Oriente Médio

Hamas saúda ataque do Irã: estão representando todos os muçulmanos

Hamas afirmou que o ataque iraniano foi uma resposta à agressão contra a República Islâmica e aos massacres contra o povo palestino em Gaza

O Hamas saudou, neste domingo (22), o ataque com mísseis lançado pelo Irã contra alvos no sul de “Israel” e afirmou que a República Islâmica representa “uma linha avançada de defesa para toda a nação muçulmana”. A declaração foi feita por Abu Obeida, porta-voz militar das Brigadas Al-Qassam, após o bombardeio que atingiu Dimona e Arad na noite de sábado (21).

Na nota, o dirigente palestino afirmou receber “com grande orgulho” a operação realizada pela Guarda Revolucionária iraniana em áreas profundas do território do inimigo. Segundo ele, a ação constituiu uma resposta não apenas à agressão sionista e norte-americana contra o Irã, mas também aos massacres genocidas impostos ao povo palestino na Faixa de Gaza.

O ataque iraniano ocorreu horas depois de bombardeios contra a instalação nuclear de Natanz. Dimona, um dos alvos atingidos na resposta iraniana, abriga a principal instalação nuclear de “Israel”. De acordo com informações divulgadas após a operação, os mísseis empregados no ataque contra Dimona e Arad levavam ogivas de 450 quilos.

As informações sobre o saldo da operação variaram. Relatos iniciais israelenses apontaram mais de 150 feridos, sendo 23 em estado crítico. Já a Guarda Revolucionária informou que as ações atingiram instalações militares e centros de segurança em Arad, Dimona, Eilat, Be’er Sheva e Kiryat Gat, depois da falência dos sistemas de defesa antiaérea israelenses, e afirmou que o número de mortos ultrapassou 200.

Ainda segundo a Guarda Revolucionária, autoridades de segurança israelenses intensificaram a pressão contra jornalistas e testemunhas para censurar informações sobre os danos e as baixas. O órgão iraniano declarou também que o agravamento da situação nos territórios ocupados, em particular nas áreas em que instalações nucleares e militares ficam próximas da população civil, expõe a crise aberta pela política de guerra do governo Netaniahu.

O Exército israelense, por sua vez, declarou que a falha na interceptação dos dois ataques ocorreu “por coincidência”. Ao mesmo tempo, informações divulgadas sobre a situação militar indicaram que o tempo de alerta diminuiu nas últimas semanas em “Israel”, em meio aos problemas nos sistemas de detecção antecipada, atingidos por ataques iranianos contra radares militares norte-americanos na região.

Na avaliação do Hamas, o ataque do Irã mostra que o regime sionista só entende a linguagem da força. A organização palestina declarou que impor um preço alto aos agressores é o único meio de deter a ofensiva em curso e advertiu que, sem isso, a agressão continuará a se voltar contra os países árabes e muçulmanos um a um.

A nota também renovou o chamado para a unidade dos povos da região contra o inimigo comum e colocou a libertação da Palestina como a principal tarefa política colocada diante do conjunto da nação árabe e muçulmana.

Leia, abaixo, a nota de Abu Obeida, porta-voz das Brigadas Al-Qassam, na íntegra:

“Vemos com grande orgulho os poderosos ataques com mísseis realizados nesta noite pela Guarda Revolucionária iraniana, mirando áreas profundas no território do inimigo criminoso, com o uso de novas táticas, o que resultou em dezenas de mortos e feridos. Consideramos isso uma resposta natural não apenas à agressão sionista e norte-americana contra o Irã, mas também aos massacres genocidas contra o nosso povo palestino em Gaza.

Esse inimigo sionista-nazista só entende a linguagem da força e da reciprocidade. Fazê-lo pagar um preço alto é o que o forçará a interromper a sua agressão. Caso contrário, continuará a sua escalada e atacará nossos países árabes e islâmicos um por um.

Hoje, a República Islâmica representa uma linha avançada de defesa para toda a nação muçulmana. Os agressores não conseguirão quebrar a vontade dos povos livres e senhores de sua própria terra. Renovamos nosso chamado a todos os povos de nossa nação para que permaneçam unidos contra nosso verdadeiro inimigo e trabalhem em conjunto por nossas questões centrais, em primeiro lugar a libertação da Palestina.”

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