O vice-comandante das Forças Terrestres do Exército iraniano, brigadeiro-general Siros Amanollahi, afirmou que a prontidão da força permanece em nível elevado e que as unidades estão “totalmente preparadas para confrontar quaisquer movimentos hostis” e defender o país diante de ameaças externas.
Segundo Amanollahi, a capacidade operacional das forças terrestres se mantém completa em diferentes frentes e inclui meios que, hoje, são centrais na defesa do Irã. “Nos campos de drones, defesa antiaérea e mísseis, estamos totalmente prontos para cumprir missões contra quaisquer ações hostis e defender a pátria”, declarou o general, apontando essas capacidades como pilares da estrutura defensiva iraniana.
O brigadeiro-general atribuiu parte desse patamar de preparação a exercícios militares realizados recentemente. De acordo com ele, manobras e treinamentos contribuíram para elevar a coordenação entre unidades, a velocidade de resposta e a eficiência operacional. Amanollahi afirmou ainda que a experiência acumulada na chamada “guerra de doze dias” reforçou a prontidão de combate.
Além disso, o general declarou que as Forças Terrestres conseguem deslocar tropas e meios para qualquer área em que surjam ações hostis “em curto prazo”, mediante ordem do comandante-em-chefe. Ele também disse que a modernização de equipamentos segue em curso, com atualização de meios e adequações ao que descreveu como exigências do campo de batalha.
A declaração ocorre em meio ao aumento das tensões na Ásia Ocidental e à continuidade de negociações indiretas entre Irã e Estados Unidos sobre o programa nuclear iraniano. Em declarações recentes, o porta-voz das Forças Armadas do Irã, brigadeiro-general Abolfazl Shekarchi, advertiu que qualquer “cálculo errado” pode levar a um conflito em larga escala e afirmou: “não buscamos acender guerras, mas não as tememos”, acrescentando que o Irã defenderá “com firmeza” o país e os interesses do povo.
Do lado norte-americano, Donald Trump afirmou que decidiria em poucos dias se insistiria no caminho diplomático ou adotaria “passos adicionais” contra o Irã, dizendo: “agora talvez tenhamos que dar um passo além, ou talvez não”, e acrescentando: “talvez façamos um acordo [com o Irã]”. Em paralelo, o vice-presidente J.D. Vance declarou ao jornal The Washington Post que um novo ataque não arrastaria os Estados Unidos para outra guerra prolongada. “A ideia de que vamos estar em uma guerra no Oriente Médio por anos, sem fim à vista — não há chance de isso acontecer”, disse, embora tenha defendido que o governo não seja excessivamente reticente em empregar força militar.
As ameaças são acompanhadas por mobilização militar. Relatos apontam que o governo norte-americano reuniu 16 navios de guerra, cerca de 40 mil militares e diversas asas aéreas distribuídas por bases na Jordânia, Cuaite, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, além de reforços embarcados nos porta-aviões USS Abraham Lincoln e USS Gerald R. Ford.
Entre os republicanos, crescem as críticas a uma nova agressão que atenda aos interesses de “Israel”. O apresentador Tucker Carlson questionou, em entrevista recente, o embaixador dos EUA em “Israel”, Mike Huckabee. Huckabee afirmou que “Israel” teria um “direito bíblico” às terras que controla e a áreas além, dizendo que “seria bom se eles tomassem tudo”. A Liga Árabe condenou a declaração, chamando-a de “extremista” e “sem qualquer base sólida”.
No terreno diplomático, Omã segue atuando como mediador. Está previsto um encontro do chanceler de Omã, Badr Albusaidi, com J.D. Vance e outros funcionários do governo dos EUA. Do lado iraniano, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou que houve “maior progresso” na terceira rodada de negociações indiretas, classificando-a como “a mais intensa até agora”, com avanços tanto na questão das sanções quanto no tema nuclear, embora persistam divergências. Araghchi também indicou a possibilidade de uma nova rodada em até uma semana e informou que equipes técnicas devem iniciar consultas em Viena em 2 de março, junto à Agência Internacional de Energia Atômica.
Araghchi declarou ainda, em conversa telefônica com o chanceler do Egito, Badr Abdelatty, que o êxito das negociações depende da “seriedade e realismo” dos Estados Unidos e da retirada de “exigências excessivas”. Abdelatty disse apoiar a via diplomática e advertiu para as consequências de qualquer solução militar. Em outra ligação, Araghchi conversou com o chanceler do Iraque, Fuad Hussein, sobre a necessidade de coordenação regional para preservar a estabilidade.
A escalada levou o Ministério das Relações Exteriores da China a recomendar que cidadãos chineses deixem o Irã “o mais rápido possível”, citando riscos de segurança. No mesmo dia, os Estados Unidos autorizaram a saída de funcionários não essenciais de sua embaixada em “Israel”.
No plano militar, a Marinha iraniana anunciou o retorno da 103ª flotilha às águas territoriais do país após 100 dias em águas internacionais. A flotilha, composta pelo navio-base Makran e pelo destróier Shahid Naqdi, além de um porta-helicópteros do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica, participou do exercício “Will for Peace” na África do Sul. Ao receber a flotilha no porto de Konarak, o comandante Emad Nejad Moridi disse que a força defenderá os interesses e fronteiras marítimas do Irã “até o último suspiro”. O exercício naval, no âmbito do BRICS Plus, reuniu forças de Irã, China, Rússia, África do Sul, Etiópia, Indonésia, Brasil, Egito e Emirados Árabes Unidos, com mais de 20 unidades navais e aéreas e treinamento com tiros reais.
A tensão também aparece na posição de forças aliadas do Irã na região. A organização iraquiana Hesbolá Caetebe, integrante das Unidades de Mobilização Popular, declarou que os Estados Unidos sofreriam “perdas massivas” caso iniciem nova agressão na Ásia Ocidental e convocou seus integrantes a se prepararem para uma “guerra de atrito” caso o conflito se amplie.



