O grupo cibernético Handala, que ganhou projeção ao longo de 2025 e 2026, vazou uma série de informações após conseguir acesso à conta de Deborah Oppenheimer, ex-subdiretora do Departamento de Relações Exteriores e Cooperação do Mossad e atual chefe de assuntos internacionais no Instituto de Segurança Nacional de “Israel”. Segundo mensagens divulgadas em canais ligados ao próprio Handala, teriam sido obtidos mais de 100 mil e-mails sensíveis, colocados à disposição para download público.
A ofensiva é apresentada pelo grupo como parte de uma operação mais ampla, descrita em alguns materiais como “quebra dos muros do sigilo”, voltada a atingir o núcleo de formulação estratégica, influência internacional e coordenação operacional do aparato sionista. O conteúdo divulgado pelo Handala sustenta que os vazamentos não se limitam à obtenção de dados pessoais ou documentos administrativos, mas alcançariam mecanismos de articulação política, planejamento militar, relações internacionais e operações de influência.
O nome do grupo remete a Handala, personagem criado pelo cartunista palestino Naji al-Ali e transformado, ao longo de décadas, em símbolo da resistência palestina. O coletivo se apresenta como instrumento de enfrentamento político e psicológico ao aparato de “Israel”, combinando invasões, extração de dados, divulgação de documentos e ações voltadas a abalar a confiança na segurança interna do país artificial.
Dentro dessa linha, o caso de Deborah Oppenheimer aparece como um dos episódios de maior repercussão recente. Ela teria exercido ao longo dos anos um papel importante na promoção da ideologia sionista em vários países, com uso articulado de meios de comunicação e grupos de pressão voltados a influenciar a opinião pública internacional.
O Instituto de Segurança Nacional de “Israel”, mencionado no material como atual espaço de atuação de Oppenheimer, também aparece como parte importante desse tabuleiro. Centros de estudo e formulação estratégica vinculados ao aparelho de segurança servem como ponte entre o Estado, a academia, a imprensa, o setor privado e interlocutores estrangeiros.
Outro nome que foi alvo do Handala é o de Laura Gilenski, apresentada como ex-vice-chefe do Mossad para planejamento e estratégia e atual dirigente do mesmo instituto. Segundo o Handala, teriam sido vazados mais de 100 mil e-mails, equivalentes a cerca de 20 gigabytes, classificados pelo grupo como “ultrassecretos”. O vazamento inclui dados sobre repasses de “dinheiro negro” do Mossad ao instituto, mencionados no material em aproximadamente 149 milhões de dólares, além de listas de colaboradores, planos contra países da região e endereços residenciais de especialistas em segurança.
O grupo conseguiu acessar dados ligados a Eran Ortal, descrito como oficial de alto nível, associado ao planejamento sionista após 7 de outubro de 2023 e ex-chefe da divisão de planejamento do Estado-Maior do exército israelense.
As operações anunciadas não teriam se restringido ao Mossad e a institutos de segurança. O Handala também vazou dados de 50 oficiais e pilotos da força aérea israelense, incluindo quadros ligados à operação de caças F-35 e F-16. Foram expostos números de identidade, dados pessoais e endereços residenciais.



