O Movimento de Resistência Islâmica (Hamas, na sigla em árabe) voltou a cobrar, neste sábado (7), que governos, mediadores e organismos internacionais pressionem a ocupação de “Israel” para autorizar a entrada, na Faixa de Gaza, do Comitê Nacional independente encarregado de administrar o território e iniciar ações emergenciais de socorro à população.
Em declaração em vídeo publicada no Telegram, o porta-voz Hazem Qassem disse que o Hamas “concluiu todos os procedimentos exigidos” para transferir a autoridade e a gestão administrativa “em todos os setores” ao comitê. Segundo ele, o movimento está pronto para repassar as atribuições administrativas e governamentais “assim que” a comissão for autorizada a entrar em Gaza.
Qassem afirmou que o processo de transferência seria acompanhado por um órgão de supervisão que reuniria organizações palestinas, representantes da sociedade civil, lideranças tribais e “partes internacionais”. O objetivo, disse, seria garantir uma passagem “completa, transparente e ordenada” das responsabilidades para o Comitê Nacional.
O porta-voz sustentou que a incapacidade da chamada “comunidade internacional”, de mediadores e dos Estados Unidos de assegurar a entrada do comitê em Gaza compromete, na prática, declarações sobre “restabelecer a calma”, “alcançar a paz” e criar instâncias administrativas para “estabilizar” a situação no enclave. Para ele, a credibilidade desses pronunciamentos dependeria de medidas concretas: permitir que o Comitê Nacional opere a partir de dentro do território e assegurar o êxito do trabalho que pretende iniciar.
No dia 2 de fevereiro, o Hamas já havia anunciado que concluiu os preparativos administrativos e governamentais para repassá-los ao Comitê Nacional imediatamente após sua entrada em Gaza. Na mesma comunicação, informou a formação de um comitê de supervisão com participação de organizações, representantes tribais, figuras da sociedade civil e pessoas ligadas a instituições internacionais para acompanhar o processo.
Violações do cessar-fogo e novos ataques
A nova declaração ocorre enquanto a ocupação sionista segue descumprindo compromissos assumidos no acordo de cessar-fogo, apesar do que o movimento descreve como cumprimento integral, pelas organizações da resistência palestina, dos termos estabelecidos.
Relatos de fontes médicas mencionaram que, na quinta-feira (5), pelo menos 24 palestinos foram assassinados e 38 ficaram feridos nas 24 horas anteriores, em meio a bombardeios e ataques em diferentes áreas da Faixa de Gaza, mesmo com o cessar-fogo formalmente em vigor. Hospitais do território informaram ter recebido os corpos de 24 pessoas e dezenas de feridos.
Ainda na quinta-feira, uma menina palestina ficou ferida quando forças de “Israel” abriram fogo contra uma tenda que abrigava deslocados nas proximidades da rotatória de Abu Hamid, na região central de Khan Iunis, no sul da Faixa de Gaza. Em paralelo, embarcações da marinha de “Israel” efetuaram disparos em direção ao litoral de Khan Iunis.
No norte do território, forças de ocupação demoliram edifícios residenciais no campo de refugiados de Jabalia. Também foram registrados ataques aéreos: aviões de guerra de “Israel” atingiram áreas a nordeste da Cidade de Gaza, onde há presença de tropas, e houve novas incursões aéreas a leste de Deir al-Balah, na região central, com impactos relatados nas imediações de posições militares da ocupação.




