A Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços da Central Única dos Trabalhadores (Contracs-CUT) e a Comissão Nacional de Greve dos Garis e Margaridas decidiram suspender a paralisação nacional no Brasil, na quarta-feira (24). A retirada temporária do movimento ocorreu após dois dias de mobilização e manteve como centro a exigência de votação do Projeto de Lei 4.146/2020, que regulamenta a profissão dos garis.
Em dois dias, a greve alcançou sete capitais: Brasília, Vitória, São Luís, Maceió, Cuiabá, Salvador e Natal. Além dessas, dezenas de municípios em todas as regiões registraram participação de trabalhadores da limpeza urbana. O alcance do movimento buscou mostrar a força da categoria.
A decisão de suspender a greve foi apresentada em nota oficial como resultado de “diálogo com entidades de base, escuta dos sindicatos, avaliação de cenários locais e consulta aos trabalhadores mobilizados”. Na prática, a categoria recua diante de pressões da burguesia e do judiciário.
A nota da Contracs-CUT mostra o principal motivo do recuo do movimento grevista. O poder judiciário utilizou a tese dos “serviços essenciais” para proibir a greve dos garis. Ao invés de manter o movimento até o Senado e o judiciário se curvarem, a entidade sindical capitulou sem haver nenhuma garantia concreta para a categoria. A própria nota da confederação explica:
“A Contracs-CUT e a Comissão Nacional de Greve também registram que, em alguns municípios, sindicatos tiveram que enfrentar medidas judiciais, como interditos proibitórios, tentativas de intimidação e restrições ao direito constitucional de greve. Esses episódios serão avaliados juridicamente e politicamente pela Confederação, pela Comissão Nacional de Greve e pelas entidades de base, para que os próximos passos do movimento sejam construídos com segurança, unidade e proteção a cada trabalhador e trabalhadora”.
O PL 4.146/2020, pelo qual os garis estão em luta, prevê pontos como piso salarial nacional, valorização profissional e melhores condições de trabalho. A proposta já tramita no Senado Federal e segue como principal eixo da campanha nacional da categoria.
A Contracs-CUT afirmou que a suspensão não encerra totalmente a mobilização, que o movimento permanece organizado nacionalmente e que pode retomar novas formas de luta caso o Senado continue sem pautar a proposta. Apesar do recuo, a entidade sindical tratou a paralisação como vitória política por ter “colocado a reivindicação no centro do debate público e pressionado parlamentares”. A versão otimista do ocorrido tenta não mostrar que a confederação falhou em segurar o movimento grevista até um resultado concreto para a categoria. A greve precisaria mostrar à burguesia o poder da categoria, pois a burguesia só entende a linguagem da força.





