Os canais do Grupo Globo concentraram 49,4% de toda a verba publicitária destinada à televisão pela administração direta do governo Lula entre 2023 e o fim de 2025. Segundo levantamento do portal Poder360 com base em dados da Secretaria de Comunicação Social (Secom) corrigidos pela inflação, o conglomerado recebeu R$461,5 milhões em anúncios federais no período, o que representa mais que o dobro do faturamento obtido pela emissora nos primeiros três anos do governo de Jair Bolsonaro, quando a cifra foi de R$228,5 milhões. Enquanto a Globo registrou um salto de 102% em sua participação, concorrentes diretas como Record, SBT e Band perderam espaço proporcional na divisão dos recursos estatais.
A trajetória dos investimentos mostra que a Globo levou R$175,5 milhões em 2023, seguidos por R$169,8 milhões em 2024 e R$116,3 milhões em dados parciais de 2025. Sob Bolsonaro, a participação da emissora na fatia da televisão nunca havia atingido o patamar de 30%, mantendo-se em níveis próximos aos da Record e do SBT. Atualmente, a distância da líder para as demais redes disparou logo no primeiro ano do terceiro mandato de Lula e se manteve estável. A televisão continua sendo o principal meio de divulgação do governo, absorvendo 45,7% do orçamento total da publicidade federal em 2024.
Essa mudança coincide com a chegada de Sidônio Palmeira ao comando da Secretaria de Comunicação Social em janeiro de 2025. O investimento em internet, que representava cerca de 18% em 2023, também saltou para 35,2% em 2025. As grandes empresas de tecnologia foram as principais beneficiadas, com repasses para Google e Meta disparando 133% no último ano. Em contrapartida, o X, antigo Twitter, foi excluído do plano governamental após os embates entre o proprietário, Elon Musk, e o Judiciário brasileiro, não recebendo nenhum recurso em 2025.


