Polêmica

Genocidas precisam lavar a boca antes de falar do Irã

Enquanto cometem genocídio, sionistas tentam criar clima contra o Irã no Brasil para justificar guerra do imperialismo ao país

Mesmo após pouco mais de dois anos de um genocídio transmitido ao vivo pela internet para todo o mundo, em que oficialmente mais de 71 mil pessoas foram assassinadas, mulheres, crianças e idosos em sua maioria, ainda assim, “Israel” consegue surpreender por sua hipocrisia.

No último dia primeiro de fevereiro, o presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib), Claudio Lottenberg, e seu assessor e ex-presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp), Marcos Knobel, publicaram um texto de propaganda a favor de “Israel” na Folha de São Paulo intitulado “A hipocrisia do silêncio”, no qual os dois defensores do genocídio na Palestina lamentam que os brasileiros não caiam tão facilmente nas mentiras do sionismo e do imperialismo.

Antes de comentar o texto, é preciso lembrar que entidades como a Conib e a Fisesp são braços de “Israel” dentro do Brasil, ajudando tanto na propaganda do regime sionista quanto na perseguição aos brasileiros que se opõem ao genocídio e a colonização da Palestina.

O texto começa com denúncias contra o Irã:

Nas últimas semanas, o mundo assiste a um dos episódios mais brutais da história recente do Irã. Milhares de iranianos foram às ruas para protestar por liberdade e por melhores condições de vida em um país mergulhado em grave crise econômica e submetido, desde 1979, a um regime teocrático autoritário.

A repressão do governo foi violenta e sistemática. Cidadãos desarmados foram alvejados pelas forças de segurança, resultando em milhares de mortes, em um dos períodos mais letais das últimas décadas. Para impedir que a realidade viesse a público, o regime restringiu o acesso à internet, numa tentativa explícita de silenciar denúncias e ocultar violações de direitos humanos.

O que aconteceu nos últimos dias dentro do Irã foi apenas a continuidade da política imperialista contra o país, o que deve evoluir para uma guerra no próximo período. Por conta de sanções econômicas do imperialismo contra o Irã, algumas pessoas realmente fizeram manifestações pacíficas, sem que houvesse nenhuma repressão por parte do governo, que tentou controlar a situação também de forma pacífica.

No entanto, agências do imperialismo como a CIA, o MI6 e o Mossad se infiltraram no meio dos manifestantes e passaram a atacar com armas tanto membros das forças de segurança quanto civis iranianos.

Para se ter uma ideia, o Irã apresentou cerca de três mil membros da polícia e demais forças de segurança iranianas assassinados pelos supostos manifestantes. As armas foram todas conseguida por meio de contrabando do imperialismo para dentro do Irã.

As mentiras são tamanhas que recentemente viralizou na internet o vídeo de uma menina israelense que, enquanto assistia o noticiário israelense, se reconheceu em uma das fotos que eram apresentadas como pessoas que o regime iraniano teria assassinado. O caso, inclusive, não foi o único, com mais pessoas dizendo terem presenciado a mesma coisa.

Enquanto isso, o que realmente chocou o mundo foi a brutalidade do genocídio na Palestina cometido por “Israel”.

É verdade, no entanto, que o Irã restringiu o acesso à internet, mas não por um problema de censura de sua própria população e sim porque os protestos vinham sendo impulsionados pela internet por agentes de fora do país.

Por outro lado, manifestações muito maiores do que as dos supostos descontentes aconteceram a favor do regime iraniano, vindos da própria população que defende sua soberania e as conquistas que vieram depois da revolução de 1979, que derrubou o governo favorável a “Israel” do Xá.

O texto continua, com mais mentiras:

É impossível acompanhar esses acontecimentos sem estabelecer um paralelo com o ataque terrorista de 7 de outubro de 2023, quando o Hamas invadiu Israel, assassinou intencionalmente cerca de 1.200 pessoas e sequestrou outras 240. Também ali houve dor extrema, famílias destruídas e meses de angústia diante da incerteza sobre o destino dos sequestrados

A comparação, no entanto, é muito boa, já que desmonta duas farsas israelenses de uma vez. Isso porque, como dissemos acima, o número de mortos nos ataques de infiltrados de “Israel” e do imperialismo no Irã é de pelo menos três mil pessoas, considerando somente os mortos das forças de segurança iranianas. Ou seja, é quase o triplo do fajuto número de 1200 mortes causadas pelo Hamas no sete de outubro de 2023.

