Às 14h desta quinta-feira (19), assim que o quórum foi atingido, deu-se início imediato à votação do projeto para alteração das leis trabalhistas argentinas, encaminhado pelo governo de Javier Milei e já aprovado há apenas oito dias pelo senado.
Em resposta a esse ataque direto à classe trabalhadora, as principais centrais sindicais, dentre elas a Confederação Geral do Trabalho (CGT) e a FreSU (Frente Sindical Unida) anunciaram uma greve geral para o dia da votação e chamaram uma manifestação para a frente do congresso. No mesmo horário do início da sessão, a praça já estava tomada por milhares de manifestantes e trabalhadores contrários ao projeto. Em sua maioria, metalúrgicos, petroleiros, gráficos, professores e funcionários públicos, manifestaram-se ao lado de organizações sociais e partidos de esquerda.
Segundo a CGT, a taxa de adesão à greve geral foi de 90%, mesmo com o governo ameaçando descontar o salário de todos os funcionários públicos que aderissem ao movimento paradista. A reforma trabalhista já aprovada pelo senado altera pontos centrais da legislação trabalhista argentina. Entre os principais pontos estão: a redução dos valores pagos em demissões sem justa causa, a permissão para pagamentos não em dinheiro, mas em bens e serviços, a ampliação da jornada de trabalho para até 12 horas e a limitação do direito de greve.
Em sua maior parte, as manifestações transcorreram pacificamente. Contudo ao final da tarde, quando os sindicatos e grupos já havia se dispersado houve um momento de tensão e a ação policial repressiva começou. Ação já ameaçada de antemão pela ministra da segurança Alejandra Monteoliva, como ato de intimidação contra a mobilização. Cerca de 70 manifestantes precisaram de atendimento médico devido a ferimentos causados por balas, cassetetes e gás lacrimogêneo, além de 11 prisões.
Novas marchas, manifestações e greves já estão sendo chamadas para a próxima semana, quando o projeto de lei do governo retornará ao Senado para sua provável aprovação final.





