No programa Análise Política da Semana, da Causa Operária TV (COTV), transmitido neste sábado (7), Rui Costa Pimenta afirmou que a ofensiva dos Estados Unidos e de “Israel” contra o Irã faz parte de uma política mais ampla de guerra do imperialismo contra os povos. Segundo o presidente do Partido da Causa Operária (PCO), trata-se de uma agressão sem provocação, levada adiante sob pretextos falsos e com o apoio de todo o bloco imperialista. Ao longo da análise, Pimenta também comentou a situação da Enel em São Paulo, a punição imposta a um jogador do Bragantino, o caso do Banco Master e a crise eleitoral do PT, mas colocou a guerra contra o Irã como o tema central do programa.
Ao introduzir o assunto internacional, Rui Costa Pimenta afirmou que a imprensa burguesa procura encobrir o caráter da ofensiva militar e apresentar como justificável uma operação que constitui um crime. Em um dos principais trechos do programa, declarou:
“Esse ataque é uma atividade criminosa. É um ataque contra o Irã, sem provocação nenhuma. feito de maneira traiçoeira no meio das negociações. sem justificativa. O Trump, vendo a popularidade da operação militar desabar completamente, veio com a história de que ele estava defendendo os Estados Unidos porque o Irã queria a bomba atômica para jogar nos Estados Unidos, que é uma história que nem mesmo a mulher do Trump acredita.”
Na mesma análise, Pimenta disse que a ideia de “ataque preventivo”, utilizada para justificar a agressão, não se sustenta. Segundo ele, o Irã não ameaçou os Estados Unidos nem “Israel”, e o verdadeiro problema para o imperialismo é o apoio iraniano à causa palestina e à resistência contra o sionismo. Ainda nesse ponto, afirmou:
“Não há ataque preventivo nenhum. O Irã não ameaçou ninguém, não ameaçou nem mesmo o Estado de ‘Israel’. A atitude do Irã diante do Estado de ‘Israel’ é uma atitude defensiva. Com a diferença de que o Irã apoia os palestinos que lutam contra o Estado de ‘Israel’, que é perfeitamente legítimo, porque o sionismo é uma força militar de ocupação, e portanto a resistência contra a força militar de ocupação é legítima, e o apoio do Irã a ‘Israel’ é legítimo também.”
Pimenta também tratou do assassinato de Ali Khamenei, apresentado por ele como mais um elemento de agravamento da ofensiva. Segundo o presidente do PCO, a imprensa procura retratar Khamenei apenas como chefe político do país, quando, na realidade, ele era sobretudo a principal liderança religiosa do xiismo. Em um trecho longo da exposição, ele declarou:
“Então, nós temos que dizer que é uma atividade criminosa, uma atividade de banditismo internacional, um ataque contra o Irã, um ataque sem nenhuma provocação. A única justificativa é uma justificativa também criminosa, que é o fato de que o Irã apoia os palestinos, que é uma coisa que todos os países do mundo, se tivessem o mínimo de espírito democrático, deveriam fazer. Porque o que ‘Israel’, o sionismo, o cachorro do imperialismo faz com os palestinos, é um dos maiores crimes que a humanidade já presenciou até hoje.
A atividade criminosa escalou com o assassinato do líder supremo do Irã, Ali Khamenei. O líder supremo se encontrava na sua residência e a residência foi bombardeada. É um outro crime que se acrescenta nesse crime, que é o assassinato de uma pessoa que não é militar, mas um líder religioso. O assassinato do Khamenei é um dos crimes mais aberrantes que o imperialismo já cometeu até hoje.”
Ainda sobre esse ponto, Pimenta afirmou que o impacto político do caso tende a ser profundo dentro e fora do Irã, sobretudo pelo peso de Khamenei entre os xiitas da região. Segundo ele, a reação popular nos dias após o assassinato demonstra o efeito da operação. Nas palavras do dirigente:
“O Irã tem 90% da população xiita. Você matar o Khamenei é como se alguém tivesse jogado uma bomba e matado o Papa no Vaticano. Os jornais ocultam esse fato. Eles querem dar impressão de que o Khamenei era, sei lá, um militar, um político, alguma coisa do gênero. Quando na realidade ele é um líder espiritual, um líder religioso.”
Ao avaliar o resultado militar inicial da ofensiva, Pimenta afirmou que os Estados Unidos e “Israel” não obtiveram o resultado esperado e que a resposta iraniana alterou o quadro da guerra. Segundo ele, o objetivo inicial seria forçar uma capitulação rápida de Teerã, mas o que ocorreu foi o contrário. Em um dos trechos centrais do programa, declarou:
“Do ponto de vista prático, o que nós vimos até o momento foi um fracasso da iniciativa do imperialismo e do seu cachorro de estimação. Por que foi um fracasso? Primeiro, o assassinato do Khamenei. Nós já estamos vendo as manifestações. Nos próximos dias, vamos ter o enterro do Khamenei, vamos ver o tamanho da manifestação que vai ser esse enterro do Khamenei, nós vamos ver o verdadeiro impacto desse crime monstruoso que foi cometido contra toda a população do Irã.”
