Oriente Médio

Há mais de 100 anos, palestinos vivem sob Nakba permanente

Tentativa de aprovar leis que proíbem a exposição desses fatos históricos no Brasil visa apenas uma coisa: impedir a crítica a "Israel"

A compreensão do que ocorre hoje na Faixa de Gaza exige a superação da visão fragmentada apresentada pela imprensa capitalista, que trata a guerra no Oriente Médio como uma série de episódios isolados. Na realidade, o povo palestino enfrenta uma Nakba (“catástrofe”, em árabe) permanente, um processo sistemático de extermínio e expulsão que já ultrapassa um século de duração. O Estado de “Israel”, longe de ser uma resposta humanitária ao Holocausto, consolidou-se como o capítulo final de uma operação de gangsterismo político iniciada pelo imperialismo britânico em 1918.

A guerra contra a população árabe da Palestina não começou em 1948. Suas raízes remontam ao final da Primeira Guerra Mundial, quando os árabes foram vítimas de uma grande ilusão política. Ao buscarem se livrar do decadente Império Otomano, aliaram-se ao imperialismo britânico, que prontamente estabeleceu uma ditadura militar na região.

Diferente do domínio otomano, a ditadura britânica foi implacável. Na década de 1930, quando a população local se levantou na chamada Revolução Palestina, os ingleses afogaram o movimento em sangue. Foi sob essa bota militar que se preparou o terreno para a entrega do território a uma minoria sionista, armada e treinada pelas potências estrangeiras para servir como guarda avançada dos interesses coloniais.

A fundação do Estado de Israel em 1948 é apresentada como uma decisão “democrática” da comunidade internacional. A análise dos fatos, porém, revela uma imposição pela força. Naquela época, a ONU contava com apenas cerca de 16 países, majoritariamente potências imperialistas que decidiram dividir a Palestina sem consultar a população árabe, que era a maioria absoluta no território.

Se houvesse uma deliberação democrática real ou uma Assembleia Constituinte baseada na população local, os judeus sionistas seriam minoria. A partilha foi uma operação criminosa: as cidades mais importantes, os portos e os setores vitais da economia foram entregues ao novo Estado, enquanto os árabes foram empurrados para pedaços fragmentados de terra, sob o controle de governos títeres do imperialismo, como o da Jordânia e do Egito.

O resultado imediato dessa operação de gangsterismo foi a expulsão de cerca de 1 milhão de palestinos de suas casas, propriedades rurais e cidades onde viviam há gerações. Transformados em refugiados, esses palestinos foram confinados em campos na Jordânia, no Líbano e no Egito, onde permanecem até hoje. Atualmente, a população palestina no estrangeiro é quase superior à que vive dentro da própria Palestina, configurando um dos maiores crimes humanitários da história moderna.

A função estratégica de “Israel” é atuar como uma base militar permanente do imperialismo em uma região vital para a economia mundial: o Oriente Médio. O controle sobre o petróleo continua sendo o motor das agressões internacionais, e “Israel” é a ferramenta para agredir países da região, como o Irã.

O que se assiste em Gaza, mesmo diante do cessar-fogo — o bombardeio de populações civis indefesas, a privação de alimentos e o sistema de tortura — não é uma anomalia, mas a continuação de um plano centenário. A tentativa de aprovar leis que proíbem a exposição desses fatos históricos no Brasil visa apenas uma coisa: impedir que o mundo compreenda que o Estado de “Israel” é, por definição, uma estrutura criminosa erguida sobre o massacre de um povo.

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