Mais de 230 estudantes e professores foram mortos e centenas ficaram feridos desde o início da guerra conduzida pelos Estados Unidos e por “Israel” contra o Irã, em uma ofensiva que vem devastando diretamente escolas, hospitais e outras infraestruturas civis essenciais. Dados do Ministério da Educação iraniano apontam que mais de 600 instalações educacionais e culturais foram destruídas, revelando o caráter sistemático dos ataques contra o setor educacional do país.
Entre os episódios mais brutais está o ataque à escola Al-Shajara Al-Tayyiba, em Minab, no sul do Irã, logo no início da guerra, no final de fevereiro. O bombardeio resultou na morte de 160 estudantes, em um massacre que chocou a população. Autoridades iranianas encontraram destroços de mísseis Tomahawk fabricados nos Estados Unidos no local e, posteriormente, um jornal norte-americano revelou que uma investigação militar preliminar confirmou a responsabilidade direta de Washington pelo ataque.
A ofensiva contra alvos civis provocou reações internacionais tímidas. A organização Amnesty International exigiu responsabilização dos responsáveis pelo ataque ilegal e mortal contra a escola. O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, também condenou os bombardeios contra hospitais e escolas no Irã e no Líbano, classificando essas ações como crimes de guerra.
Os danos não se limitaram ao sistema educacional. Segundo o Crescente Vermelho iraniano, ao menos 292 centros médicos e de socorro, incluindo hospitais, foram atingidos durante os bombardeios conduzidos pelos Estados Unidos e por “Israel”. Esses ataques resultaram na morte de 22 profissionais da saúde e deixaram outros 113 feridos, agravando drasticamente a capacidade de atendimento médico à população civil.
Diante dessa ofensiva, o Irã intensificou suas operações militares contra bases e ativos norte-americanos e contra a entidade sionista, no âmbito da operação denominada “Promessa Cumprida 4”. As ações integram a resposta declarada do país aos crimes cometidos contra sua população e sua infraestrutura.
No Líbano, repetição do mesmo padrão
O mesmo método de guerra contra civis vem sendo aplicado no Líbano. De acordo com dados do Ministério da Saúde libanês e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), pelo menos 111 crianças foram mortas e 334 feridas desde 2 de março em ataques israelenses no país. Isso equivale, segundo autoridades da ONU, a uma sala de aula inteira de crianças mortas ou feridas a cada dia.
O vice-diretor executivo do Unicef, Ted Chaiban, destacou que a guerra vem destruindo por completo a vida cotidiana das crianças libanesas. Mais de um milhão de pessoas foram deslocadas pelas ordens de retirada do Exército israelense, entre elas cerca de 350 mil crianças que perderam acesso à moradia, à escola e a qualquer sensação de normalidade. Muitas dessas crianças passaram a se abrigar justamente em escolas públicas transformadas em centros de deslocados, o que agravou ainda mais a crise educacional.
Em Gaza fica clara a estratégia do terror contra a população
O método de terror contra escolas e universidades não é novo. Ele foi amplamente aplicado na Faixa de Gaza desde o início da guerra em outubro de 2023. Mais de 200 instalações educacionais foram atingidas, incluindo universidades. Até julho de 2024, todas as 19 universidades da região haviam sofrido danos severos, com cerca de 80% de seus edifícios destruídos.
Além disso, ao menos 103 acadêmicos foram mortos e cerca de 90 mil estudantes ficaram impossibilitados de continuar seus estudos. Dados das Nações Unidas indicaram que, em meados de 2024, 76% das escolas de Gaza exigiam reconstrução completa ou reparos significativos. Em 2025, estimativas apontavam que cerca de 95% dos prédios escolares tinham sido danificados ou destruídos. Em um dos episódios mais emblemáticos, a última universidade funcional da Faixa de Gaza foi demolida por meio de explosão controlada.
O padrão observado no Irã, no Líbano e em Gaza evidencia que o ataque deliberado à infraestrutura civil — especialmente escolas e hospitais — não se trata de erros isolados nem de efeitos colaterais inevitáveis. Ao contrário, constitui um método sistemático de guerra que busca impor o terror desde as primeiras horas do conflito, atingindo diretamente crianças, professores e profissionais da saúde.
Ao destruir escolas e hospitais, os Estados Unidos e “Israel” não apenas ampliam o número imediato de vítimas civis, mas também comprometem o futuro de sociedades inteiras, eliminando as condições básicas para a educação, a saúde e a reconstrução social. Esse método de guerra, baseado no terror contra a população civil, revela o caráter profundamente destrutivo das ações do imperialismo contra os povos oprimidos que não se resignam.




