O Senado do Paraguai aprovou na quarta-feira (4) um projeto que autoriza o ingresso e a permanência de militares dos Estados Unidos no país. No mesmo período, o governo do Equador anunciou o início de operações militares conjuntas com forças norte-americanas. As duas medidas ampliam a presença militar dos EUA na América do Sul.
No Paraguai, o texto aprovado pelo Senado trata do Acordo sobre o Estatuto das Forças Armadas, conhecido pela sigla SOFA. O projeto recebeu 28 votos favoráveis, sete contrários e seis abstenções, e ainda será analisado pela Câmara dos Deputados.
O acordo autoriza a presença temporária, em território paraguaio, de militares dos Estados Unidos, integrantes do Departamento de Defesa e contratados ligados ao aparato militar norte-americano. Segundo o texto, esse pessoal poderá participar de treinamentos, exercícios militares, visitas de embarcações, atividades humanitárias e outras ações definidas pelos dois governos.
A medida também concede privilégios e imunidades equivalentes aos de diplomatas. Entre eles, estão o reconhecimento de documentos emitidos nos Estados Unidos, autorização para uso de uniformes e armamentos, isenção de tributos e submissão à jurisdição penal norte-americana por atos praticados em serviço.
Outro ponto do acordo prevê liberdade de circulação para aeronaves, embarcações e veículos operados pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos em território paraguaio, desde que haja notificação prévia às autoridades locais. Esses meios não poderão ser abordados nem inspecionados por autoridades paraguaias.
De acordo com o texto aprovado, os militares norte-americanos deverão atuar em áreas específicas de treinamento e inteligência. O senador Javier Zacarías Irún, presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais, defendeu o projeto afirmando que ele permitiria ao Paraguai se integrar “de forma ordenada e soberana” à estrutura de colaboração voltada à estabilidade e à segurança regional. O parlamentar também declarou que o texto é um “acordo-quadro geral” e que outros acordos mais específicos ainda poderão ser firmados posteriormente, com nova apreciação do Congresso.
O governo de Santiago Peña vem ampliando a cooperação com os EUA em temas de segurança e inteligência. Nos últimos meses, o ministro do Interior, Enrique Riera, afirmou que o Paraguai pretende criar um centro antiterrorismo com agentes treinados pelo FBI para reunir informações sobre o Hesbolá na região da Tríplice Fronteira.
O país também classificou o chamado “Cartel de los Soles”, da Venezuela, como organização terrorista, assinou com a Casa Branca um acordo para funcionar como “Terceiro País Seguro” para solicitantes de asilo dos Estados Unidos e transferiu sua embaixada em “Israel” de Telavive para Jerusalém. Após o ataque norte-americano ao Irã, o governo paraguaio não criticou a ação e condenou a resposta iraniana a países aliados dos EUA na região.
No Equador, o presidente Daniel Noboa anunciou na terça-feira (3), por meio da rede X, o início de operações militares conjuntas com os Estados Unidos contra o que chamou de “organizações terroristas” no país. “Iniciamos uma nova fase contra o narcoterrorismo e a mineração ilegal”, escreveu.
Noboa acrescentou que “no mês de março faremos operações conjuntas com nossos aliados da região, incluídos os Estados Unidos”. O Comando Sul norte-americano confirmou o início das ações e informou que, no dia 3 de março, forças militares equatorianas e norte-americanas lançaram operações conjuntas no Equador.
Em sua nota, o Comando Sul declarou que as ações são exemplo do compromisso de seus parceiros na América Latina e no Caribe no combate ao “narcoterrorismo”. O general Francis L. Donovan elogiou os militares equatorianos por seu “compromisso inabalável” nessa luta.
A divulgação do anúncio foi acompanhada por um vídeo publicado pelo próprio comando, com imagens do voo de um helicóptero e de sobrevoos noturnos em uma área onde apareciam homens armados:
On March 3, Ecuadorian and U.S. military forces launched operations against Designated Terrorist Organizations in Ecuador. The operations are a powerful example of the commitment of partners in Latin America and the Caribbean to combat the scourge of narco-terrorism.
Together,… pic.twitter.com/MrkKZcrDbs
— U.S. Southern Command (@Southcom) March 4, 2026
Também nesta semana, o governo equatoriano declarou persona non grata o embaixador de Cuba, Basilio Antonio Gutiérrez García, e todo o pessoal diplomático da missão cubana, dando prazo de 48 horas para que deixassem o país. A medida também atingiu os funcionários consulares e administrativos da representação. Em paralelo, Daniel Noboa encerrou as funções do embaixador do Equador em Cuba, José María Borja.
A chancelaria cubana reagiu classificando a expulsão como “uma decisão arbitrária e injustificada”, afirmando que a medida foi tomada sem apresentação de motivos. Em nota, o ministério cubano declarou que a decisão ocorre em meio ao recrudescimento da política de agressão dos Estados Unidos contra Cuba e às pressões exercidas sobre governos da região para que acompanhem essa orientação.





