A indústria alemã está em completo flagelo desde que o governo do centro “democrático” aderiu às sanções contra a Rússia. Agora, o governo alemão demonstra desespero com a guerra dos EUA e do Estado sionista de “Israel” contra o Irã. Ainda assim, estão destinando muitos dos seus escassos recursos econômicos à indústria armamentista.
Os preços da energia (gás) na Alemanha subiram vertiginosamente desde que o país aderiu às sanções contra a Rússia a partir de 2022, por ocasião da defensiva ação militar especial contra a Ucrânia — em represália ao bombardeio de populações russas no Donbass e à ameaça de adesão à Otan com a instalação de bases militares em seu território.
Os altos preços da energia têm sido citados pela imprensa e pelas autoridades alemãs como um fator-chave por trás da desaceleração econômica que afetou a maior economia da UE nos últimos anos. A dependência da Alemanha quanto ao gás russo era da ordem de 55%, e 12% do refino total no país era feito pela gigante russa Rosneft. Em outubro de 2025, os preços da eletricidade se elevaram em 14% e os do gás em 74%, aumentos considerados absurdos. Isso teve um papel crucial na retração da economia alemã, que se contraiu em 2023 e 2024, sendo a primeira queda consecutiva desde os anos 2000, segundo o jornal Bild.
Ainda em dezembro de 2025, a agência Destatis anunciou que o declínio econômico afetou principalmente o setor industrial, destacando a fabricação de produtos metálicos, a indústria farmacêutica e a fabricação de produtos de computação, eletrônicos e ópticos entre os campos mais atingidos, onde a alarmante queda mensal na produção variou de 7% a 12%.
Além disso, a agência alertou sobre uma crise de desemprego ligada à economia em dificuldades. Andrea Nahles, chefe da agência, afirmou que mesmo os trabalhadores qualificados não estão mais totalmente protegidos. Em janeiro, a Câmara de Comércio e Indústria alemã apontou os altos custos de energia como um dos principais fatores por trás de um número alarmantemente alto de falências.
Analisando os períodos mais recentes, a Destatis informa que, no início de 2026, as indústrias não mostram sinais de recuperação. O declínio é constatado mesmo antes de os EUA e o Estado sionista de “Israel” lançarem o ataque ao Irã. A Alemanha teve queda na produção industrial de 0,5% em janeiro comparado a dezembro, e o declínio ano a ano foi ainda maior, de 1,2%. Essa queda afetou particularmente os setores de maior consumo de energia.
O período analisado é anterior às retaliações por parte do Irã após o ataque dos EUA e “Israel”. Essas retaliações resultaram em aumento significativo dos riscos para navios no Estreito de Ormuz, elevando o preço do petróleo Brent para quase 120 dólares o barril. Os preços do gás natural na UE quase dobraram em relação ao período anterior ao ataque.
A guerra no Irã recorda à Alemanha o quão vulneráveis são as economias industrializadas nesta era de crise global. Economistas alemães expressaram preocupações semelhantes. Veronika Grimm, uma das especialistas que assessoram o governo em assuntos econômicos, alerta para o aumento da inflação e para a incerteza adicional nos investimentos. “Devemos nos preparar para um período prolongado de maior incerteza”, disse a professora ao jornal Redaktionsnetzwerk Deutschland (RND).
Há dez meses, uma coalizão entre a União Democrata-Cristã (CDU), a União Social-Cristã (CSU) e o Partido Social-Democrata (SPD) está no poder. Durante sua campanha e ao assumir o cargo, o Chanceler Friedrich Merz (CDU) prometeu que reviver a economia seria sua prioridade, mas a retomada ainda não se concretizou. A pequena recuperação vista no início do ano arrisca ser desfeita pela guerra no Irã.
Os altos custos de energia e as interrupções na cadeia de suprimentos ameaçam o crescimento. O aumento dos preços não afeta apenas as famílias, mas todo o setor industrial, resultando em custos de produção mais altos e prejudicando a competitividade dos produtos alemães.
Ao mesmo tempo, Berlim avança com um aumento sísmico nos gastos com defesa, que deve atingir a marca de 150 bilhões de euros por ano em 2029. O chanceler Friedrich Merz adotou uma oratória franca, resgatando 15 anos de história para explicar sua visão de reconstrução das forças armadas. Com a deterioração das relações entre Europa e EUA, o chanceler quer transformar a Alemanha na mais importante força militar da região no menor tempo possível.
Acreditando que a Rússia pretenda conquistar territórios europeus — algo que não consta nos objetivos russos —, o governo estabelece metas elevadas, crendo que investimentos financeiros podem ressuscitar a força bélica que a Alemanha teve na Segunda Guerra Mundial, justamente no momento em que os EUA realizam uma retirada errática no apoio à Ucrânia.
Atingir 150 bilhões de euros em 2029 superaria os gastos militares do Reino Unido e da França, que gastarão, respectivamente, 74 bilhões de libras (até 2028) e 64 bilhões de euros (até 2027). Justificam essa escalada comparando-a com os gastos da Rússia, afirmando que esta investe muito, mas não venceu a guerra na Ucrânia, o que sugere que não compreenderam o objetivo político russo no conflito.
Ademais, tanto o Reino Unido quanto a Europa e a Alemanha dependem da tecnologia de vigilância espacial dos EUA. Além do impulso para capacidades convencionais, Berlim cogita expandir a dissuasão nuclear através da cooperação com a França e o Reino Unido, embora alegue não ter intenção de se tornar uma potência nuclear.
Conclui-se que, com a crise do imperialismo, a derrota anunciada na Ucrânia e a falta de sucesso do sionismo contra a resistência palestina, a tentativa de reverter essas perdas contra o Irã parece acumular mais uma derrota. Isso levanta a questão de se seriam capazes de usar bombas atômicas contra seus inimigos como último recurso antes da falência total do sistema imperialista.





