Mais de 300 integrantes do MSTB (Movimento dos Trabalhadores de Verdade Sem Terra do Brasil) ocuparam na manhã desta segunda-feira (12) a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), em Campo Grande (MS), em protesto por assentamentos e medidas concretas de reforma agrária no estado. A mobilização começou de madrugada e reuniu famílias vindas de acampamentos em municípios como Ribas do Rio Pardo, Dourados, Campo Grande e Nioaque.
Em frente ao prédio, os manifestantes exibiram uma faixa dirigida ao governo federal: “Lula, já foram 3 anos, cadê a reforma agrária?”. A Polícia Militar manteve três viaturas do outro lado da rua e afirmou que a presença seria para garantir a segurança, sem registro de confronto.
O MSTB declarou que a ocupação será por tempo indeterminado e que as famílias pretendem permanecer no local, realizando atividades diárias, com preparo de refeições e pernoite. Por causa do ato, o atendimento do INCRA ocorre de forma parcial. Os manifestantes afirmaram que apenas a liderança estava autorizada a se pronunciar.
O dirigente nacional Douglas Elias, de 51 anos, afirmou que há famílias acampadas há mais de 12 anos aguardando um lote e disse que, apesar da afinidade política com o governo federal, a reforma agrária não avançou no estado. Segundo o movimento, a cobrança principal é por decisões com prazos, definição de áreas e número de famílias a serem assentadas, criticando a repetição de reuniões sem encaminhamentos.
Entre as reivindicações, o MSTB citou vistoria e desapropriação da Fazenda Andorfato, em Ribas do Rio Pardo, e das fazendas Maravilha e Serra Dourada, em Nioaque. O INCRA informou que ainda em janeiro será instaurado processo administrativo e que equipes podem ser enviadas a campo em março, se necessário.
O órgão também informou que dois imóveis na região de Naviraí seguem monitorados: um, com cerca de 600 hectares, estaria em Brasília com negociação finalizada; outro, de aproximadamente 12 mil hectares, já foi vistoriado, mas os proprietários não aceitaram o valor proposto, e o impasse permanece por limite legal de indenização.
A Fazenda São Marcos, em Dourados, foi apontada como foco do protesto. A área tem 5.574 hectares e cerca de 770 famílias acampadas no entorno há mais de 10 anos. O MSTB afirmou que o imóvel era classificado como grande devedor da União, mas que o número da matrícula teria sido alterado, retirando a fazenda de listas destinadas à reforma agrária, e cobrou esclarecimentos.
Durante reunião com o INCRA, o movimento denunciou episódios de violência contra acampamentos em Ribas do Rio Pardo, incluindo relatos de incêndio de barracos por seguranças privados. O órgão disse ter recebido documentos indicando que parte da área ocupada estaria em regime de comodato com o proprietário e afirmou que o caso será apurado e encaminhado à Secretaria de Segurança Pública.
As famílias relataram ainda insegurança alimentar e pediram cestas básicas. O INCRA respondeu que a medida não é atribuição direta do órgão, mas disse que buscará encaminhamentos junto a outros setores do governo.