Desde a operação do Hamas, os próprios israelenses admitiram que mataram seus próprios cidadãos para impedir que eles fossem tomados como prisioneiros de guerra pelos palestinos. Além disso, todas as mortes de israelenses sob custódia do Hamas na Faixa de Gaza aconteceram por conta dos bombardeios de “Israel”.

Ainda assim, “Israel” admitiu recentemente que os números divulgados pelo Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, de que 71 mil pessoas foram assassinadas na região por “Israel” são corretos. No entanto, o número deve ficar muito aquém da realidade, já que outras organizações diziam meses atrás que os números deveriam chegar a mais de 600 mil pessoas mortas no holocausto promovido pelos israelenses.

O que preocupa “Israel” é que, após toda a brutalidade demonstrada, o esforço de décadas para tentar pintar a ocupação da Palestina como algo democrático e pacífico, acabou. “Israel” não vai conseguir recuperar sua imagem, mas, como o imperialismo procura uma guerra contra o Irã, é necessário que países como o Brasil não se solidarizem com os iranianos, por isso a propaganda israelense agora cobrando declarações de condenação ao Irã.

Há, porém, uma semelhança ainda mais perturbadora entre esses episódios: o silêncio seletivo. Mais uma vez, organismos internacionais de direitos humanos e diversos países —entre eles o Brasil— parecem fechar os olhos para atrocidades evidentes. Assim como ocorreu diante do massacre cometido pelo Hamas, observa-se agora uma postura tímida e conivente frente à violência promovida pelo regime iraniano liderado pelo aiatolá Ali Khamenei. É difícil compreender se essa omissão decorre de critérios ideológicos, conveniências políticas ou de uma perigosa relativização do sofrimento humano.

Infelizmente, aqui, eles estão mentindo. Infelizmente porque uma parte da esquerda cai na propaganda imperialista e passa a condenar o Irã, mesmo sem provas e sem nada parecido com que “Israel” vem fazendo na Palestina, somente por conta da pressão da opinião da direita.

No entanto, a farsa é facilmente desmontada. Enquanto a Folha de São Paulo, um dos jornais mais lidos do país, dá uma coluna para a Conib, nada nem parecido a favor do Irã é dado pela imprensa imperialista no Brasil. Sendo assim, a ideia de que “Israel” é perseguido e o Irã é protegido é uma falácia completa.

A hipocrisia se completa ainda com parágrafos como os seguintes:

No ataque de outubro, mulheres, adolescentes e idosos foram brutalmente assassinados e violentados. Ainda assim, muitas vozes que se dizem defensoras dos direitos das mulheres optaram pelo silêncio. O mesmo se repete agora no Irã, onde mulheres são sistematicamente reprimidas, privadas de voz, obrigadas a cumprir códigos rígidos de vestimenta, punidas com violência extrema e submetidas a um cotidiano de medo permanente por desafiarem as imposições do regime.

Após bombardearem toda a Faixa de Gaza, destruindo todas as cidades milenares, todas as mesquitas, todas as igrejas cristãs, todas as casas, empresas, escolas, hospitais e toda a infraestrutura, após ter como alvos preferenciais as crianças, as mulheres e os idosos com vídeos transmitidos pelos próprios agentes do genocídio, “Israel” cobra que se condene aqueles que enfrentam esses monstros de armas na mão.

Pior, usam o truque do identitarismo, como se “Israel” fosse um paraíso para as mulheres e diversas religiões, quando a realidade é que mesmo nos momentos menos brutais da colonização da Palestina, o que vigora em “Israel” é um apartheid como era o que existia na África do Sul, com locais em que os palestinos não podem ir em sua própria terra.

Como dissemos acima, o imperialismo está preparando uma guerra contra o Irã, principalmente por conta da atuação revolucionária do país na região, com o treinamento, o apoio e o envio de armas e suprimentos para os diferentes grupos da resistência no Líbano, no Iêmen, no Iraque e na Palestina. Essa política é, inclusive, a única que pode tentar garantir a existência de “Israel” na região, já que a colonização da Palestina já não consegue conter a mobilização pela independência da região como fazia em outros momentos. Por isso, a Conib pressiona o governo brasileiro a atacar o Irã e tenta transformar o Brasil numa ditadura em que a defesa dos Palestinos seja um crime:

Causa especial perplexidade a postura de autoridades brasileiras que foram céleres e duras ao criticar Israel, mas ignoraram as mulheres judias assassinadas pelo Hamas e, agora, mantêm silêncio diante da repressão às mulheres iranianas. As manifestações oficiais do Brasil sobre o tema têm sido excessivamente suaves, minimizando a gravidade de crimes que chocam o mundo.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.