Polêmica

Identitarismo trans é inimigo das mulheres

O identitarismo, em vez de combater os bancos que roubam o dinheiro da saúde e matam mais de 25 mil mulheres por ano, preferem lutar contra o ‘patriarcado’

Purple Pill

Os identitários estão criando um verdadeiro clima de histeria em torno do feminicídio, e transformam a luta centenária das mulheres em uma guerra de homens contra mulheres. Isso fica muito evidente no artigo Feminicídio e “red pill”: a organização da misoginia na barbárie do capital, de Esther Tavares e Tamires Arantes, publicado no sítio Revista Movimento (ligado ao MES-PSOL) nesta terça-feira (17).

No olho do texto é dito que “o Brasil continua sendo um país perigoso para as mulheres. Todos os dias, mulheres são assassinadas, inclusive dentro de suas próprias casas, por homens que se julgam donos de suas vidas, seus corpos e suas escolhas”. Na verdade, o País também é perigoso para os homens, pois, em 2025, foram contabilizados 34 mil assassinatos, e 31 mil correspondem a homens – números arredondados. A violência é fruto da pobreza e das contradições sociais.

A mulher é vítima principalmente da violência doméstica. Por que será? Os homens odeiam as mulheres, ou o motivo é a falta de dinheiro, as péssimas condições de vida? Sim, nos países mais ricos a violência contra as mulheres é muito menor. É uma farsa dizer que existe “machismo estrutural”.

Quando uma mulher é agredida em casa, raramente consegue sair, pois precisaria pagar aluguel, o que é impossível com o salário de fome que recebe, não apenas elas, o brasileiro em geral. Fora, isso, elas teriam que deixar os filhos em creches para poderem trabalhar, mas as creches são escassas.

O identitarismo faria muito mais pela mulher lutando por salários dignos, por creches, do que transformar um problema social em guerra dos sexos, ou uma cópia dos programas policiais.

O texto diz que “longe de ser uma tragédia isolada, o feminicídio é a expressão mais brutal de uma sociedade marcada pelo patriarcado e pela desigualdade de gênero. Em um contexto de avanço da extrema-direita, de discursos antifeministas e de banalização da violência, esses crimes revelam também uma disputa política profunda sobre o lugar das mulheres na sociedade”.

Começando pelo final, a representação e o lugar das mulheres estão a cada dia mais invisíveis na sociedade, pois mulher passou a ser “pessoa com vagina”, “pessoa que engravida”… “com útero”; ou, até mesmo qualquer um que se declare mulher.

As mulheres já não têm direito a banheiro próprio, e até em presídios femininos estão aparecendo detentas grávidas por conta da presença de presas trans, como em Nova Jérsei. Há ainda casos como o de Karen White (uma mulher trans com histórico de estupro de mulheres) no Reino Unido; ou o de Isla Bryson em 2023, na Escócia. Que são exemplos de como o trans ativismo pode colocar mulheres em risco, em vez de protegê-las.

O artigo traz que “o perfil das vítimas também evidencia o caráter estrutural desse fenômeno. No Brasil, mais de 60% das vítimas de feminicídio são mulheres negras, o que revela como racismo, desigualdade social e patriarcado operam de forma combinada. A maioria dos crimes ocorre dentro de casa e é cometida por parceiros ou ex-parceiros. Ou seja, o espaço que deveria representar proteção é para milhares de mulheres um dos lugares mais perigosos”.

Não é o “patriarcado”, mas o fato de mulheres e homens negros receberem salários menores e estarem mais expostos à pobreza e às contradições sociais. Em Cuba, onde o governo gasta a maior parte do PIB em serviços sociais e a população é majoritariamente negra, qual é o índice de assassinato de mulheres? Algo em torno de zero.

No Brasil, qual é o gasto social? Os bancos mordem quase todo o orçamento público, não sobra nada para o SUS e outros programas. Quantas mulheres devem morrer por ano no País por falta de remédio e de hospitais? Os bancos matam muito mais mulheres que qualquer macho misógino no patriarcado. No Brasil, estima-se que 51 mil pessoas morrem anualmente por falta total de acesso à saúde. Considerando que metade são mulheres, 25,5 mil mulheres morrem por ano porque os bancos precisam lucrar e lucrar. E esse número pode triplicar, segundo a The Lancet, ser for considerado apenas o tratamento precário.

Ocorre que os bancos, como o Itaú, financiam grupos identitários, portanto, nunca se vê uma luta pelo não pagamento da dívida pública, preferem falar em “patriarcado” e “misoginia”. O que é uma forma de proteger os verdadeiros assassinos.

O espantalho fascista

Outra tendência dos identitários é argumentar que “o avanço da extrema-direita favorece um ambiente político que contribui para normalizar discursos que reforçam hierarquias de gênero e legitimam a ideia de que os homens devem exercer controle sobre as mulheres. No Brasil, esse setor tem se consolidado com o bolsonarismo. Nos últimos anos, isso ficou cada vez mais visível nas redes sociais. Comunidades masculinistas organizadas em fóruns, plataformas de vídeo e grupos online passaram a difundir discursos antifeministas e misóginos, frequentemente associados à ideologia conhecida como ‘Red Pill’”. Se isso é verdade, por que o número de mortes não caiu com a saída de Bolsonaro?

Durante as ditaduras militares o número de assassinato de mulheres deveria estar na estratosfera, mas não era assim. E essa conversa sobre ‘red pills’ não passa de alarmismo. O mais ridículo é que, em nome de se combater os “red pills”, se propõe uma tal de “purple pill”, pois, supostamente, “uma consciência feminista que desvela essas relações de poder, rompe com a submissão e se constrói na luta coletiva”.

Querem combater um problema social-econômico com uma “consciência”. E onde vão apoiar essa consciência? Se as pessoas continuarem a viver em um mundo sem perspectiva, ganhando mal, vivendo pessimamente, não há consciência que vigore.

Dizer que “nesse processo, mulheres passam a questionar os papéis que lhes foram historicamente impostos, a violência naturalizada e seus próprios vínculos afetivos, rompendo com as estruturas que sustentam seus algozes”, é mentir para si.

Diversionismo

O ângulo que o identitarismo utiliza para abordar a violência contra as mulheres é enganoso. Primeiro, porque não luta contra a burguesia, contra o sistema bancário. Segundo, porque escolhe nos homens, que também são oprimidos, como seus inimigos.

Enquanto as mulheres forem enganadas de que os homens são um problema, o burguês agradece, pois é contra ele que as mulheres deveriam estar lutado, e ao lado dos homens, pois essa é uma luta da classe trabalhadora, ainda que se deva reconhecer as demandas próprias de cada setor.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.