Na edição desta quinta-feira (19) do programa Análise Internacional, do Diário Causa Operária no YouTube, o presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, afirmou que a guerra contra o Irã já ultrapassou os limites de um conflito localizado e tende a se espalhar por toda a região. Segundo ele, a tentativa do imperialismo de desorganizar o regime político iraniano fracassou e colocou os próprios Estados Unidos em uma situação difícil.
Ao comentar o risco de ampliação da guerra, Pimenta declarou que a agressão já transformou a situação em um confronto regional, envolvendo vários países e criando as condições para uma escalada ainda maior.
“É difícil dizer o que vai acontecer aí, mas uma coisa é certa. O que nós vemos é que, por um motivo ou por outro, o conflito tende a se espalhar. A guerra do Irã já é uma guerra internacional. O Irã já fez ameaças aí aos Emirados que estão sustentando o esforço de guerra norte-americano, já pediu até compensação material para os Emirados. Quer dizer, o ataque ao Irã transformou a guerra numa guerra regional. Uma guerra que envolve inúmeros países.”
Ainda sobre esse ponto, o dirigente político avaliou que a operação do imperialismo esbarrou em uma realidade muito mais complexa do que previa a Casa Branca. Para ele, não se trata de um regime apoiado em uma única figura, mas de um sistema político sólido, o que dificulta qualquer tentativa de “decapitar” o governo iraniano.
“Eu acho que é correta a avaliação do Hamas e do Hesbolá. Não é fácil você acabar com o regime político iraniano, ele não é um regime que se apoia sobre uma ou outra pessoa, é um complexo de instituições e pessoas. Nesse sentido, a guerra do imperialismo contra o Irã meio que caiu num pântano, não tem muito para onde ir. O Donald Trump está pedindo ajuda para desbloquear o Estreito de Ormuz. É uma coisa muito difícil de ser feita. Todo mundo pediu moderação no que diz respeito a ataques a ativos econômicos. Depois que Israel atacou uma refinaria iraniana e os iranianos declararam que vão devolver esse ataque. Quer dizer, é uma situação complicada para o imperialismo e, ao mesmo tempo, é um pântano. É um pântano, mas é um pântano perigoso, que pode se espalhar como uma guerra generalizada.”
Pimenta também afirmou que o contra-ataque iraniano agravou a crise política de Donald Trump. Segundo ele, o presidente norte-americano buscava uma ação rápida, de demonstração de força, para impor suas condições ao Irã e aparecer como vencedor. O resultado, porém, foi o oposto.
“A situação no momento atual é muito delicada para os Estados Unidos. Não há como ocultar. É óbvio que o que nós tivemos aqui foi uma operação extremamente mal sucedida da parte do Trump. Ele queria fazer uma demonstração de força, sem grande custo, bombardear o Irã, e aí puxava o Irã ali, puxava o Irã pela orelha e o Irã ia aceitar todas as condições dele, ele ia aparecer como vencedor. Ele provocou uma crise generalizada em volta dele. A crise nos Estados Unidos é enorme, porque não é só que a base dele está contra, o povo norte-americano todo está contra. E ele está fazendo a política que ele sempre condenou, quer dizer, ficou perdido na situação.”
Na mesma análise, Pimenta declarou que Trump repetiu no Irã o método de ameaça e chantagem que utilizou em outros episódios de sua política externa, mas encontrou um adversário que encarou a agressão como uma questão de sobrevivência nacional.
“Ele ameaça, às vezes leva adiante alguma coisa da ameaça. A gente viu ele fazer isso durante todo o período da presidência dele. Ameaçou que ia ocupar o Panamá, que ia ocupar a Groenlândia, não sei o quê, para ver se, com base na ameaça, o pessoal recua. Depois da Venezuela, onde ele conseguiu um êxito parcial com o sequestro do Nicolás Maduro, aparentemente ele achou que ele podia usar um pouco de força para dobrar as pessoas que ele queria dobrar. E ele foi para o Irã com esse objetivo. Só que o Irã não entende assim. E eu acho que o Irã entende corretamente e ele entende equivocadamente. O Irã vê isso daí como uma guerra de vida ou morte, uma questão de vida ou morte. Não pode permitir um ataque sem retaliação.”
Para Pimenta, a guerra também mostra que “Israel” não ocupa a posição dirigente do confronto. Segundo ele, o centro da disputa está na relação entre o Irã e os Estados Unidos, o que revela uma alteração importante na correlação de forças da região.
“Uma coisa que a gente tem que destacar aqui é que está ficando claro que Israel não cumpre um papel importante nisso aí. Quer dizer, a briga de cachorro grande é Irã versus os Estados Unidos. Israel fica como um coadjuvante. E isso é muito importante, é uma mudança muito importante na relação de força geopolítica daquela região.”
Ao tratar da origem da guerra, o presidente do PCO afirmou que a iniciativa não deve ser entendida como obra isolada de Trump ou de Netaniahu, mas como parte de uma política mais ampla do imperialismo contra os países que resistem à sua dominação.
“A iniciativa é uma iniciativa do imperialismo. Nós já tínhamos cantado essa bola muito antes da Venezuela. O imperialismo atua através de aproximações sucessivas para desestabilizar o bloco, digamos assim, anti-imperialista, o que se opõe ao imperialismo: China, Rússia, Irã, Venezuela, Cuba, Coreia do Norte etc. Só que eu acho que essa operação aí, que o Trump pretendia que fosse uma coisa rápida — entra, faz um negócio lá e sai cantando vitória —, deu tudo errado. Deu errado provavelmente porque o próprio Trump e o pessoal dos Estados Unidos não entendem a situação do Irã.”
Na conclusão de sua análise, Pimenta afirmou que a guerra atual integra um processo mais amplo de agravamento da ofensiva imperialista em escala mundial. Segundo ele, o alvo final dessa política continua sendo China e Rússia, e a tendência geral é de aprofundamento da crise internacional.
“O imperialismo leva o mundo para uma guerra generalizada. Eles vão gradualmente piorando o cenário internacional. O alvo é a China e a Rússia. Enquanto não chegar lá, não vai parar nada. E a hora que chegar lá, quem sabe o que vai acontecer.”





