Um artigo publicado pela Russian Today (RT), assinado por Sergey Poletaev, mostra de forma clara os motivos pelos quais alvos da Operação Especial russa na Ucrânia visam especialmente a estrutura energética do país. Apesar dos ataques serem pontuais e alterarem de forma significativa o curso do conflito atualmente, a questão tem uma maior profundidade.
De acordo com o articulista da RT, “se a Rússia quisesse congelar ucranianos até a morte, poderia tê-lo feito durante o primeiro inverno da guerra – tinha potencial para isso naquela época e certamente o tem agora.” Os ataques à estrutura energética da Ucrânia têm sido constantes desde o início da guerra, neste momento, só sobrou a opção de atacar as usinas nucleares e suas subestações, no entanto, Moscou decidiu não atacar esses locais.
“Após vários anos de bombardeios, a rede elétrica da Ucrânia está sob extrema pressão e já não consegue transmitir eletricidade de forma eficaz por todo o país. No inverno passado, as centrais nucleares começaram a reduzir a sua produção. No início de 2026, esta tendência continuou. As centrais nucleares do país foram obrigadas a reduzir a produção e até mesmo a encerrar para evitar acidentes nucleares.” – afirma Poletaev.
Sendo assim, a Ucrânia enfrenta dia após dia uma crise elétrica cada vez mais profunda. As centrais nucleares geram atualmente 6 gigawatts (GW) de um potencial de 8 a 10 GW. Operar em um regime não padronizado e instável (com flutuações constantes na produção e paradas regulares) desgasta as unidades reatoras. Para realizar a manutenção desses maquinários é necessário parar seu funcionamento, o que aumenta de forma significativa a crise de energia.
“Segundo relatórios oficiais, a Ucrânia enfrenta atualmente um déficit de energia de 8 a 10 GW. Considerando que o país precisa de cerca de 16 GW, isso representa um déficit impressionante de 40 a 50%, mesmo com as usinas nucleares operando a plena capacidade (e, de acordo com relatos, precisarão passar por uma grande manutenção neste verão).” Aponta Poletaev.
A Ucrânia herdou da URSS um sistema energético bastante poderoso, capaz de suportar condições de guerra, tornando-o resistente a bombardeios e ataques de artilharia. Antes da guerra a Ucrânia produzia mais energia do que consumia e ainda exportava ativamente eletricidade para a Europa. Após o início do conflito essa situação mudou devido à necessidade de uma reserva adicional.
“Por meio de uma série de ataques estratégicos à infraestrutura energética ucraniana, a Rússia está empurrando o país de volta ao século XIX. Outrora uma poderosa república industrial dentro da União Soviética, a Ucrânia agora corre o risco de se transformar em uma sociedade agrária rudimentar, semelhante às nações mais pobres da África ou da Ásia. A recuperação dessa situação pode levar anos, senão décadas.” Descreve o articulista para a RT.
E conclui: “O objetivo da Rússia é claro: desmilitarização por meio da desindustrialização.” Tornar a Ucrânia fraca econômica e energeticamente diminui significativamente o poder de ameaça contra os russos e se torna um peso para seus aliados ocidentais, levando em consideração também que a reconstrução do país e de suas capacidades militares exigiram muito dinheiro e muito mais tempo.



