O ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, anunciou em 24 de fevereiro que o país planeja instalar novos sistemas de mísseis antiaéreos superfície-ar na ilha de Ionaguni, a porção mais ocidental do território japonês, próxima de Taiuã. Segundo Koizumi, a previsão é concluir o posicionamento até o ano fiscal de 2030, o que, na prática, aponta para implantação até 2031.
Koizumi afirmou a repórteres que o cronograma “depende do progresso de preparação das instalações”, mas que o planejamento está fixado para o período mencionado. O ministro disse que os sistemas Type-03 de alcance médio, em versão modernizada, serão estacionados no Campo Ionaguni. Ele acrescentou que autoridades do governo realizam “estudos básicos” para o desenvolvimento de estruturas voltadas ao deslocamento de tropas para a parte leste do campo e advertiu que a agenda pode mudar conforme o andamento dessas obras.
A ilha de Ionaguni tem cerca de 1.500 habitantes e já abriga uma base da Força Terrestre de Autodefesa do Japão. Aproximadamente 160 militares atuam no local, com monitoramento contínuo de atividades navais chinesas por meio de radares instalados em um ponto elevado da ilha. A nova unidade de mísseis poderia acrescentar cerca de 100 militares ao efetivo, ampliando uma estrutura que, em março, contabilizava cerca de 230 integrantes.
Koizumi sustentou, em novembro, que “essa implantação reduzirá a possibilidade de ataques armados contra o Japão”.
Tensão com a China e reação diplomática e econômica
O anúncio ocorre em meio ao aumento das tensões entre Japão e China. Em novembro, a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, declarou que um ataque chinês contra Taiuã poderia levar a uma participação militar japonesa e acusou a China de tentar alterar a situação da região “pela força ou pela coerção”.
Após essas declarações, o governo da China respondeu com medidas diplomáticas e econômicas, incluindo controles imediatos de exportação sobre bens de “duplo uso” para o Japão. As autoridades chinesas disseram que as restrições têm como alvo itens capazes de “aumentar as capacidades militares do Japão” e citaram as “declarações equivocadas” de Takaichi sobre Taiuã. Representantes chineses denunciaram o Japão por “interferência imprudente” em assuntos internos chineses e falaram em “consequências profundamente prejudiciais”.
Em declarações na Conferência de Segurança de Munique, o chanceler chinês Wang Yi denunciou forças políticas no Japão por buscar “reviver o militarismo”. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, pediu que a comunidade internacional permaneça “altamente vigilante” e “resista firmemente” ao que chamou de novos movimentos militaristas do Japão, afirmando que certos setores tentam romper com a ordem internacional do pós-guerra e impulsionar a remilitarização.





