Saif al-Islam Gadafi, filho de Muamar Gadafi, foi morto em uma emboscada em sua residência na Líbia, conforme comunicados divulgados por integrantes de sua equipe política e por órgãos locais do país. A morte foi anunciada na terça-feira (3) em publicações no Facebook feitas por seu advogado, Khaled al-Zaidi, e pelo assessor político Abdulá Othman.
De acordo com Othman, homens armados teriam atacado Saif al-Islam em sua casa, nos arredores da cidade de Zintan, a cerca de 136 quilômetros ao sudoeste de Trípoli. A equipe política do filho de Gadafi declarou que “quatro homens encapuzados” invadiram a residência e cometeram um “assassinato covarde e traiçoeiro”. A nota afirma ainda que os homens teriam desativado as câmeras de segurança “numa tentativa desesperada de ocultar as pistas” do crime. Segundo o comunicado, Saif al-Islam e integrantes de sua escolta teriam reagido antes de ele ser morto.
Após o anúncio, Khaled al-Mishri, ex-chefe do Alto Conselho de Estado sediado em Trípoli, pediu “uma investigação urgente e transparente” sobre o assassinato.
Nascido em junho de 1972, em Trípoli, Saif al-Islam era apontado como uma das figuras mais influentes do círculo de poder da antiga Jamahiriya líbia, embora não tenha ocupado cargo oficial no governo. Durante a ofensiva imperialista de 2011 contra o regime de Muamar Gadafi, que resultou no assassinato de seu pai, Saif al-Islam passou a ser um dos rostos públicos da repressão, fazendo ameaças de que “correriam rios de sangue” e que o governo lutaria “até o último homem, mulher e bala”.
Ele acumulava acusações relacionadas a tortura e violência, entrou em listas de sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) e era procurado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes contra a humanidade. Capturado em 2011, quando tentava fugir para o Níger, foi preso em Zintan. Em 2015, foi condenado à morte à revelia por um tribunal de Trípoli. Em 2017, foi solto após um indulto geral e, desde então, vivia em Zintan de forma discreta, segundo pessoas próximas, por temer ser alvo de atentado.
O episódio ocorre num país que, desde a derrubada e morte de Muamar Gadafi em 2011, após a intervenção militar da OTAN e a fragmentação do Estado líbio, vive sob disputa entre facções e milícias, com sucessivas crises de segurança e instabilidade política.





