A revista britânica The Economist, porta-voz tradicional do imperialismo e do grande capital financeiro, usou o Brasil como exemplo para defender, em linguagem supostamente “técnica”, o seu programa econômico para o País: um choque de austeridade contra os trabalhadores.
Em artigo publicado no dia 15 de fevereiro de 2026, reproduzido pela grande imprensa brasileira, a revista afirma que “o alerta mais oportuno” para as economias centrais viria do Brasil. O motivo, porém, não é nenhuma novidade: o país estaria preso a uma armadilha de juros altos e dívida pública, que, para o grande capital, exigiria um ajuste permanente. O texto admite que o orçamento primário “está quase equilibrado”, que o País tem “crescimento razoável” e “banco central independente”, mas transforma tudo isso em detalhe secundário diante do ponto principal: o governo precisa pagar juros “altíssimos” e, por isso, teria de “tomar emprestado cerca de 8% do PIB por ano para pagar os juros”, com a taxa curta em 15%.
A própria The Economist deixa escapar, com todas as letras, o núcleo político da campanha: não haveria saída “responsável” sem austeridade. Segundo a revista, é “improvável” reduzir o déficit por austeridade porque Lula “afrouxou as restrições orçamentárias”. E conclui que, se os juros não caírem “drasticamente”, a dívida aumentará “consideravelmente”. Em outras palavras: ou o governo aceita um pacote brutal de cortes e reformas, ou será acusado de empurrar o país para uma “espiral” fiscal.
O texto vem acompanhado do comentário — destacado na própria reprodução do artigo — de que “se Lula for reeleito, chance de ajuste fiscal é zero; se oposição ganhar, ajuste será insuficiente”. A frase é reveladora por dois motivos.
Primeiro, porque mostra que a burguesia não está satisfeita com “sinalizações”, contingenciamentos ou remendos: quer uma ofensiva de conjunto, um trator neoliberal que passe por cima de direitos, salários, investimentos sociais e qualquer política mínima de proteção à população.
Segundo, porque evidencia que o problema, para o grande capital, não é apenas Lula: é qualquer governo que não se disponha a impor o nível de arrocho exigido pelos bancos. Mesmo uma eventual vitória da direita não garantiria, segundo eles, o “ajuste” desejado — isto é, o nível de ataque necessário para arrancar do povo os recursos que hoje são sugados pelo sistema da dívida e pelos juros.
Essa questão joga luzes sobre o problema Jair Bolsonaro. O presidente, ainda que tenha indicado Paulo Guedes como ministro da Economia e tomado medidas neoliberais agressivas, como a reforma da Previdência e a privatização da Eletrobrás, não é neoliberal “suficiente” para o grande capital.
O alerta da revista porta-voz do imperialismo é claro: nas eleições presidenciais, a burguesia procurará favorecer um candidato que tenha o perfil de alguém como Javier Milei, alguém disposto a vender o País inteiro.





