O Irã afirmou neste domingo (1º) que atacou o porta-aviões norte-americano USS Abraham Lincoln com uma salva de quatro mísseis balísticos, em meio à escalada militar aberta entre a República Islâmica, os EUA e “Israel”. A alegação foi divulgada pela PressTV, emissora iraniana.
Irã diz ter mirado o USS Abraham Lincoln no mar
Segundo a PressTV, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) declarou que atingiu o USS Abraham Lincoln com quatro mísseis balísticos com sucesso, apresentando a ação como parte das operações de retaliação do país.
O governo norte-americano, por meio do Comando Central (CENTCOM) e autoridades citadas pela Associated Press negaram que o porta-aviões tenha sido atingido e afirmaram que os mísseis não acertaram o alvo.
EUA registram as primeiras baixas militares no conflito
Ainda neste domingo, os EUA confirmaram mortes e feridos entre militares em meio aos ataques e contra-ataques na região. O CENTCOM informou que três militares norte-americanos morreram e outros cinco ficaram gravemente feridos, em um balanço divulgado pela imprensa dos EUA.
Bombardeios sobre Teerã atingem hospital e áreas civis
Em Teerã, testemunhas relataram à Reuters que ataques atribuídos a “Israel” atingiram um hospital na região da rua Gandhi. A imprensa iraniana e veículos internacionais também noticiaram impactos e destruição em bairros residenciais e pontos de infraestrutura urbana na capital, com registros de explosões em sequência ao longo do dia.
Ataques atingem instalações de TV estatal iraniana
A Press TV relatou ataques “EUA–”Israel”” contra partes do complexo da IRIB (radiodifusão estatal) em Teerã. A mesma cobertura citou que áreas residenciais também teriam sido atingidas na capital.
Alvos de segurança e polícia entram na lista de bombardeios
Ao longo do dia, surgiram relatos de ataques a estruturas ligadas à segurança interna iraniana. O Washington Post relatou que os bombardeios teriam atingido instalações de segurança e policiamento, descritas como alvos ligados ao aparato estatal.
Veículos também noticiaram danos a uma delegacia e residências em Ray (Rey), nos arredores de Teerã, após ataques.
Comunicado sobre morte de Amir Nasirzadeh e mudanças no topo militar
No noticiário do dia, ganhou destaque a confirmação de baixas na cúpula militar iraniana. A Reuters reportou que o ministro da Defesa do Irã, Amir Nasirzadeh, e o comandante da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour, eram considerados mortos após ataques atribuídos a “Israel”.
Confirmações sobre a morte de Khamenei e destruição do complexo
A Reuters noticiou que o complexo de alta segurança do aiatolá Ali Khamenei em Teerã foi atingido no início da operação militar, e que imagens de satélite analisadas pela agência indicavam destruição no local.
A ABC (Austrália) também publicou uma verificação com imagens de satélite, apontando destruição extensa no complexo associado ao líder iraniano, com material atribuído à Airbus.
Irã estabelece liderança provisória durante a sucessão
Com a confirmação da morte de Khamenei, o noticiário internacional registrou a instalação de um arranjo provisório para o período de transição. O Washington Post descreveu a formação de um conselho temporário previsto pela Constituição iraniana, enquanto o processo formal de sucessão é encaminhado.
Mísseis e sirenes em cidades sob controle de “Israel”
Em paralelo aos ataques em Teerã, a retaliação iraniana seguiu com lançamentos de mísseis e drones. A Reuters já havia informado no sábado (28) que “Israel” fechou escolas, restringiu atividades e moveu pacientes hospitalares para áreas subterrâneas diante do risco de ataques.
Neste domingo, a contagem de vítimas em áreas atingidas por mísseis iranianos seguiu sendo atualizada pela imprensa regional, com registros de mortes em ataques em cidades sob controle de “Israel”.
