Estados Unidos

Existe um ‘novo imperialismo’? – parte 1

Trump, ao contrário do que diz a maioria da esquerda, não está inventando um novo imperialismo, ou inagurando a truculência na política. Apenas deixa tudo às claras

Donald Trump

Donald Trump povoa a imaginação de setores da esquerda que o tratam como se fosse algo de novo, ou estivesse inaugurando uma era do imperialismo. Encontramos isso no artigo O novo imperialismo de Donald Trump, de Carlos Eduardo Martins, publicado no sítio A Terra é Redonda nesta terça-feira (3).

Martins apresenta “a conjuntura mundial contemporânea como caracterizada pelo caos sistêmico, que se estabeleceu hodiernamente a partir da ruptura da política externa estadunidense com o imperialismo informal e a globalização neoliberal, desde a eleição de Donald Trump em 2016”.

Difícil compreender o que seria um imperialismo informal, pois o imperialismo é justamente a forma que o capitalismo tomou em sua fase superior, como descreveu Lênin. Os Estados Unidos são o principal país do bloco imperialista, formado também pela Alemanha, Reino Unido, França, e o Japão. Esses cinco países são os principais.

A crise

Uma das características do capitalismo é que este depende dos Estados para se manter lucrativo. Porém, ocorre um fenômeno: os dois entram em contradição, pois para isso os Estados vão sendo consumidos por meio do endividamento.

Os Estados Unidos, para manterem sua máquina de guerra gastam verdadeiras fortunas. O país tem o maior orçamento militar do mundo, com gastos que geralmente ultrapassam US$ 800 bilhões a US$ 900 bilhões por ano apenas no orçamento oficial de defesa (sem contar outros custos relacionados). Para se ter uma ideia de quanto isso significa por dia: US$ 900 bilhões / 365 dias é aproximadamente US$ 2,47 bilhões por dia só em orçamento militar direto (sem guerras específicas). Um cálculo simples com base em dados do orçamento.

Apenas na invasão do Afeganistão, que durou 20 anos, gastaram US$ 2 tri, algo em torno de US$ 300 milhões/dia. O resultado é que o país está quebrado, com uma dívida pública que apenas de juros pagam mais de US$ 1 trilhão anualmente.

Donald Trump se elegeu prometendo acabar com as guerras eternas e começar a aplicar na economia. Porém, o grande capital financeiro, que se beneficia dessa política, o empurrou para mais uma guerra, desta vez com o Irã.

Outro agravante da crise americana foi a entrada da China na produção mundial. O neoliberalismo, atrás dos lucros, transferiu a produção para China atrás de mão de obra extremamente barata. Contudo, não previram que isso colocaria o principal sustentáculo do imperialismo em crise.

A “ruptura” de Trump, que Martins sugere, é a tentativa da burguesia americana, excluindo a financeira, de trazer de volta a indústria para gerar empregos e fazer a economia voltar a funcionar. Suas ações são muito mais desespero que eficácia.

Segundo o autor, “essa ruptura possui causas profundas e já avançava molecularmente durante o mandato de Barack Obama, com o crescimento da economia política de sanções e o seu direcionamento para a Rússia, buscando impedir o desenvolvimento geoeconômico da Eurásia, onde Moscou aporta território, localização e recursos estratégicos. A isso somam-se as guerras híbridas que atingiram a Ucrânia e a América do Sul, em especial o Brasil — além do Norte da África —, afetando espaços vitais da multipolaridade emergente, do poder embrionário do BRICS e de sua área de influência”.

O avançado neoliberal se deu desde o governo Ronald Reagan, no Reino Unido, o processo foi conduzido por Margareth Thatcher. Viu-se uma onda de privatizações e, um primeiro movimento para fora da indústria em direção aos chamados Tigres Asiáticos. Obama representa um período bem posterior quando estourou a crise de 2008, ano em que se elegeu.

Na verdade, o cerco à Rússia sempre foi uma política do imperialismo. Com o fim do Pacto de Varsóvia, vimos o avanço sistemático da OTAN que foi barrado na Ucrânia com a operação militar especial russa.

A intenção do imperialismo não era exatamente impedir o desenvolvimento geoeconômico da Eurásia, mas dividir a Rússia em estados menores, como fez com a Iugoslávia, para se apoderar de seus recursos energéticos, minerais, agrícolas, além dos mercados.

Isso que Martins chama de guerras híbridas contra a América Latina, são uma ação preparatória para o cenário futuro. O imperialismo precisa arrumar a casa antes de partir para a inevitável guerra contra a Rússia e a China.

O continente africano, especialmente o norte, está conflagrado e, assim como a invasão da Ucrânia, é reflexo da derrota da OTAN no Afeganistão, que expôs o enfraquecimento do imperialismo e encorajou países oprimidos a lutarem contra o imperialismo.

Trumpismo

A crise de 2008 não foi superada até hoje, apesar de os governos terem despejado trilhões de dólares na economia mundial para tentar conter os danos, mesmo que parcialmente. Muitos economistas apontam que a qualquer momento uma crise ainda maior poderá sacudir os mercados, é apenas questão de tempo.

Donald Trump surge nesse momento, em que o grande capital doméstico americano se ressente de estar sendo sangrado pelo grande capital financeiro. A polarização na sociedade americana elegeu Trump, rejeitado até mesmo por seu partido, o Republicano.

Apesar da política que vem seguindo, Trump não é o candidato natural do imperialismo, que tentou a todo custo impedir sua reeleição, que foi uma verdadeira batalha que conteve desde perseguição judicial, até tentativas de assassinato.

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