Ana Clara Gomes Machado brincava perto de casa com o irmão de dois anos quando foi atingida por um disparo de fuzil, em 02/02/2021, durante uma ação da Polícia Militar em Niterói. Tinha cinco anos. O PM acusado de efetuar o disparo, Bruno Dias Delaroli, ainda não passou pelo Tribunal do Júri. Flávio Bolsonaro participou de sua defesa e assinou um recurso contra a decisão de levá-lo a julgamento.
A denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro afirma que Delaroli atirou numa área residencial e assumiu o risco de atingir os moradores. A defesa sustentou que os policiais enfrentavam homens armados. A investigação encontrou vestígios compatíveis com o fuzil usado pelo agente, mas não as cápsulas de pistola que comprovariam a troca de tiros descrita pela defesa. O policial foi denunciado por homicídio com dolo eventual.
Depois de a Justiça determinar o júri, Flávio Bolsonaro entrou na equipe de advogados de Delaroli. O recurso assinado pelo senador ao Superior Tribunal de Justiça tentou reverter essa decisão e foi rejeitado. Lula cobrou Flávio sobre o caso no debate presidencial de 18/10. A pergunta trouxe de volta ao centro da campanha uma morte que a família de Ana Clara espera há mais de cinco anos para ver julgada.
A escolha de Flávio como advogado tem peso político porque o senador pede mais poder para as forças policiais. Em bairros pobres, essa política se traduz em operações com armamento de guerra perto das casas, das escolas e das crianças. A defesa do acusado seguirá seu curso; a responsabilidade criminal de Delaroli caberá aos jurados decidir.
O PCO defende a extinção das polícias militares. Ana Clara morreu durante uma ação da corporação que o bolsonarismo quer fortalecer. Sua família continua à espera do julgamento do agente acusado de atirar.





