O artigo Por que uma análise de conjuntura?, de Emir Sader, publicado nesta quarta-feira (21) no Brasil 247, tenta resolver a realidade a partir das ideias.
No primeiro parágrafo, Sader diz que “qualquer força política que pretenda desempenhar um papel no século XXI tem que se dar conta das condições em que terá que atuar. A compreensão dessas condições”, segundo ele, “torna-se indispensável para que tenha sucesso na disputa e possa ter um desempenho acorde com os novos fenômenos que caracterizam o novo século.”.
Trata-se de uma visão idealista, pois não basta ter compreensão das condições, pois o sucesso, ou insucesso, depende também de determinadas conjunturas que não se pode controlar. Ainda assim, o autor prossegue dizendo que “essa análise precisa, antes de tudo, partir de uma visão do mundo contemporâneo, dos protagonistas em disputa, dos maiores desafios em jogo e de uma perspectiva de futuro”.
Para Sader, “o primeiro elemento novo e determinante no mundo atual é o declínio, ou até mesmo a decadência, da hegemonia norte-americana.” Pois, “se o século XX foi um século norte-americano, por sua força política, econômica, tecnológica, cultural e militar indiscutíveis, este século apresenta um quadro distinto.”.
O declínio não é exatamente dos Estados Unidos, apenas que este é o país mais importante do imperialismo, que é quem realmente está em crise.
Como país mais forte e desenvolvido, os EUA acabam empurrando sua crise para os outros, inclusive os do bloco imperialista.
No conflito entre Rússia e a Ucrânia, por exemplo, os americanos estão empurrando a crise para a Europa. Países como a Alemanha, Itália estão passando por um grave problema e a indústria desses países sofre com o preço da energia.
Multilateralismo
Após falar sobre a Guerra Fria, que supostamente servia como um freio, pelo menos forçava um certo equilíbrio militar, o fato é que URSS nunca foi de fato uma ameaça. O que é essencial, como o domínio dos mercados e do sistema financeiro esteve sempre nas mãos do imperialismo.
Segundo Sader, “este século já não é um século norte-americano. Diante do bloco liderado pelos Estados Unidos, que segue contando com a Europa e o Japão, surgiu um novo bloco — os Brics —, que reúne a força econômica e tecnológica da China, o poderio militar da Rússia, a capacidade de articulação política do Brasil e uma longa série de países já incorporados ao grupo, incluindo antigos aliados dos Estados Unidos, como países petroleiros do Oriente Médio, além daqueles que pretendem se somar a esse movimento.”.
O BRICS, por enquanto, não ameaça o imperialismo. Soma-se a isso a infomação de que dois importantes países integrantes têm relações estreitas com o imperialismo.
Sader se esquece que o imperialismo não vai ficar assistindo um bloco ameaçando sua hegemonia, não sem lutar.
Adiante, Sader diz que “o segundo mandato de Donald Trump representa quase uma espécie de suicídio político dos Estados Unidos, ao buscar afirmar interesses próprios do país em contraposição aos de praticamente todos os outros campos”.
A eleição de Trump ocorreu porque o imperialismo não conseguiu conter. Foram inúmeras tentativas, como uma avalanche e de processos e até tentativa de assassinato.
Trump eleito é justamente a expressão da crise do imperialismo. Seria suicídio se o tivessem escolhido.
Curioso que Sader escreve que “a própria Europa, antiga aliada dos Estados Unidos, ao se ver atacada — inclusive de forma grosseira, como nas ambições de apropriação da Groenlândia e na imposição de tarifas — passa a se distanciar, pela primeira vez de forma explícita, da potência norte-americana. Até mesmo o Canadá, vizinho que o governo Trump chegou a pretender anexar, estabelece acordos estratégicos com a China”.
Sader fala como se a Groenlândia já não estivesse nas mãos do imperialismo.
Interessa para a esquerda colocar Donald Trump como o culpado da bagunça que se instalou na política internacional. A resposta é simples: a esquerda está a reboque do partido Democrata americano, o porta-voz do imperialismo e da democracia burguesa.
Analisando friamente, Biden foi muito mais perigoso, apenas jogou
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Após dar toda uma volta, Emir Sader acaba chegando a Lula. Diz que este “conseguiu fazer com que a economia voltasse a crescer; alcançou o que pode ser considerado pleno emprego e manteve o controle da inflação. Apesar de não dispor de maioria no Congresso”. E que “aparece como o candidato que derrotaria todos os seus eventuais adversários em uma disputa por um quarto mandato do PT”.
A história da importância de se fazer análise de conjuntura tem conteúdo eleitoral, que a única coisa que a esquerda consegue pensar.
Não se vê a esquerda fazendo um trabalho de base, e isso tem consequências práticas. O governo Lula, para conseguir governar minimamente, acaba fazendo alianças com todo tipo de delinquente político e aliando ao STF, que não controla.
Recentemente eclodiu uma crise envolvendo o Supremo, notadamente Alexandre de Moraes, cuja esposa mantém um escritório que teria firmado um contrato multimilionário e com um banco envolvido em uma fraude bilionária.
Esse escândalo, que envolve o ministro até então mais poderoso do STF, pode arrastar o PT e provocar desgaste. É ano eleitoral, e tudo será utilizado para tirar Lula de uma reeleição.





