Bahia

Garis iniciam greve nacional por tempo indeterminado

Categoria cobra piso de R$ 3.036, semana de 36 horas, insalubridade de 40% e aposentadoria especial

Trabalhadores da limpeza urbana iniciaram uma greve nacional, na Bahia, na segunda-feira (22), para pressionar o Senado Federal. A mobilização cobra a votação do Projeto de Lei nº 4.146/2020, conhecido como PL dos Garis e Margaridas, e pode afetar a coleta de lixo em cidades como Salvador por tempo indeterminado. A paralisação foi construída como resposta à demora na tramitação da proposta.

O movimento tem apoio do Sindicato dos Trabalhadores em Limpeza Pública e Terceirizados da Bahia (SindilimpBA), que defende a inclusão imediata do projeto na ordem do dia. A proposta já foi aprovada na Câmara dos Deputados e conta com requerimento de urgência apoiado por 60 senadores e senadoras. Mesmo assim, permanece travada no Senado, enquanto a categoria segue sem regulamentação nacional específica.

O PL dos Garis e Margaridas busca estabelecer direitos mínimos para trabalhadores da limpeza urbana. Entre os principais pontos estão a criação de piso salarial nacional de R$ 3.036, jornada semanal de 36 horas para atividades de coleta e varrição, adicional de insalubridade de 40% e aposentadoria especial após 25 anos de trabalho. A proposta abrange profissionais que atuam na coleta de resíduos, varrição de ruas, reciclagem e serviços em aterros sanitários.

Em Salvador, a greve foi confirmada pelo presidente do Sindilimp-BA, Luís Carlos Suíca, em conversa com a Bnews divulgada na terça-feira (16). Ele afirmou que a paralisação poderia atingir a coleta de lixo por tempo indeterminado e responsabilizou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, pela demora na votação. A previsão de impacto na capital baiana reforçou a dimensão prática da mobilização: sem garis e margaridas, as cidades deixam rapidamente de funcionar.

A coordenadora-geral do SindilimpBA, Ana Angélica Rabello, afirmou que a mobilização expressa uma cobrança por reconhecimento e valorização. A categoria sustenta atividades essenciais à saúde pública, à circulação urbana e ao funcionamento cotidiano das cidades, mas enfrenta baixos salários, exposição a riscos biológicos e acidentes. O trabalho, muitas vezes tratado como simples serviço operacional, é parte direta da estrutura de saneamento e saúde coletiva.

A greve também expõe a ausência de garantias nacionais. Em períodos de crise sanitária, grandes eventos ou enchentes, os trabalhadores da limpeza urbana são chamados a manter as cidades em funcionamento. Porém, essa importância não se traduz automaticamente em salário, jornada, proteção e aposentadoria compatíveis com o desgaste físico e os riscos da função.

O projeto teve 60 assinaturas em requerimento de urgência, o que mostra que há base política para avançar, mas o presidente do Senado segue segurando o projeto. A greve por tempo indeterminado significa que não há encerramento previamente fixado. A continuidade depende das deliberações da categoria e dos desdobramentos políticos no Senado. Enquanto não houver resposta, o movimento tende a manter a pressão, com impacto maior em cidades onde sindicatos aderirem de forma ampla.

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