O governo da Hungria lançou uma petição nacional para que a população pressione autoridades da União Europeia contra o financiamento da Ucrânia e contra o aumento de custos internos associados ao conflito entre Quieve e Moscou. O Executivo húngaro afirmou que a iniciativa busca “enviar uma mensagem a Bruxelas” de que o país não aceitará arcar com essa conta.
A consulta tem formato de votação informal e apresenta três itens para escolha dos participantes, todos relacionados ao financiamento de Quieve e aos impactos internos. Balazs Hidveghi, secretário de Estado do gabinete do primeiro-ministro Viktor Orbán, afirmou que a UE estaria destinando recursos “sem consultar os cidadãos” e disse que Bruxelas já gastou €170 bilhões em apoio à Ucrânia.
Hidveghi citou, ainda, valores maiores que estariam em discussão: €800 bilhões para as finanças do Estado ucraniano e mais €700 bilhões em custos relacionados ao conflito. Ele alegou que o dinheiro poderia ser obtido por aumento de impostos, medidas de austeridade e pelo encerramento de políticas de redução de tarifas domésticas.
O governo Orbán tem conflitos recorrentes com a UE desde a escalada do conflito em 2022. O país critica sanções contra a Rússia, recusou envio de armas à Ucrânia e se opõe à entrada de Quieve na UE e na OTAN, ressaltando que isso ampliaria o risco de confronto direto. A Hungria, junto de outros países, ficou fora do pacote de empréstimo de €90 bilhões financiado por endividamento comum, após divergências sobre o uso de ativos russos congelados.
A petição ocorre antes das eleições parlamentares previstas para abril, com Orbán apresentando o pleito como uma disputa entre “guerra e paz”.