Na sequência, Pimenta sustentou que o Irã reagiu de maneira fulminante e que a guerra abriu uma situação mais ampla e instável em toda a região. Segundo ele, a resposta iraniana, a alta do petróleo, a reabertura da frente no Líbano e a possibilidade de novas ações do Ansar Alá indicariam que o conflito entrou em outra etapa. Disse ele:
“O Irã destruiu todas as bases norte-americanas na região, teve uma resposta fulminante. E agora o Donald Trump está escalando a sua agressividade verbal. ‘Vai ter uma resposta muito dura, vamos fazer um ataque muito duro’ etc. Parece que ele está deslocando outros porta-aviões para região do Golfo, sendo que um dos porta-aviões foi atingido por um drone e teve que ser retirado da região. O porta-avião, apesar de ele ter radares, ele é um equipamento relativamente vulnerável.”
Para o presidente do PCO, a operação não deve ser interpretada apenas como um conflito entre Estados Unidos, “Israel” e Irã. Segundo ele, a ofensiva é parte de uma preparação de guerra em escala maior, dirigida contra o bloco que resiste à dominação imperialista. Em outro trecho longo do programa, afirmou:
“O que nós estamos vendo aqui, não há dúvida nenhuma, é uma fase preliminar ou inicial de uma guerra em grande escala. O alvo é a China e a Rússia. O Irã também, lógico. O Irã também é um alvo. Mas digamos, não é uma coisa com o Irã, é uma coisa com o bloco que se opõe à dominação imperialista mundial. O ataque ao Irã é o ataque, digamos assim, ao elo mais fraco desse bloco.”
Pimenta também afirmou que a guerra desmonta a tese, difundida por setores da esquerda, de que o mundo estaria dividido entre um campo “democrático” e um campo “fascista”. Segundo ele, a ofensiva mostrou que todo o imperialismo se alinhou em torno do ataque, independentemente das diferenças entre governos e partidos no interior das potências. Nas palavras dele:
“Todo o imperialismo apoia o que está acontecendo no Irã, mesmo os países que negaram a utilização das suas bases militares apoia a iniciativa dos Estados Unidos e do cachorro sionista contra o Irã. As declarações todas são de apoio. França, Alemanha, União Europeia de um modo geral. A União Europeia decretou que a Guardia Revolucionária Iraniana é uma organização terrorista. Todos eles estão envolvidos no crime. É um crime geral do imperialismo. Os democratas apoiam o fascista Donald Trump. É assim que funciona.”
Ao comentar a reação brasileira, Pimenta disse que o protesto foi fraco e criticou a posição do governo federal e do Itamaraty. Segundo ele, a resposta oficial foi insuficiente diante da gravidade da situação. Ao mesmo tempo, atacou a posição da esquerda pequeno-burguesa sobre o Irã, dizendo que ela repete acusações formuladas pelos inimigos do país e se recusa a apoiar, de maneira consequente, a luta anti-imperialista.
Nesse ponto, citou entrevista de Breno Altman com Erika Hilton e afirmou que a deputada do PSOL expressa a posição mais geral desse setor político. Segundo Pimenta, a esquerda pequeno-burguesa condena a ação militar apenas em termos abstratos, mas evita se colocar claramente ao lado do Irã. Em um dos trechos mais duros do programa, declarou:
“Se você não apoia quem está lutando contra o imperialismo, você está do lado do imperialismo. Não é preciso muita imaginação para tirar essa conclusão.”
Em seguida, Pimenta procurou formular o que chamou de uma política de classe diante dos conflitos internacionais. Segundo ele, o imperialismo atua de maneira coerente contra todos os povos e governos que enfrentam sua dominação, enquanto a esquerda pequeno-burguesa oscila e se confunde. Disse ele:
“Se nós queremos efetivamente lutar contra o imperialismo, nós temos que apoiar todos aqueles que lutam contra o imperialismo, independentemente das divergências políticas que são sempre secundárias em relação a essa luta. Em relação a essa luta, as outras divergências são secundárias.”
Para ilustrar essa posição, Pimenta recordou a Guerra das Malvinas e afirmou que, quando a ditadura argentina entrou em conflito com o imperialismo britânico, as forças políticas do país apoiaram a reivindicação nacional sobre as ilhas, sem por isso abandonar suas divergências com o regime. Segundo ele, o mesmo critério deveria ser aplicado agora.
Na parte nacional, Pimenta também tratou do escândalo do Banco Master, da prisão de Daniel Vorcaro e das mensagens atribuídas ao banqueiro com referência ao ministro Alexandre de Moraes. Segundo ele, o caso expõe uma crise mais ampla do STF e atinge a política adotada por setores da esquerda, que depositaram no Supremo a tarefa de combater o bolsonarismo. Em um trecho do programa, afirmou:
“A esquerda terceirizou a luta contra o bolsonarismo para o STF. Quer dizer, ao invés de ela mesma lutar contra o bolsonarismo, que teria rendido frutos muito maiores do que nós estamos vendo hoje, ela terceirizou a luta para um inimigo político, o STF.”
A análise do quadro nacional se estendeu à disputa presidencial de 2026. Pimenta citou pesquisas que apontariam empate entre Lula e Flávio Bolsonaro e afirmou que a candidatura do PT entrou em crise. Segundo ele, o partido colhe agora o resultado de ter se apresentado, nos últimos anos, como fiador da ordem institucional e de ter apoiado medidas contrárias aos interesses populares. Em um dos trechos finais dessa parte, disse:
“Se o PT quiser ganhar a eleição, vai ter que dar um cavalo de pau na sua política. Vai ter que se apresentar como o candidato antissistema contra o candidato do sistema. Agora, isso não é uma coisa fácil de fazer porque o PT, nesses três anos, Lula, procurou se apresentar como o homem do sistema.”
Assista à análise desta semana na íntegra:





