O artigo Legitimando intervenção de Trump na Venezuela, Lula diz que retorno de Maduro não é prioridade, publicado no sítio Esquerda Online, ligado ao MRT (Movimento Revolucionário de Trabalhadores), não faz uma crítica profunda ao posicionamento reacionário do presidente da República.
No início, o texto diz que “Nesta quinta (05) o presidente Lula disse ao portal UOL que ‘não é preocupação principal’ o retorno de Maduro e Cilia à Venezuela. Uma declaração que agrada Trump e naturaliza o sequestro do presidente venezuelano e de sua esposa no início de janeiro”.
Seguramente a péssima declaração de Lula agrada a Donald Trump; porém, não se deve que esquecer que Lula barrou a entrada da Venezuela no BRICS ainda na gestão anterior, de Joe Biden, do Partido Democrata, que foi apoiado e considerado o “mal menor” em relação a Trump pela maioria da esquerda.
O governo Biden, logo após a reeleição no pleito de 28 de julho de 2024, afirmou que os resultados anunciados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela — que davam a vitória a Maduro — não refletiam a vontade popular. A Casa Branca exigiu a publicação imediata das atas de votação detalhadas.
Em 29 de julho, o Esquerda Diário publicou um texto em seu sítio que dizia que “a mobilização popular deve exigir transparência eleitoral e lutar por condições de vida dignas, além de um governo verdadeiramente democrático e popular. A verdade é que nenhum dos candidatos representou os interesses dos trabalhadores. O chavismo mantém um regime repressivo onde a maioria vive na pobreza”.
Joe Biden, em agosto de 2024, questionado por jornalistas se apoiava a proposta de Brasil e Colômbia por novas eleições na Venezuela, respondeu que “Sim”.
Biden manteve ou intensificou as sanções contra a Venezuela.
Nesse período, Lula, que não reconheceu o governo e também exigiu atas das eleições, sugeriu duas alternativas: 1) a formação de um governo de coalizão (onde membros da oposição fariam parte do governo) e 2) novas eleições.
A questão das eleições foi utilizada para Lula vetar a entrada da Venezuela no BRICS, mas não utilizou o mesmo critério para o Egito e para a Arábia Saudita; respectivamente uma ditadura militar e uma monarquia absolutista.
Lula e a ‘esquerda’ não discordam muito
Como disse o texto, “Lula também afirmou que a preocupação principal é ‘se há possibilidade de fortalecer a democracia na Venezuela’”, essa posição, no entanto, não se diferencia em nada da esquerda pequeno-burguesa, que sempre atacou o governo venezuelano e o acusava de ser antidemocrático, mesmo quando armou milhões de milicianos no país.
Mesmo quando Donald Trump mandou uma força militar cercar a Venezuela, o discurso da maioria da esquerda era o de criticar o governo americano sem que isso representasse um apoio a Maduro. Ou seja, não apoiavam o governo que se armou contra seu principal inimigo.
Nesse texto do MRT, por exemplo, está escrito que “é preciso erguer uma forte mobilização continental em repúdio à agressão militar e à invasão imperialista na Venezuela, pela libertação de Maduro e Cilia, de maneira totalmente independente de sua política, que foi parte de executar um ajuste econômico brutal contra a classe trabalhadora”. – grifo nosso.
Primeiro, é preciso considerar que o nosso país vizinho estava sob pesado embargo. Portanto, discutir para se discutir ajustes é preciso muita cautela. Segundo, o apoio tem de ser incondicional, pois se trata de um país enfrentando o imperialismo.
Essas questões paralelas que a esquerda coloca servem apenas para enfraquecer o governo, o que fortalece a posição de seu inimigo.
Submissão
O artigo diz que “o momento de boa relação entre o presidente de extrema direita dos EUA e Lula só pode servir para manter e aprofundar todos os elos de submissão do Brasil ao imperialismo americano”, mas a verdade é que a coisa não estava melhor durante o mandato do “democrata” Joe Biden.
Quando o texto critica que “Lula em sua fala ameniza toda a situação e sequer a reivindicação democrática de libertação de Maduro e Cilia não passa nem perto de seu discurso”, deixa escapar o fato de Nicolás Maduro, enquanto presidente, exigiu a libertação de Lula, a que classificou acertadamente de ‘preso político’.
Lula deveria pelo menos ter demonstrado a mesma solidariedade. Em vez disso, fez uma fala vergonhosa.
Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO, em sua entrevista semanal no Brasil247, nesta sexta-feira (6), questionou que “Lula, que fala tanto na ONU, em direito internacional, o que dá direito do presidente dos Estados Unidos sequestrar o presidente da Venezuela? É um ato criminoso, um ato de banditismo. É como o caso de Gaza, é um ato criminoso, não tem que ficar quieto”.
O Partido da Causa Operária, diferentemente do que acontece no restante da esquerda, apoia integralmente o governo da Venezuela contra o imperialismo. Da mesma maneira que apoia outros governos que estão sendo acossados. Essa é a posição histórica do trotskismo.
Toda vacilação, todos ‘senões’ e ressalvas que se coloca para apoiar países sob ameaça do imperialismo só favorece este último e é ser contra a classe trabalhadora internacional, que acaba vendo fortalecido o seu principal inimigo.





