O Exército sírio voltou a bombardear, nesta terça-feira (13), áreas do entorno de Alepo. Segundo o centro de comunicação das Forças Democráticas Sírias (SDF, na sigla em inglês), grupo apoiado pelos Estados Unidos, forças vinculadas ao governo sírio dispararam artilharia contra a cidade de Deir Hafer, no leste do campo de Alepo.
O Observatório Sírio para os Direitos Humanos (SOHR) informou que os projéteis atingiram o centro de Deir Hafer, provocando medo entre moradores e levando comerciantes a fechar lojas após o ataque. A entidade afirmou que, até o momento, não há relato de mortos ou feridos.
De acordo com o SOHR, o fogo de artilharia também atingiu a ponte de Um al-Tina, dentro de Deir Hafer. O bombardeio ocorreu pouco depois de o Ministério da Defesa sírio declarar Deir Hafer e a cidade vizinha de Maskanah, estendendo-se em direção ao rio Eufrates, como “zona militar fechada”.
A escalada ocorre em meio a acusações de ambos os lados. Nos últimos dias, forças ligadas ao governo sírio empossado pelo imperialismo afirmaram ter identificado a chegada de “grupos armados adicionais” a posições mantidas pelas SDF no leste de Alepo, nas proximidades de Maskanah e Deir Hafer, segundo nota divulgada pela agência estatal SANA. O comando de operações declarou que as movimentações incluiriam combatentes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) e pessoas ligadas ao antigo regime sírio, citando fontes de inteligência militar. As SDF negaram as acusações e rejeitaram alegações de concentração de forças na região.
Na mesma nota, o comando afirmou que a transferência do que chamou de “grupos terroristas” configuraria “grave escalada” e advertiu que qualquer ação militar seria respondida de maneira “violenta”, dizendo que o Exército não permaneceria “inativo” diante do que classificou como agravamento perigoso.
O novo bombardeio também se dá após dias de confrontos em bairros de Alepo, como Sheikh Maqsoud, Achrafieh e Bani Zaid. Em 9 de janeiro, o Ministério da Defesa anunciou cessar-fogo nas imediações dessas áreas a partir das três horas, depois de choques que resultaram em vítimas e expulsão de civis. Pouco antes do anúncio, o Ministério teria dado 20 minutos para moradores deixarem algumas zonas antes de ataques contra posições das SDF.
As versões sobre a aplicação do cessar-fogo permanecem contraditórias. As SDF afirmaram ter repelido tentativas de incursão por facções alinhadas a Damasco e disseram que um acordo, mediado internacionalmente, permitiria evacuar mortos, feridos, civis retidos e combatentes para o norte e o leste da Síria. Já fontes de segurança do governo pró-imperialista ouvidas pela Reuters disseram que não houve retirada durante a noite, apesar de um prazo estabelecido para a saída de grupos armados, com permissão apenas para armas leves pessoais.
No sábado, o comandante de Segurança Interna, Mohammad Abdul Ghani, declarou que forças governistas tomaram o controle do bairro de Sheikh Maqsoud após operações de varredura, afirmando que a ação buscaria “proteger civis” e retirar armamentos “fora da autoridade do Estado”. Em paralelo, informações divulgadas por órgãos do governo acusaram as SDF de atingir civis e instalações governamentais, inclusive com o relato de que um drone teria atingido o prédio da província de Alepo durante uma coletiva de imprensa com autoridades.
Em comentário publicado na rede social X, a ativista síria conhecida como Syrian Girl, que denunciou o golpe imperialista contra Bashar al-Assad e está atualmente exilada, atribuiu às SDF parte central da crise no norte do país. Diz o perfil:
“Milícias curdas como as SDF na Síria são a causa da própria ruína.
Por uma década, elas minaram o Estado que as protegia. Assad disse que os norte-americanos não vão proteger os curdos, e isso é verdade.
Ainda assim, as SDF escolheram depositar toda a sua confiança em ‘Israel’ e nos EUA, retendo o petróleo e a água da Síria sob Assad, exigindo a posse de terras que nunca foram delas. Até que o único Estado que as protegia da Turquia, o Estado baathista, colapsou.
Também é o caso de que muitas delas nem sequer são sírias, mas combatentes curdos estrangeiros de cidades ao redor. Assim como os combatentes de Jolani, que são terroristas do mundo todo.
A melhor coisa que pode acontecer à Síria é que os dois grupos de combatentes estrangeiros, os curdos apoiados por ‘Israel’ e a Al-Qaeda apoiada pela Turquia, se eliminem mutuamente.
Para isso, eu vou estourar a pipoca.”





