A aposta de que a Justiça burguesa, o STF, o TSE ou a Polícia Federal resolveriam o “problema da extrema-direita” provou-se uma ilusão custosa. Enquanto se concentram em pedidos de prisões e inquéritos, a direita de Jair Bolsonaro e seus aliados, como na recente manifestação convocada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL), em Brasília ou nos atos na Avenida Paulista, ganha musculatura nas ruas e se apresenta como uma oposição combativa ao regime.
A iniciativa política e de mobilização popular se concentra crescentemente nas mãos dos setores reacionários. O resultado é previsível: diante de uma população empobrecida e frustrada com as promessas não cumpridas do governo de frente ampla, o bolsonarismo se mostra como uma alternativa de contestação. A esquerda institucional, por sua vez, desmoralizada por sua política de conciliação e capitulação diante da burguesia — evidenciada pelos ajustes fiscais e por uma diplomacia reacionária que condena o Irã sob o pretexto de “direitos humanos” enquanto se dobra aos EUA contra a Venezuela —, vê sua capacidade de mobilização definhar, deixando o espaço das avenidas para a direita.
Paralelamente, o movimento de perseguição, que se soma a um governo de conciliação, apenas fortalece o bolsonarismo, ao invés de derrotá-lo politicamente com um programa de mobilização popular e independência de classe. Ao bolsonarismo é dada a posição de vítima do “aparato repressivo do Estado burguês”.
A luta contra a extrema-direita, como a história ensina, não se faz por meio de tribunais, mas sim nas ruas, com independência de classe, contra o neoliberalismo e o imperialismo.
Neste tabuleiro, a direita tradicional, pró-imperialista e mais perigosa para os trabalhadores, se articula para impor seu próprio projeto de poder para 2026. Preparam a eleição de um candidato reacionário que esteja profundamente comprometido com os interesses do capital financeiro, dos bancos e do imperialismo, apoiado por partidos tradicionais e seus chefes políticos. Enquanto esse setor busca se organizar fora do bolsonarismo, o próprio Tarcísio de Freitas (Republicanos) – umas das opções preferenciais da direita -, reconhece que a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República está “se consolidando rapidamente”, graças à força do nome Bolsonaro.
O cenário aponta para uma crise dupla: o fracasso da estratégia repressiva da esquerda parlamentar e o esforço do “centro” em canalizar a disputa eleitoral para uma alternativa que garanta a plena retomada do projeto neoliberal. A iniciativa política e a capacidade de pressão concentram-se nos setores reacionários que agora disputam a hegemonia da direita.
A esquerda classista necessita tirar lições, apontar para ruptura urgente com a conciliação com a burguesia, e fortalecer a luta por uma política de defesa dos interesses do povo trabalhador e sua organização e mobilização com independência da burguesia e seus lacaios.





