Palestina

Hamas denuncia tentativa de ‘Israel’ de anexar al-Quds

Partido afirmou que ampliação dos limites da municipalidade da ocupação além da Linha Verde cria precedente “perigosíssimo”

O Hamas denunciou, nesta segunda-feira (16), que a ampliação dos limites da municipalidade da ocupação de “Israel” em al-Quds para além da chamada Linha Verde constitui um “desenvolvimento extremamente perigoso” e um precedente que não ocorria desde 1967. Em nota, o partido palestino afirmou que a medida integra a tentativa de impor a anexação plena da cidade e uma “soberania forçada” sobre Jerusalém ocupada.

A denúncia foi feita no mesmo dia em que autoridades locais confirmaram a distribuição de avisos de demolição para mais de 40 casas na cidade de Anata, ao nordeste de al-Quds, sob o pretexto de falta de licenças. Para o Hamas, as ordens de destruição, que vêm se repetindo com frequência, fazem parte de uma política sistemática para expulsar a população palestina do entorno de al-Quds e “esvaziar” a região de seus habitantes.

O Hamas descreveu as medidas como uma escalada em uma “guerra aberta” contra a presença palestina em al-Quds e advertiu que o silêncio internacional tende a encorajar a ocupação a acelerar planos de anexação, deslocamento forçado e demolição de casas. O movimento também convocou palestinos de al-Quds, da Cisjordânia e dos territórios de 1948 a intensificarem a solidariedade, fortalecerem a resistência cotidiana e apoiarem as famílias ameaçadas de despejo e destruição.

Leia, abaixo, a nota do Hamas sobre a ocupação de al-Quds na íntegra:

“Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso

Declaração à imprensa

O que está ocorrendo de ampliação dos limites da municipalidade da ocupação em Jerusalém para além do chamado ‘linha verde’ representa um desenvolvimento extremamente perigoso e um precedente agressivo que não aconteceu desde o revés de 1967, dentro do esforço da ocupação para impor a realidade da anexação total e da soberania forçada sobre a cidade de Jerusalém.

Isso coincide com a emissão de notificações para demolir 40 casas na cidade de Anata, além de dezenas de notificações que se tornaram quase diárias, no contexto de uma política sistemática que tem como alvo deslocar os filhos do nosso povo do entorno de Jerusalém e esvaziá-la de seus habitantes, dentro de um projeto colonial de substituição conduzido pelo governo fascista da ocupação.

Essas medidas representam uma escalada em uma guerra aberta contra a presença palestina em Jerusalém e uma tentativa de decidir pela força a identidade da cidade, o que exige uma posição nacional, árabe, islâmica e internacional à altura do perigo existencial que ameaça a cidade e seu entorno.

Advertimos sobre o perigo do silêncio diante desses crimes, porque a ocupação se aproveita do estado de impotência e distração para fazer passar seus planos mais perigosos, o que levará a uma aceleração sem precedentes nas operações de anexação, deslocamento e demolição de casas.

Conclamamos os filhos do nosso povo em Jerusalém, na Cisjordânia e no interior palestino a elevar a presença e a resistência permanente, fortalecer a firmeza das famílias ameaçadas de demolição e permanecer unidos, em uma só fileira, contra essas políticas agressivas.

Movimento de Resistência Islâmica – Hamas

Segunda-feira: 28 Sha‘ban 1447 H

Correspondente a: 16 de fevereiro de 2026”

A intensificação da ofensiva não se limita a al-Quds. Ainda nesta segunda-feira, houve registro de ordens de demolição em outras regiões da Cisjordânia: em Beit Lahm, 10 casas na cidade de Tuqu receberam notificações; e, na aldeia de Shuqba, a oeste de Ramala, uma casa foi demolida. Também foram relatadas ações de repressão e incursões militares, com apreensão de veículos em Yatta, ao sul de al-Khalil, invasão da cidade de Azzun, a leste de Qalqilya, e o uso de gás lacrimogêneo contra centenas de palestinos retidos no posto de controle de Tayasir, a leste de Tubas.

A Sociedade dos Prisioneiros Palestinos informou que as forças de ocupação sequestraram 40 palestinos desde a noite de domingo (15), incluindo quatro mulheres e libertados que já haviam passado por prisões.

O avanço ocorre um dia após o gabinete do regime sionista aprovar uma proposta para registrar grandes áreas da Cisjordânia ocupada como “propriedade do Estado”, na primeira medida desse tipo desde o início da ocupação. A decisão, apresentada pelo ministro das Finanças Bezalel Smotrich e outros integrantes do alto escalão, visa impulsionar a expansão colonial na Área C, que corresponde a cerca de 61% da Cisjordânia e permanece sob controle total de “Israel”.

A decisão se soma a medidas adotadas pelo chamado gabinete de segurança na semana passada, incluindo a revogação de restrições à venda de terras para colonos e a transferência da autoridade sobre licenças de construção de uma municipalidade palestina para a administração civil da ocupação.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.