O governo Lula carrega consigo uma característica particularmente negativa para o movimento popular: ele atua no sentido diametralmente oposto à necessidade fundamental de uma política revolucionária. Em vez de elevar a consciência política das massas, o governo apresenta suas debilidades e sua política de adaptação ao regime como se fossem grandes vitórias.
O quinto mandato do Partido dos Trabalhadores (PT) é um fracasso, e talvez o maior exemplo disso seja a política externa. Na questão da Palestina, o governo brasileiro fez campanha contra a resistência palestina, classificando-a como “terrorista” em inúmeras oportunidades. A condenação do genocídio foi quase tão genérica e demagógica quanto a dos países imperialistas.
Mas o caso da Venezuela é onde isso fica mais evidente. Primeiro, o não reconhecimento das eleições venezuelanas sob o pretexto de “falta de atas”, quando todos sabiam que o processo ocorria sob pressão do imperialismo. O governo brasileiro deu ouvidos à oposição de Corina Machado e, num gesto que espantou o mundo, vetou a entrada da Venezuela nos BRICS. Foi esse veto que abriu o caminho para a atual intervenção militar dos Estados Unidos. Enquanto o imperialismo cercava o país vizinho, Lula aparecia com declarações de que “Trump é meu amigo”. Não repudiou o cerco e foi pego totalmente na contramão dos acontecimentos com o sequestro de Nicolás Maduro.
Internamente, os defensores do governo apegam-se a índices econômicos fictícios. Alardeia-se o “menor desemprego da história”, mas ninguém vive de estatística, vive-se de realidades. Como falar em pleno emprego com 60 milhões de pessoas dependentes do Bolsa Família? Em estados do Nordeste, o programa atende à maioria da população. Se isso é sucesso econômico, as palavras perderam o significado. O que existe é uma economia destruída e uma tentativa de transformar dados artificiais em uma realidade que o povo não encontra na prateleira do supermercado.
O governo Lula é uma decepção generalizada para os trabalhadores que enfraquece a esquerda e a luta popular. Na medida em que o PT continua sendo o partido de maior audiência, as ilusões persistem, particularmente a ideia de que os problemas nacionais podem ser resolvidos via urna. O governo mostrou que não há saída pela via eleitoral. Ganhou a eleição, mas não conseguiu governar para o povo.
A próxima etapa dessa ilusão é a ideia de que a esquerda irá ganhar a próxima eleição. Mas fica a questão: ganhar para fazer o quê? Colocar Gabriel Galípolo no Banco Central para manter juros a 15%? Censurar a Internet? Ficar do lado de Trump contra a Venezuela? Para isso, seria melhor deixar a própria direita assumir e fazer a política dela.





