Na segunda-feira (9), as autoridades cubanas emitiram um NOTAM (aviso aeronáutico internacional) informando a suspensão do abastecimento com combustível Jet A-1 em aeroportos da ilha, especialmente no Aeroporto Internacional José Martí, em Havana. O aviso estará em vigor pelo menos até 11 de março.
A escassez levou companhias aéreas estrangeiras, principalmente do Canadá, a reduzirem voos, remanejar passageiros e permitir cancelamentos. O turismo, uma das principais fontes de recursos externos para a economia cubana, viu-se golpeado de forma imediata. Hotéis em polos turísticos como Varadero suspenderam operações e transferiram hóspedes. A rede espanhola Meliá anunciou o fechamento temporário de três unidades.
A origem da crise energética cubana é política: o bloqueio criminoso imposto pelos EUA, que já dura mais de 60 anos, vem sendo agravado por novas sanções e ameaças. Após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro no início de janeiro — episódio até agora envolto em silêncio e manipulação da grande imprensa —, Cuba perdeu seu principal fornecedor de petróleo.
Em seguida, o governo dos EUA, agora novamente nas mãos de Donald Trump, passou a ameaçar com tarifas todos os países que mantivessem relações energéticas com Cuba. O México, pressionado pelo governo norte-americano, suspendeu o envio de petróleo bruto — substituindo-o por ajuda humanitária em dois navios com alimentos e produtos de higiene.
Cuba está sendo cercada em múltiplas frentes, atacada em sua economia, sua soberania energética e até na circulação de turistas e voos internacionais, numa clara tentativa de desestabilizar o país e fomentar o descontentamento interno.
A falta de combustível para aviões é apenas a mais nova manifestação da situação crítica em que a ilha se encontra. Cuba vive atualmente a sua pior crise econômica desde o chamado “Período Especial”, nos anos 1990. A escassez atinge também alimentos, medicamentos, combustíveis domésticos e peças industriais. O Produto Interno Bruto (PIB) caiu 5% em 2025, somando uma retração de mais de 15% desde 2020.
A população enfrenta apagões recorrentes, inflação alta, longas filas para bens básicos e dificuldades de transporte. Diante da escassez de receitas, causada pela queda do turismo e pela interrupção das missões médicas internacionais, o governo cubano mantém o essencial funcionando com cortes drásticos, reorganização de prioridades e se apoiando em uma forte mobilização popular.
Com uma estrutura estatal ainda de base planificada, o país reorganiza internamente seus serviços para proteger setores estratégicos, como saúde e educação, e garantir segurança energética mínima.
Enquanto a imprensa capitalista segue atacando Cuba, tratando os efeitos do bloqueio como “crise do regime”, o verdadeiro responsável pelo sofrimento do povo cubano é varrido para debaixo do tapete: o imperialismo.
O bloqueio econômico dos EUA contra Cuba, que já dura mais de seis séculos, impede que um país soberano comercialize livremente, receba investimentos, compre remédios ou petróleo — e ainda por cima pune duramente quem se atreve a manter relações com a ilha.
O povo cubano, com décadas de experiência em enfrentar bloqueios, sabe que a crise atual não é demonstração da inviabilidade de um Estado Operário, mas sim resultado da sabotagem planejada por potências estrangeiras.
O regime cubano, mesmo em crise, ainda é capaz de garantir saúde pública gratuita, educação universal, baixos índices de violência e solidariedade internacional — algo impensável em países capitalistas mergulhados em desigualdade.





