Nesta quarta-feira (28), foi realizado o podcast “Quarta Sindical”, promovido pelo jornal Brasil de Fato em parceria com a CUT Paraná, que teve como convidados a presidenta da Contraf/CUT, Juvandia Moreira, e o professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Emerson Cervi. O podcast teve como carro-chefe a avaliação dos fatores que levaram à reeleição de Lula para o mandato de 2027 a 2030.
Foram levantados vários fatores na tentativa de explicar a vitória de Lula. Tirando o papo furado do tal “exército de Janonis”, que é para “inglês ver” (a campanha de Lula contou com financiamento de grandes capitalistas e banqueiros, tais como Erasmo Battistella, maior produtor de biodiesel do Brasil; Pedro Freitas, da American Life Companhia de Seguros; Marco Aurélio de Carvalho, fundador do grupo Prerrogativas; e Walter Salles, filho do fundador do Unibanco, sem falar no apoio explícito da Rede Globo), o que mais chama a atenção é o argumento dessa “esquerda” pequeno-burguesa de que o fator mais decisivo para a vitória de Lula foi a “junção da esquerda com a direita democrática”, conforme destacou o professor da UFPR, Emerson Cervi.
A afirmação de que a “direita democrática”, ou, como queiram, a “Frente Ampla”, é um fator progressista para o movimento dos trabalhadores cai totalmente por terra no meio sindical, que dirá no movimento geral da população.
A paralisia que predomina hoje, e já há um bom tempo, no movimento sindical não é, como querem algumas lideranças, simples reflexo de um “atraso da classe trabalhadora”, a qual, em momentos de grande confronto, manifestou claras tendências à evolução política, mas produto do freio imposto ao movimento operário por suas direções, a partir da política de colaboração de classes típica da Frente Ampla, tão defendida pelas burocracias sindicais.
Os defensores da Frente Ampla não vão além da primeira regra da aritmética: a soma. A soma de socialistas, sociais-democratas, liberais e burgueses progressistas é maior que cada um de seus termos.
Sem dúvida, a aritmética não basta: falta, no mínimo, conhecimento de mecânica. A lei do paralelogramo de forças verifica-se inclusive na política. A resultante é, como se sabe, tanto menor quanto mais divergentes forem as forças entre si. Quando aliados políticos puxam em direções opostas, não se chega a lugar algum (a resultante é zero). A aliança do trabalhador com a burguesia, cujos interesses formam, nas questões fundamentais, um ângulo de 180º, não pode, em termos gerais, senão paralisar a força reivindicatória do trabalhador. Essas verdades representam a irrefutável conclusão de toda a experiência histórica. A história está cheia de Frentes Amplas (que nada mais são que as Frentes Populares caracterizadas pelos marxistas), com as mais diversas combinações possíveis para enganar os trabalhadores.
Nesse quadro, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), seguindo a orientação da Corrente Majoritária do PT (Articulação), em consonância com outros partidos de esquerda (PCdoB e PSOL) e em aliança com partidos burgueses (PSDB, PSB, PSD e PDT), estabelece uma política de conchavos com o vice de Lula, Geraldo Alckmin; com os presidentes das casas do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil) e Hugo Motta (Republicanos); e com o STF, principalmente com o ministro Alexandre de Moraes. Assim, alimenta entre os trabalhadores a ilusão de que, por essa via, será possível atender às suas reivindicações.
A paralisia do movimento sindical diante dos ataques dos diversos governos manifesta-se na ausência de reação aos sucessivos ajustes fiscais, às “reformas” da Previdência, ao arrocho salarial, ao desemprego e aos ataques aos serviços públicos e aos servidores. Manifesta-se também na falta de medidas efetivas para impulsionar a luta dos trabalhadores das estatais contra as privatizações e na omissão diante da tarefa fundamental de unificar as campanhas salariais de bancários, trabalhadores dos Correios, petroleiros, professores e metalúrgicos neste ano, por exemplo.
O método de capitulação e aliança com setores da direita cheirosa, que a burocracia chama de democrática, é incompatível com os objetivos de impulsionar, ampliar e unificar a luta dos trabalhadores por suas necessidades.
A essa política de capitulação e colaboração com os inimigos, os trabalhadores devem opor a mobilização e a organização a partir de seus locais de trabalho, para dar um verdadeiro combate à burocratização dos sindicatos e da CUT. A mobilização concreta dos trabalhadores, por meio de suas próprias organizações e formas de luta, é o único caminho para barrar a ofensiva reacionária da direita.





