O presidente norte-americano Donald Trump voltou a ameaçar o Irã com ação militar ao afirmar, na sexta-feira (23), que uma “grande frota” estaria “seguindo naquela direção”, em referência ao país persa. A declaração foi dada a repórteres a bordo do Air Force One, quando Trump disse que Washington acompanha “de perto” a situação e que “talvez não seja necessário usar” os navios, mas que eles estariam a caminho “por precaução”.
A escalada retoma uma sequência de ameaças feitas pelo governo norte-americano ao longo das últimas semanas. Trump chegou a afirmar aos manifestantes pró-imperialistas no Irã que “a ajuda está a caminho” e condicionou uma eventual agressão a suposto “uso de violência” por parte do Estado iraniano contra os protestos golpistas. No fim de semana anterior, o presidente havia indicado que teria “se convencido” a não atacar o Irã, mas voltou a elevar o tom ao falar novamente sobre deslocamentos militares.
Apesar de o Pentágono não ter confirmado oficialmente os movimentos descritos por Trump, relatos apontam que um grupo de porta-aviões liderado pelo USS Abraham Lincoln foi enviado ao Oriente Médio a partir do Mar do Sul da China. As embarcações estariam, no momento, no Oceano Índico.
Além do deslocamento naval, serviços de monitoramento de aviação e rastreamento de voos registraram a movimentação de aeronaves adicionais e de apoio, incluindo aviões-tanque, para bases norte-americanas na região. Esses reposicionamentos vêm sendo interpretados por analistas como indícios de preparação para uma ação militar contra Teerã.
Resposta do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica
A reação iraniana às ameaças de Washington foi expressa publicamente pelo vice-comandante do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC), general de brigada Ahmad Vahidi. Em fala no Congresso Nacional das 12.000 Unidades Ocidentais, realizado no sábado (24) na cidade de Urmia, no noroeste do Irã, Vahidi declarou que o país está “plenamente preparado” para responder a qualquer hostilidade.
“Assim como na guerra de 12 dias e na sedição recente, todos os planos do inimigo para derrotar o Irã islâmico fracassaram; estamos prontos para oferecer uma resposta que provoque arrependimento a qualquer ação imprudente dos inimigos jurados da nação iraniana”, afirmou o general.
Vahidi sustentou que, após reveses na ofensiva de 12 dias atribuída por Teerã aos Estados Unidos e a “Israel”, adversários do Irã teriam buscado “compensar” por meio do incentivo à instabilidade interna, mas teriam sido novamente derrotados, “devido à unidade nacional e à solidariedade popular”.
O general também disse que protestos econômicos esporádicos iniciados no fim de dezembro foraminfiltrados por elementos apoiados do exterior, com o objetivo de desviá-los para ações de desordem. Segundo ele, a inteligência iraniana confirmou o recebimento de apoio de serviços norte-americanos e israelenses, incluindo armamento e suporte logístico, o que levou as forças iranianas a prender “cabeças” do movimento e a apreender armas, inclusive carregamentos que teriam como destino Teerã.
Na mesma intervenção, Vahidi criticou potências estrangeiras por, ao mesmo tempo, afirmarem publicamente apoio à população iraniana e atuarem contra o país, citando sanções e episódios de violência durante os distúrbios. Para o dirigente do IRGC, o objetivo final de Washington e aliados é enfraquecer o Irã, romper a coesão interna e submeter o país a influência externa.




