Sul, resolveu premiar justamente a ministra que se tornou o principal obstáculo político dentro do governo Lula à exploração de petróleo pela Petrobrás na Margem Equatorial. A área é considerada uma das novas fronteiras petrolíferas mais importantes do País, estendendo-se pelo litoral Norte e Nordeste, próxima às descobertas que transformaram a Guiana em um dos centros da indústria petrolífera mundial.
A Guiana, vizinha do Brasil e da Guiana Francesa, passou a ser tomada pelas grandes petroleiras após as descobertas de enormes reservas no litoral. O Suriname entrou na mesma rota. A Guiana Francesa, que não é um país independente, mas uma possessão francesa na América do Sul, garante à França uma presença direta nessa região. A França está instalada na Amazônia e no Atlântico, com fronteira terrestre com o Brasil e com interesse direto em tudo o que acontece na região.
É nesse cenário que Marina Silva é premiada. De um lado, a Petrobrás enfrenta entraves para avançar na Margem Equatorial. De outro, a França, por meio de sua posição colonial e de suas empresas, acompanha a corrida petrolífera nas Guianas. O petróleo que está do lado brasileiro vira “ameaça ambiental”.
O ambientalismo de Marina, nesse caso, serve a uma política muito concreta: impedir que o Brasil utilize suas próprias riquezas naturais de acordo com seus interesses nacionais. A disputa é entre o direito de um país atrasado explorar suas riquezas e a pressão das potências imperialistas para impedir seu desenvolvimento independente.
Nenhuma potência imperialista enriqueceu deixando seu petróleo no subsolo. A França, a Inglaterra, os Estados Unidos e os demais países ricos destruíram continentes, exploraram minas, queimaram carvão, petróleo e gás durante séculos e organizaram guerras para controlar fontes de energia em todo o mundo. Agora, quando um país como o Brasil quer explorar uma reserva sob controle de sua empresa estatal, aparecem as ONGs, os ambientalistas profissionais e os jornais dos grandes capitalistas para dar aula de responsabilidade.
A hipocrisia é completa. A França mantém uma colônia no continente sul-americano, mas posa de campeã ambiental. Suas grandes empresas participam da pilhagem mundial de petróleo e minérios, mas seu governo condecora uma ministra brasileira por travar a Petrobrás. Os países ricos continuam consumindo energia em escala gigantesca, mas exigem que o Brasil aceite permanecer subordinado, sem indústria forte, sem controle pleno de suas riquezas e sem capacidade de financiar seu próprio desenvolvimento.
O Brasil precisa fazer o contrário do que Marina defende. A Margem Equatorial deve ser explorada pela Petrobrás, sob controle nacional, com tecnologia brasileira, investimento público e benefício para a população. O petróleo é uma riqueza estratégica. Sem energia barata, sem indústria e sem controle dos recursos naturais, o País continuará dependente dos banqueiros, das multinacionais e dos governos imperialistas.
A defesa abstrata do “meio ambiente”, quando dirigida contra a Petrobrás e silenciada diante das grandes potências, não passa de uma política contra o Brasil. O verdadeiro ataque à Amazônia não vem do desenvolvimento nacional controlado pelo Estado brasileiro. Vem da pilhagem imperialista, da dominação colonial, das mineradoras, das grandes petroleiras estrangeiras e da submissão do País aos interesses externos.


