As Forças Armadas do Iêmen declararam, na sexta-feira (27), que estão preparadas para uma intervenção militar direta caso sejam ultrapassadas determinadas “linhas vermelhas” na guerra travada pelos Estados Unidos e por “Israel” no Oriente Médio. A posição foi anunciada pelo porta-voz da instituição, general de brigada Yahya Saree, em pronunciamento divulgado pela rede libanesa Al Mayadeen.
Segundo Saree, a posição do Iêmen está ligada ao avanço da agressão norte-americana e sionista contra vários países da região, entre eles Irã, Palestina, Líbano e Iraque. No pronunciamento, ele apresentou a atuação iemenita como parte de uma luta regional mais ampla, em solidariedade ao Irã e às organizações do Eixo da Resistência.
O porta-voz exigiu a interrupção imediata da agressão dos Estados Unidos e de “Israel” contra os países da região, bem como o fim do bloqueio imposto ao Iêmen. Também defendeu a aplicação do acordo relativo a Gaza, especialmente nos pontos ligados à ajuda humanitária e aos direitos do povo palestino.
De acordo com o comunicado, as Forças Armadas do Iêmen consideram que os ataques contra o Irã e contra os países alinhados ao Eixo da Resistência constituem uma agressão “injusta”, “opressiva” e “não provocada”, além de ameaçarem a segurança regional, a estabilidade internacional e a própria economia mundial.
Foi nesse marco que Saree estabeleceu três condições que, se concretizadas, levarão a uma resposta militar mais ampla do Iêmen. A primeira delas é a formação ou participação de novas alianças ao lado dos Estados Unidos e de “Israel” em ações contra a República Islâmica do Irã e os países do Eixo da Resistência. A segunda é o uso do Mar Vermelho como plataforma de operações militares hostis dos Estados Unidos e de “Israel” contra o Irã ou qualquer outro país muçulmano. A terceira é a continuidade da escalada da agressão norte-americana e sionista contra o Irã e os países do Eixo da Resistência, de acordo com a evolução do campo de batalha.
Saree também advertiu contra qualquer endurecimento do bloqueio ao Iêmen. Segundo ele, novas medidas desse tipo serão recebidas com uma resposta firme. Ao mesmo tempo, reiterou que as operações iemenitas têm como alvo exclusivamente interesses norte-americanos e sionistas, e não países de maioria muçulmana nem populações civis.
A declaração foi acompanhada de outra, feita também na sexta-feira, pelo líder do Ansar Alá, Sayyed Abdul Malik al-Houthi. Ele afirmou que os Estados Unidos e “Israel” atuam conjuntamente em um “esquema sob o título de remodelar o Oriente Médio e estabelecer o chamado ‘Grande Israel’”, acrescentando que esse plano não se limita à Palestina, mas atinge toda a região, inclusive a Península Arábica.
Al-Houthi declarou ainda que o Iêmen “não é neutro”, mas se coloca ao lado do Islã e da nação islâmica em uma posição que descreveu como correta. Segundo ele, a posição do país faz parte da jihad contra o projeto sionista e contra os inimigos dos muçulmanos.
O dirigente iemenita afirmou que qualquer desdobramento que exija resposta militar encontrará o país em estado de plena prontidão, como já ocorreu em outras etapas do confronto. Também reiterou que a posição iemenita se dirige contra os Estados Unidos e “Israel”, sem hostilidade contra qualquer país muçulmano.
As declarações dos dirigentes iemenitas surgem em meio à ampliação da guerra regional e indicam que o Iêmen procura fixar, de forma pública, os limites a partir dos quais passará de suas operações já em curso a um envolvimento militar ainda mais direto no conflito.