Golfo é atingido: Abu Dhabi, Dubai, Doha e portos entram no raio de fogo
A escalada se espalhou pelo Golfo. A Reuters descreveu que interceptações de drones e mísseis e a queda de destroços provocaram danos e incêndios em Abu Dhabi e Dubai, atingindo inclusive áreas diplomáticas e pontos sensíveis de infraestrutura e turismo.
A mesma cobertura citou incêndio no porto de Jebel Ali e suspensão temporária de operações por parte da DP World, além de impactos em Doha e o registro de um ataque por drone em Duqm, em Omã.
Em outra frente, a Reuters noticiou que os ataques provocaram paralisações e choque em mercados e operações comerciais no Golfo, com reflexos imediatos em aviação, logística e negócios.
Emirados anunciam fechamento da embaixada em Teerã
O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos comunicou o fechamento da embaixada em Teerã e a retirada do embaixador e da missão diplomática, citando ataques contra o país.
Reino Unido confirma interceptações e amplia alerta regional
A Reuters informou que o governo britânico declarou que forças do Reino Unido, operando a partir de bases no Catar e em Chipre, estavam interceptando drones na região.
Veículos britânicos também relataram que aeronaves e sistemas de defesa do Reino Unido derrubaram ameaças no entorno de bases e instalações militares no Golfo.
França desloca porta-aviões Charles de Gaulle e relata dano em base no EAU
No campo militar europeu, a Anadolu noticiou que a França decidiu deslocar seu porta-aviões Charles de Gaulle para o leste do Mediterrâneo em meio à escalada.
No mesmo contexto, foi reportado que um hangar em uma base onde há presença francesa nos Emirados foi atingido durante um ataque por drone ligado a eventos no porto de Abu Dhabi, sem registro de mortes, segundo informações divulgadas por autoridades francesas e emiradenses.
Bagdá e Karachi registram protestos e confrontos após a escalada
A crise militar também teve reflexos imediatos nas ruas. O Guardian relatou confrontos e mortes em protestos pró-Irã no Paquistão e no Iraque, incluindo tentativas de avanço de manifestantes na área fortificada que abriga a embaixada dos EUA em Bagdá.
A Al Arabiya também noticiou a tentativa de centenas de pessoas de entrar na Zona Verde de Bagdá, onde fica a embaixada norte-americana, com reação das forças de segurança.
Estreito de Ormuz: alertas de navegação e sinais de interferência
No mar, entidades e relatórios de segurança marítima registraram um ambiente de risco crescente. O Swedish Club informou que embarcações relataram avisos por rádio VHF dizendo que o Estreito de Ormuz estaria “fechado à navegação”, com reconhecimento desses relatos por centros de reporte de segurança marítima, incluindo o UKMTO.
Relatórios do setor também chamaram atenção para interferência eletrônica e perturbações de navegação por satélite em áreas do Golfo de Omã e do Estreito de Ormuz.
Petróleo e risco econômico: projeções de alta voltam ao centro
Com os ataques ampliando o risco de interrupções de rotas e de exportações, a Reuters noticiou salto do petróleo e avaliações de analistas sobre a possibilidade de preços alcançarem a faixa de US$ 100 por barril em cenários de escalada que afetem o fluxo regional.
Reações internacionais: China pede cessar-fogo e condena ataques
Entre as reações diplomáticas do dia, a Reuters registrou que a China condenou os ataques e pediu cessar-fogo imediato e retorno às negociações, além de mencionar alertas e orientações a cidadãos chineses diante da deterioração do cenário regional.
O que ficou registrado ao longo do domingo
O domingo foi marcado por quatro eixos que se sobrepuseram ao longo das horas: a alegação iraniana de ataque direto a um porta-aviões dos EUA e a negativa norte-americana; a sequência de bombardeios sobre Teerã, com hospital e instalações de mídia entre os alvos noticiados; a expansão dos impactos para o Golfo, com danos em cidades, portos e centros logísticos; e a entrada de mais países no tabuleiro com interceptações, deslocamentos militares e medidas diplomáticas, como o fechamento da embaixada dos Emirados em Teerã.




