Editorial

Guerra entra em nova fase

Nenhum país submetido a uma guerra dessa magnitude pode assistir passivamente ao bombardeio de sua principal infraestrutura energética

A guerra do Irã contra os Estados Unidos e o Estado de “Israel” entrou em uma nova fase. A mudança de patamar ocorreu quando “Israel” atacou o campo de South Pars e a infraestrutura de Asaluyeh, isto é, a principal base energética do Irã, em uma escalada da guerra lançada pelos EUA e pelo Estado sionista em 28 de fevereiro.

Atacar South Pars não é atingir um alvo periférico. Trata-se do maior campo de gás do mundo, responsável por algo entre 70% e 75% da produção total de gás do Irã. Mais de 90% dessa produção é consumida internamente, e cerca de 85% da eletricidade iraniana depende de usinas movidas a gás. Em outras palavras, o bombardeio não visou apenas uma instalação “econômica”; ele atingiu uma estrutura vital para o funcionamento cotidiano do país, para o abastecimento da população e para a própria sobrevivência material do Estado iraniano.

Nenhum país submetido a uma guerra dessa magnitude pode assistir passivamente ao bombardeio de sua principal infraestrutura energética, como se se tratasse de um detalhe técnico. Se o Irã aceitasse sem resposta um ataque desse tipo, estaria sinalizando ao imperialismo que este pode destruir, passo a passo, toda a sua base econômica impunemente. A atitude iraniana, portanto, é a resposta de um país que entendeu que, se não reagir, será estrangulado até a capitulação.

Ao mesmo tempo, Donald Trump elevou ainda mais a chantagem, ameaçando “explodir completamente” South Pars caso o Irã volte a atingir o Catar. Ou seja: o imperialismo e “Israel” primeiro atacam a infraestrutura decisiva do Irã e depois exigem que o país persa aceite o golpe em silêncio, sob pena de destruição ainda maior.

A nova fase da guerra envolverá ainda mais os países da região. Há danos em instalações de gás e petróleo no Catar, nos Emirados Árabes Unidos e na Arábia Saudita, enquanto os preços internacionais do comércio de hidrocarbonetos dispararam.

As monarquias do Golfo agora aparecem em um impasse. De um lado, sofreram os efeitos diretos da guerra; de outro, sabem que entrar de cabeça no conflito ao lado dos EUA e de “Israel” pode transformá-las em campo de batalha permanente. A Al Jazeera relata que a Arábia Saudita já fala em “ações militares, se necessário”, mas também observa que esses governos estão em um “aperto diplomático”, conscientes de que os Estados Unidos pode amanhã declarar vitória e deixá-los sozinhos para enfrentar as consequências militares e políticas de uma inimizade com a República Islâmica do Irã.

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