O Dr. Mousa Abu Marzook, um dos mais importantes dirigentes do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) afirmou, em entrevista à emissora catariana Al Jazeera, que o grupo palestino nunca concordou em entregar suas armas durante o curso das negociações indiretas de cessar-fogo que puseram fim à guerra genocida de dois anos do regime de “Israel” na Faixa de Gaza. Suas falas vieram dois dias depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, instar o Hamas a cumprir o que ele chamou de “compromisso” do grupo de se desarmar.
“O Hamas nunca concordou em entregar suas armas em qualquer circunstância. O Hamas concordou com um plano para encerrar a guerra. A questão da entrega de armas não foi discutida de forma alguma”, disse Marzook.
Ele também enfatizou que todos os arranjos planejados em Gaza devem ocorrer com o consentimento do Hamas.
O acordo de cessar-fogo em Gaza, apoiado pelos Estados Unidos, entrou em vigor em 10 de outubro de 2025. A primeira fase começou com a troca de cativos israelenses por palestinos sequestrados, bem como a retirada das forças de ocupação para a chamada “linha amarela”, a fronteira letal do cessar-fogo em Gaza.
Embora o Hamas tenha cumprido todas as suas obrigações, “Israel” não interrompeu seus ataques mortais contra Gaza nem permitiu a livre entrada de ajuda humanitária no território sitiado.
A segunda fase, que foi anunciada no início deste mês, envolveu a retirada gradual dos soldados israelenses, que ocupam mais da metade da Faixa de Gaza, e o destacamento de uma força internacional.
Na segunda-feira (26), as forças militares de Israel anunciaram que os restos mortais do último cativo em Gaza, Ran Gvili, haviam sido recuperados. Também em sua entrevista, Marzook disse que, há cerca de um mês, o Hamas havia fornecido aos mediadores da trégua de Gaza informações sobre a localização do corpo de Gvili.
A entrega de cativos israelenses, vivos e mortos, ao regime sionista foi baseada em um acordo com as condições do Hamas; portanto, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netaniahu, não deveria se gabar sobre o assunto, acrescentou ele.
Durante uma reunião de alto nível do Conselho de Segurança da ONU na quarta-feira, o embaixador da Palestina na ONU, Riyad Mansour, alertou que uma “catástrofe sem precedentes” estava se desenrolando em Gaza.
“O sofrimento dos civis palestinos — homens, mulheres e crianças — deve terminar com igual urgência”, disse ele, pedindo a implementação total das obrigações da trégua, o fim imediato das matanças e o acesso humanitário irrestrito a Gaza.





